segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mensalidade concentra 78% dos gastos com educação, diz pesquisa

Uma pesquisa do instituto Data Popular sobre o comportamento de consumo das famílias divulgada nesta segunda-feira (31) revela que os gastos com matrículas e mensalidades representam quase 78% do total de gastos previstos com educação pelas famílias brasileiras em 2011. A pesquisa usa dados da Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE. De acordo com a pesquisa, em nove anos houve um aumento considerável dos gastos com educação no Brasil. Os valores previstos para 2011 (R$ 57,87 bilhões) representam 4,7 vezes os registrados em 2002 (R$ 12,34 bilhões). Há nove anos, as famílias brasileiras gastaram 26,5% dos recursos com educação (R$ 3,27 bilhões) com material escolar e livros e R$ 73,5% (R$ 9,07 bilhões) com matrículas e mensalidades. Em 2011, a previsão é de gastos de 78% (R$ 45,13 bilhões) com matrículas e mensalidades, e 22% (R$ 12,74 bilhões) com material escolar e livros.
Na divisão por camadas sociais, os gastos com matrículas e mensalidades são maiores nas classes AB, com R$ 31,67 bilhões contra R$ 5,18 bilhões gastos com material e livros escolares. Os gastos das classes AB representam 63,7% do total das famílias brasileiras com educação.

Na classe C, os gastos com matrículas e mensalidades são de R$ 11,55 bilhões e o de material escolar e livros são de R$ 5,29 bilhões. Os gastos desta classe representam 29,1% do total.

Nas classes DE, os gastos com matrículas e mensalidades são de R$ 1,91 bilhão e o de material escolar e livros é maior, R$ 2,27 bilhões. Os gastos das classes DE com educação são 7,22% do total das famílias brasileiras.

A pesquisa mostra ainda a divisão por classes nas redes pública e particular. Na rede pública de ensino, da pré escola aos cursos de Mestrado e Doutorado, existe o predomínio das classes D (50%) e E (13,3%). A classe C representa 33,6%. As classes AB somam 3,1%, com participação concentrada nas universidades públicas.

Na rede particular, por sua vez, percebe-se presença majoritária da classe C (51,6%) e distribuição um pouco mais homogênea para A (8,8%), B (18,9%) e D (19,0%).


G1

Escolas devem informar situação do aluno a partir do dia 1º de fevereiro

Todas as escolas de educação básica do País deverão entrar no Sistema Educacenso a partir do dia 1º de fevereiro e lançar informações sobre o movimento e o rendimento de cada um de seus alunos no final do ano letivo de 2010. O sistema estará aberto até o dia 11 de março e o lançamento dos dados deverá ser feito no módulo Situação do Aluno. A escola deverá informar se o aluno foi aprovado ou não em 2010, se foi transferido ou mesmo se abandonou os estudos. Anualmente, o Censo Escolar da Educação Básica coleta dados tendo como referência a última quarta-feira do mês de maio. No início do ano posterior, as escolas devem informar o movimento e o rendimento de seus alunos. Neste ano, os dados serão divulgados na página eletrônica do Inep, no dia 14 de março. Desse dia até 31 do mesmo mês o sistema será reaberto para que as escolas procedam às necessárias retificações. A divulgação final está prevista para o dia 12 de abril.

O endereço do módulo Situação do Aluno é o mesmo do Educacenso: http://www.educacenso.inep.gov.br

INEP



Alunos voltam às aulas cheios de perguntas

Um braço levantado. Dois. Vários. Primeiro dia de aula é sinônimo de dúvidas. Como separo os cadernos? Com que cor é para escrever? Como a gente faz quando quer ir ao banheiro? Como é o seu nome? “Eles perguntam tudo e várias vezes”, comenta a professora de língua portuguesa Ana Elvira Casadei Iorio, que dá aulas no Colégio São Luiz, em São Paulo, e passou a manhã dando respostas. Antes de entrar na rotina e começar a seguir a grade horária, as escolas devem fazer responder às dúvidas, fazer apresentações e tornar o ambiente convidativo para que os estudantes comecem com vontade o ano letivo. “Estes primeiros dias são de acolhida”, diz a coordenadora do segundo ciclo do ensino fundamental no São Luís, Maria Cristina Lozano Mazzocchi. “Eles chegam ansiosos para rever os amigos e com receio das novidades. Então, vamos mostrando tudo aos poucos e em meio a brincadeiras”, diz.

No final da manhã com jogos na quadra, competições em equipe e momentos em que cada aluno pode falar, Camila de Castilho Bottaro, de 10 anos, disse estar “mais tranquila”. Ela mudou de escola e começou nesta segunda-feira o 6º ano. “Estava bem nervosa por não conhecer ninguém e porque as matérias vão ser mais difíceis, mas já conheci novos amigos”, disse.
Os “veteranos” também chegam com novas dúvidas. Guilherme Sanches Ribeiro, 10, estuda no São Luís desde os dois, mas ainda tem suas perguntas. “Eu queria saber por que fiquei em turma diferente do meu amigo, mas me disseram que preciso conhecer mais gente”, contou consternado. Já sobre como funciona o local, ele dá aulas. “No ano passado eu apresentei tudo para um colega, se alguém precisar, eu faço de novo.”

Professora também estreia
Entre as pessoas que teriam aula no colégio pela primeira vez, estava a professora de Língua Inglesa, Eliane Pinotti Borguetti. Apesar de toda a experiência em outras escolas, ela confessa que estrear em um novo colégio e conhecer novos alunos a deixa nervosa. “Acho que fico mais ansiosa que eles, que em geral já conhecem pelo menos um colega”, comentou antes da primeira aula que para uma turma de 1º ano do ensino médio.

Para começar bem, ela estudou a produção dos alunos no ano anterior, colheu informações com os demais professores e preparou uma aula especial que chama de “contrato pedagógico”. “Quero ouvir deles o que cada um sabe, do que gosta e como vamos proceder nas aulas para que haja o maior avanço possível sem excluir ninguém”, explicou.

Mais séries e escolas a partir desta terça
A volta às aulas acontece aos poucos em todo o país. Em São Paulo, a rede de escolas do Sesi retomou os trabalhos na semana passada e colégios como o São Luís, na Paulista, o Santa Amália, na Vila Mariana, e o Augusto Laranja, em Moema, estão recepcionando algumas turmas por dia durante esta semana. A rede Objetivo retorna nesta terça-feira. Na próxima segunda, os alunos voltam às escolas municipais e a rede estadual paulista retoma as aulas no próximo dia 10.

No Rio de Janeiro, a volta às aulas nas escolas públicas será no dia 7 e, em Brasília, também no dia 10.

IG

Tiririca diz querer vaga na Comissão de Educação da Câmara

O deputado eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), 45, o palhaço Tiririca, afirmou ontem que tem planos de participar da Comissão de Educação e Cultura da Câmara.
"Quero trabalhar na área de educação e cultura. É o que o partido também quer", afirmou o humorista ao sair do hospital Sírio Libanês, em São Paulo. No entanto, o deputado eleito não quis falar dos projetos que tem para a área. "Já mostrei alguma coisa para a galera. Mas, tem que chegar primeiro na Câmara, conversar, marca reuniões, aquela coisa toda."

O PR tem dois deputados na comissão de 32 membros.

A única ideia que Tiririca apresentou ontem foi um projeto para incentivar a adoção de animais.

Nesta terça-feira, o palhaço toma posse como deputado federal. Ele diz que não sabe ainda como será o seu discurso.

Após ser eleito com votação recorde de 1,3 milhão de votos, Tiririca teve que passar por um teste de alfabetização aplicado pela Justiça Eleitoral. Ele leu uma notícia de jornal e fez um ditado com uma frase de 10 palavras. Segundo ele, o episódio está superado.

CIRURGIA

Na última sexta-feira, o deputado foi operado para retirar a vesícula. A cirurgia ocorreu sem problemas. "Foi tirada a vesícula fora. Estava inflamadíssima", afirmou.

Segundo Tiririca, a cirurgia foi decidida depois de um exame. O médico Raul Cutait chegou a sugerir que a operação fosse feita no sábado. Mas, Tiririca quis fazer no mesmo dia.

"Eu sai do consultório dele direto para o hospital fazer a operação", afirmou Tiririca, ao lado da mulher Nana Magalhães.

No final de dezembro, Tiririca foi internado no hospital São Mateus, em Fortaleza (CE), após sentir uma indisposição gástrica. De acordo com a assessoria dele, a operação não teve relação com a internação.

Folha

Nova idade para ensino fundamental afeta pré-escola

As novas regras de idade para ingresso no ensino fundamental estão bagunçando a matrícula no ensino infantil paulista. A retenção de crianças que ainda não completaram 4 anos de idade foi parar na Justiça e provoca polêmica entre escolas e pais que não concordam com a medida. Para obedecer a uma norma do Conselho Estadual de Educação (CEE) e evitar que em 2012 os alunos cheguem ao ensino fundamental com apenas 5 anos - a idade tem de ser 6 anos completos até 30 de junho -, as pré-escolas têm feito crianças com aniversário no segundo semestre "repetirem" de ano.


A retenção desagrada até mesmo a membros do Conselho Nacional de Educação (CNE), como César Callegari, que defendem que todas as crianças "evoluam normalmente". "Nas resoluções do conselho tivemos o cuidado de preservar o percurso educacional das crianças, para que elas não sejam apartadas de seu grupo", afirmou.


Segundo ele, o alinhamento na faixa etária correta deve ser feito quando a criança entra na escola, seja com 1, 2, 3 ou 4 anos. "Se os professores perceberem que uma criança está imatura e precisa ficar mais um ano no ensino infantil, ótimo. Mas esse diagnóstico deve ser feito regularmente, para todas, não com base na data de aniversário."


Arthur Fonseca Filho, membro do CEE, diz lamentar que decisões referentes a educação sejam resolvidas por vias judiciais. "É pouco pedagógico", diz. Segundo ele, a falta de padronização dos níveis da pré-escola dificulta o processo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Primeira edição da Provinha Brasil de matemática chegará às escolas em agosto

Em agosto deste ano, escolas da rede pública com turmas de estudantes no segundo ano (alfabetização) do ensino fundamental vão receber a primeira Provinha Brasil de matemática. Desde 2008, o Ministério da Educação produz, imprime e distribui a provinha de língua portuguesa. Em ambas, a aplicação pelas escolas não é obrigatória. De acordo com a coordenadora do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Mariana Santos, o desenho da prova de matemática já passou por pré-testes de itens com alunos em novembro e dezembro do ano passado. Agora, o instituto trabalha na elaboração das 20 questões.

Em 2012, as redes de ensino receberão as duas provas no começo do primeiro semestre e no final do segundo.

Dados do Censo Escolar de 2010 coletados pelo Inep indicam que 3,3 milhões de crianças estão matriculados no segundo ano do ensino fundamental, distribuídas em 166 mil turmas em todas as unidades da Federação. Esse é o público-alvo da Provinha Brasil de 2011, nas versões língua portuguesa e matemática.

Para a coordenadora de ensino fundamental da Secretaria de Educação Básica (SEB) do MEC, Edna Martins Borges, a Provinha Brasil foi bem aceita pelos sistemas de ensino públicos e hoje está consolidada. Segundo ela, com o surgimento da versão de matemática, o MEC amplia a avaliação do ciclo da alfabetização das crianças.

A provinha de língua portuguesa deste primeiro semestre estará em todas as escolas até 15 de março. Além das provas para os alunos, as escolas receberão um conjunto de publicações informativas composto de caderno do professor-aplicador, roteiro passo-a-passo com orientações sobre a aplicação da prova, guia de correção e interpretação dos resultados e folder que conta a trajetória da provinha.

Aos gestores das secretarias de educação, diretores de escolas e professores, a SEB recomenda que a prova de língua portuguesa seja aplicada no início do ano letivo. O exame, com 20 itens de múltipla escolha, é aplicado pelo professor em sala de aula ou por coordenador pedagógico definido pela direção da escola. De acordo com Edna Borges, a provinha permite aferir o aprendizado dos alunos no início e no fim do ano letivo. Com os dois resultados, os sistemas de ensino podem comparar os resultados e refletir sobre a prática pedagógica. Caso apareceram problemas, podem definir estratégias para solucioná-los. O objetivo final é que as crianças estejam alfabetizadas aos oito anos de idade.

A realização da Provinha Brasil compreende uma série de atividades que envolvem a SEB, o Inep e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), além de parcerias com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). A SEB promove a licitação para a impressão e a distribuição do exame; o Inep elabora, testa e define as questões; o FNDE cuida dos recursos de todas as fases do processo. A Undime e o Consed são responsáveis pela mobilização e orientação das escolas em cada rede de ensino.

Confira os conjuntos do material da provinha

MEC

Escolas públicas fecham turnos por falta de alunos no RN

Em outubro de 2010 a diretora da Escola Estadual Winston Churchill, Maria Eliane Silva de Carvalho Han, enviou um ofício à Secretaria de Educação com uma solicitação no mínimo inusitada. Ela pedia o fechamento do turno noturno de aulas. Os motivos do pedido são variados, incluem desde a evasão, somada ao desestímulo dos estudantes, passando pela queda nas matrículas. Mas a origem é uma só: a falta de qualidade no ensino. O fechamento de um turno no Wiston Churchill reflete uma realidade vivida em diversas outras unidades da rede estadual, que somente de 2004 a 2009 passou a ter 100 mil alunos a menos, uma redução de 23,4% no total. Parte dessa diminuição se deve à transferência do Ensino Fundamental para os municípios. No entanto, uma parcela significativa é fruto da falta de atrativos das aulas nas escolas de Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) - especialmente no turno noturno.
O problema é reconhecido pela nova secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, que já admite adiar por mais uma semana o início do ano letivo, previsto inicialmente para 14 de fevereiro, no intuito de organizar melhor a rede. A carência no ensino noturno, por exemplo, se reflete em números como os do Wiston Churchill. Nas quatro turmas noturnas de 1º ano do Ensino Médio, existentes em 2010, 132 alunos se matricularam e apenas 20 concluíram o ano. No “1º B”, de 33 apenas um não se evadiu.

Em um semestre à frente da escola, a diretora identificou no período noturno problemas como a saída antecipada de alunos por conta da insegurança e da necessidade de pegarem ônibus mais cedo, mas - principalmente - por falta de professores e de estímulo. O horário já reduzido, das 19h às 22h, termina vigorando somente de 19h às 21h, mas nem sempre é respeitado. “Muitas vezes às 20h já se contabiliza a ausência parcial ou total de alunos e professores na escola”, relata.

Muitos dos alunos chegam à escola fisicamente esgotados no período da noite, após a jornada de trabalho, e não encontram em sala de aula um ensino que os motive, ou estimule. “O que se aprende em sala pouco tem a ver com o mundo do trabalho”, lamenta Eliane Carvalho, complementando: “Uma escola só deve abrir suas portas quando se pode oferecer um ensino de qualidade.”

Diante do cenário, a diretora decidiu não abrir matrículas para o turno noturno. Os alunos estão sendo encaminhados ao Anísio Teixeira e os professores devem ser reaproveitados na mesma, ou em outras escolas. Eliane se diz cansada do slogan com o qual a comunidade já se acostumou (“professores fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem”) e cobra melhorias.

Hoje, segundo ela, mesmo havendo interesse dos professores, não há condições de oferecer um ensino diferenciado no Wiston Churchill. O auditório da escola só serve como depósito de cadeiras quebradas. O estado da quadra de esportes surpreendeu os bombeiros, pois ferragens se misturavam perigosamente à instalação elétrica. O espaço para o lanche não é coberto e o primeiro andar não conta com torneiras, obrigando os funcionários a subirem com baldes, para fazer a limpeza

Não há laboratórios, nem mesmo o de informática, e a sala de vídeo é precária, funciona com apenas uma televisão. Inexiste prática esportiva organizada. “Se abríssemos vagas para o noturno, não iamos preencher o mínimo de 20 alunos por turma no primeiro ano. O segundo ia ter só os 20 e o terceiro 22. Não vale a pena”, resume.

Ela adverte que, diante de opções mais fáceis como os supletivos de “30 dias”, fica difícil atrair os alunos para as escolas da rede estadual. “Agora, se esse aluno soubesse que sairia daqui com um bom aprendizado, com certeza ele viria.”

Estado não tem um projeto de educação

A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte), Fátima Cardoso, considera que a ausência de um projeto de educação para o Rio Grande do Norte tem afastado os estudantes da rede estadual. “Desde o primeiro governo Wilma de Faria que a gente cobra um plano estadual. A falta dele se reflete na queda de qualidade, pois o estado passa a trabalhar com programas e projetos temporários, sem ações consistentes de combate, por exemplo, à evasão escolar.”

Ela afirma que há, atualmente, uma crise na Educação de Jovens e Adultos, com uma evasão média que chega a ultrapassar os 50%, em muitas das turmas.

Fátima defende a retomada de uma metodologia específica para Educação de Jovens e Adultos. “O modelo atual não é voltado para o trabalhador. É o mesmo utilizado no seriado normal dos alunos que estão na faixa etária”, indica. Ela é favorável a um sistema “aberto”, que ofereça ao aluno do EJA espaço para realizar estudos, tirar dúvidas, ter o acompanhamento de professores, construindo seu saber, sem a rigidez das séries tradicionais. “Quando funcionou o sistema de cabine de atendimento, no Felipe Guerra, foi um dos que mais aprovou para o vestibular da federal”, recorda.

Fátima Cardoso reconhece a dificuldade em manter o aluno em um sistema que não atende seus interesses. “Mesmo no Ensino Médio tradicional, a ausência de professores tem traumatizado os estudantes. Eles percebem o prejuízo e correm para a rede privada, sempre que podem”.

Até escolas podem fechar este ano, avisa secretária

Para a nova secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, o que mais pesa na perda de alunos é mesmo a baixa “atratividade” da rede estadual. “Só vai para a rede pública quem realmente não consegue fomento para fazer outra opção. O problema maior é que a escola pública não tem qualidade”, resume.
Ela afirma que ainda não há definição de quantos turnos, turmas, ou até escolas poderão ser fechados, devido à queda no número de matrículas, mas afirma que o levantamento já vem sendo feito e o objetivo é “racionalizar” a rede. “Existem escolas com pouquíssimas matrículas e outras, no mesmo bairro, muito próximas, que poderiam juntar as turmas para racionalizar os custos e atendermos melhor”, cogita.

Betânia Ramalho lamenta que, ao assumir a pasta, já tenha encontrado uma definição de início do ano letivo para 14 de fevereiro, sem haver sequer a garantia de estruturas básicas, como a disponibilidade de professores, e até mesmo de insumos básicos, como as cadernetas. Por isso mesmo vem sendo estudada a possibilidade de adiar o início das aulas por mais uma semana. “Precisamos ganhar tempo.”

Ela destaca que há uma demanda reprimida de jovens que não concluíram os estudos, já estão no mercado de trabalho e precisam ser atendidos no Ensino Médio noturno, ou na Educação de Jovens e Adultos (EJA), para terem direito a melhores oportunidades profissionais. “Infelizmente a escola não tem um projeto educativo voltado para as necessidades dessa clientela.” É necessário desenvolver um trabalho que garante a atração desse público, relacionando o conteúdo transmitido em sala de aula com o mundo do trabalho. “É preciso ampliar os horizontes, afinal todos querem aprender algo que construa pontes entre o conhecimento e as oportunidades no mercado”, diz a secretária.

No entender de Betânia Ramalho, as escolas públicas têm se limitado a reproduzir, à noite, o mesmo currículo e métodos utilizados durante o dia. Uma experiência piloto de Ensino Médio noturno foi iniciada na gestão anterior, mas terminou se perdendo em 2010 com a decisão de permitir a conclusão de um ano letivo em seis meses. “Foi uma medida equivocada e isso já foi revertido”, revela.

O projeto vem sendo rediscutido, assim como todo o trabalho voltado para a EJA. “Há necessidade de professores qualificados, estrutura curricular adequada, recursos didáticos e competência técnica para trabalhar com as demandas. Hoje o panorama preocupante”, admite. Uma das alternativas para melhorar a infraestrutura da rede, revela, é tentar identificar, dentre os programas do Ministério da Educação, as fontes para resolver os problemas que vêm sendo levantados.

“E não bastará ter o professor, ele precisa ter os instrumentos e estar disposto a se qualificar, estimulado a integrar-se a uma estrutura curricular nova. Para isso precisaremos também de uma gestão pedagógica e administrativa eficientes”, conclui.

Município quer reavaliar licenças e cessões de professores

Enquanto a rede de ensino estadual perde alunos, a rede municipal vem se ampliando anualmente. Em 2010 foram 56 mil matrículas, 2 mil a mais que no ano anterior, e agora para 2011 já estão programadas, neste primeiro semestre, a inauguração de duas novas escolas e um Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei). Para atender à demanda crescente, a Secretaria de Educação tem ido atrás dos professores que estão fora de sala de aula.

De aproximadamente 4.300 docentes na rede, aproximadamente 470 se encontram fora das atividades devido a licenças em função de problemas de saúde, alguns dos quais ainda no período de estágio probatório. A secretária Adriana Trindade reconhece o direito de quem enfrenta doenças, mas avisa que a intenção é reformular a junta médica e submeter todos a uma reavaliação.

O trabalho se somará à convocação dos 246 professores do Município que estão à disposição de outros órgãos. Até a última quarta-feira, somente 10 tinham se apresentado para reassumir as funções. Embora admita que nem todos os cedidos poderão voltar, ela acredita ser possível reintegrar, pelo menos, metade da lista. “Vamos ser rigorosos. A gente precisa trazer esses professores para a sala de aula. Claro que cada caso é um caso, mas 10 em um montante de 246 é um número ainda pequeno.”

Em 2010 a Prefeitura do Natal utilizou o serviço de 899 professores temporários. Ou seja, mesmo com o retorno de boa parte dos profissionais cedidos e a reavaliação das licenças médicas, não será possível zerar o déficit, mas pelo menos a carência seria reduzida. “E essa demanda não vai parar de crescer, porque agora vamos abrir duas escolas, na comunidade da África, a Noilde Ramalho; e em Igapó a professora Graça Mota. Além dos Cmeis”, destaca.

Os dados das matrículas para 2011 devem ser fechados esta semana e, se não houver espaço para todos os interessados na rede municipal, alguns alunos podem ser encaminhados a escolas de Ensino Fundamental do estado. Em Natal há hoje 66 Cmeis e 71 escolas municipais.

Estado deve criar estímulos para retorno de professores

A secretária de Educação, Betânia Ramalho, já percebeu que não bastarão medidas burocráticas para atrair de volta os professores que estão em desvio de função. “O problema não é só baixar um decreto para que retornem. E não adianta ter escola repleta de professores, se o projeto pedagógico não é seguro, eficiente e nem é acompanhado”, destacou.

Ela revela que vem discutindo, junto à governadora Rosalba Ciarlini, formas de incentivar esse retorno e lembra o episódio da distribuição de “notebooks” em 2010, que indiretamente refletiu na volta de muitos profissionais à docência. A secretaria ainda não tem o número exato de professores fora de sala de aula, mas a contratação dos temporários e de estagiários continuará a ser uma alternativa em 2011.

“O concurso, que deveria ser realizado na gestão passada, não foi realizado. Vamos trabalhando nisso e tentando trazer os professores de volta, mas os temporários estão se tornando quase permanente na Rede Estadual”, lamenta. Ela defende a criação de um fluxo de pessoal que garanta a substituição, por exemplo, de professores que se aposentam e daqueles que entram de licença médica, gestante, ou prêmio. “Isso tudo tem de estar previsto em um sistema de gerenciamento”, enfatiza.

A coordenadora do Sinte, Fátima Cardoso, destaca que o concurso é fundamental para preencher a carência de pelo menos 4 mil profissionais, identificada pela última gestão. A sindicalista lembra que o último número sobre desvio de função apontava para 1.200 professores nessa situação e alerta que o dado já pode ter mudado bastante. “Sabemos que tem gente na Suíça, em Portugal, na Assembleia Legislativa, nas Câmaras Municipais, mas o retorno desse pessoal não será suficiente para atender a demanda. Até porque o Estado tem um vício, de chamar um grupo e liberar outro. Não tem um perfil de dar sustentação àquela tomada de decisão anterior”, enfatiza.

Aliado a isso, a média de aposentadorias na rede estadual gira em torno de 800 por ano, o que cria uma carência constante de novos profissionais.

Rede de ensino profissional depende de verba

O programa federal Brasil Profissionalizado chegou ao Rio Grande do Norte prometendo R$ 160 milhões em recursos para reforma e ampliação de escolas e criação de 10 centros de ensino profissionalizante espalhados pelo estado.

Atualmente, 55 escolas passam por melhorias, ou tem obras em fase de licitação, e dois centros começaram a ser erguidos, em Nova Parnamirim e Alto do Rodrigues. Porém os cursos não têm data para se iniciar.

A dificuldade de concretizar o programa, aponta a secretária Betânia Ramalho, diz respeito à falta de estrutura complementar, como equipamentos e pessoal qualificado. “Assumimos há poucos dias e estamos começando agora a conhecer em detalhes o projeto e o que ele implica de impacto em termos de equipamentos e de recursos humanos. Não adianta só a parte física, tem de ter os equipamentos e o professor qualificado”, ressalta.

Na escola Luiz Antônio, no bairro de Candelária, os recursos do Brasil Profissionalizado já resultaram na melhoria de toda infraestrutura e na construção de uma nova e ampla quadra esportiva, além da nova ala com salas para os futuros laboratórios. Matrículas chegaram a ser abertas, mas foram suspensas, devido à incerteza quanto aos cursos.

Na Escola Estadual Walfredo Gurgel, também em Candelária, um valor de R$ 1,3 milhão foi usado na reforma do piso, de parte do teto, além de portas e outras estruturas. Na Escola Estadual Floriano Cavalcanti, o programa também tem garantido melhorias na quadra e nas áreas internas do colégio.

Tribuna do Norte

Educação pode ter ganhos significativos em seis anos ou menos, diz estudo

Um estudo revelou que o ensino pode ter ganhos significativos em seis anos ou menos. Essa conclusão foi obtida a partir da observação de 20 sistemas de ensino no mundo que apresentaram melhora de desempenho. Ela está na publicação "Como um sistema escolar de baixo desempenho pode evoluir para tornar-se bom? E como um sistema de bom desempenho pode atingir o nível de excelência?", divulgado pela consultoria McKinsey. Entre as conclusões também há a afirmação de que não há receitas universais que possam levar à melhoria da qualidade do ensino. No entanto o estudo identificou quatro etapas principais no percurso da melhora de desempenho. São elas:

- Pobre para o satisfatório: os sistemas atingem o básico para a alfabetização e o letramento, como o estabelecimento de currículos, universalização do ensino e oferta de pelo menos um mínimo de qualidade ao ensino.

- Satisfatório para bom: as bases do sistema são fortalecidas por meio da transparência dos dados, da organização financeira e da gestão e das discussões pedagógicas.

- Bom para muito bom: os sistemas de ensino dão mais perspectivas aos profissionais da Educação e à carreira do magistério, aumentando a exigência na seleção de professores e diretores e na formação dos que já fazem parte da rede.

- Muito bom para excelente: quando os professores são motivados a inovar e ajudarem-se uns aos outros na melhoria do ensino.

Outro ponto de destaque é que, para melhorarem, os sistemas de ensino investem em três vertentes:

- Mudam a estrutura ao estabelecer novas instituições ou tipos de escola, ao modificar os anos e níveis de escolaridade, ou descentralizar as responsabilidades pelo sistema.

- Mudam os recursos, ao alocar mais pessoal de Educação nas escolas ou incrementar o financiamento do sistema.

- Mudam os processos, ao modificar o currículo e melhorar a maneira como os professores ensinam e os diretores lideram.

"No entanto, muitas vezes o debate público gira em torno de estrutura e recursos (...). O que constatamos, por outro lado, é que a ampla maioria das intervenções feitas pelos sistemas de nossa amostra que apresentam melhoria é da natureza de “processos”; e, nesta área, em geral esses sistemas gastam mais com o aperfeiçoamento da forma como a instrução é ministrada do que com a modificação do conteúdo ensinado", aponta a publicação.

Metodologia
A consultoria analisou 20 sistemas educacionais pelo mundo, cujos estudantes vêm melhorando seus resultados de aprendizagem nos últimos anos. Eles partiram de pontos diferentes: alguns já apresentavam bons resultados e conseguiram melhorar ainda mais; outros partiram de patamares de desempenho mais fraco e estão avançando.

Foram realizadas 200 entrevistas com os responsáveis pelos sistemas de ensino e com especialistas. Com isso, foram mapeadas cerca de 600 intervenções dos gestores nos sistemas.

A partir desse material, o estudo pretende reunir e trazer à tona elementos para a reforma de sistemas educacionais, na transição do desempenho fraco para satisfatório e, então, para bom e excelente.

Os sistemas analisados foram: Armênia, Aspire (sistema escolar dos Estados Unidos no regime de charter), Boston (Massachusetts, EUA), Chile, Cingapura, Coreia do Sul, Eslovênia, Inglaterra, Gana, Hong Kong, Jordânia, Letônia, Lituânia, Long Beach (Califórnia, EUA), Madhya Pradesh (Índia), Minas Gerais (Brasil), Ontário (Canadá), Polônia, Saxônia (Alemanha) e Western Cape (África do Sul).

Todos pela Educação

10 perguntas que os pais devem fazer aos professores

Pais educam, escolas ensinam: apregoa um velho provérbio. De fato, é um erro atribuir à escola a total responsabilidade pelo desempenho escolar das crianças. Pesquisas em todo mundo mostram que o envolvimento da família na vida escolar dos filhos é vital para o desenvolvimento deles. A parceria pais + professores é considerada tão importante que governos pelo mundo investem em medidas para incentivar a presença dos pais na rotina da escola. Em Nova York (Estados Unidos), onde medidas fizeram com que a cidade fosse considerada um dos sistemas com trajetória de forte melhoria no mundo, segundo um relatório da consultoria Mckinsey, de 2008, existem políticas públicas específicas para estimular a participação dos pais. Uma das principais iniciativas tomadas pela prefeitura foi a de criar a posição de coordenador de pais para cada uma das escolas públicas da cidade. Esse profissional trabalha como mediador entre a escola e a família: acolhe os pais, tira dúvidas e ajuda quem não pode participar de reuniões da Associação de Pais e Mestres. No Brasil, o MEC, secretárias estaduais e municipais começam a se engajar nessa luta para envolver a família. As escolas brasileiras mais bem colocadas no Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica) também têm estratégias para atrair os pais para dentro da escola. "Isso faz a diferença entre uma boa escola e uma mediana", diz Eliana Aparecida Piccini Coelho, diretora da escola André Ruggeri, de Cajuru (SP), com nota 7,9 no indicador governamental.

A participação é importante, sim, e por isso o trabalho dos pais precisa estar em sintonia com a escola. E, nada melhor, do que uma conversa (ou várias) com o professor da criança para descobrir como ajudar. "A família tem de contar com a escola para cuidar dos filhos, mas essa responsabilidade deve ser compartilhada. Senão, vira um jogo de empurra-empurra e quem sofre é a criança" diz Luciana Fevorini, coordenadora de ensino fundamental II do Colégio Equipe, em São Paulo.

Como começar a conversa com o professor? O contato pode ser informal, aproveitando as entradas e saídas da escola, ou por meio de um telefonema. "Os pais podem ligar para a escola e perguntar o melhor momento para falar com o professor. Mas a escola deve lembrar que a maioria dos pais trabalham e que, muitas vezes, alguns horários são proibitivos", diz a psicóloga e educadora Ana Inoue. É papel da escola propor momentos de contato entre pais e professores. Se a escola não fizer isso, a família pode exigir a abertura de um espaço para conversa.

Muitos pais, no entanto, podem sentir-se constrangidos em questionar os professores sobre a vida da criança na escola. O motivo, muitas vezes, é o desconhecimento. Demonstrar interesse pelo aprendizado do filho, independente do nível socioeconômico, é o primeiro passo para que ele melhore na escola. "Mesmo que não tenham estudos, os pais podem, sim, conversar com o professor", diz a pedagoga paulista Carmen Galuzzi. Para ajudá-lo na tarefa de iniciar o diálogo com o mestre de seu filho, consultamos especialistas e identificamos 10 perguntas que podem servir de ponto de partida.

Educar para Crescer

Escolas de Caucaia (CE) aproveitam as férias para unir diversão e aprendizado

Quem acha que férias e escola não combinam está totalmente enganado. A prova disso está no município de Caucaia, no interior do Ceará, onde o projeto “Brincar é Preciso”, tem conseguido transformar a escola num espaço dedicado ao lazer e à brincadeira, aliando o aprendizado à atividades lúdidas. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Comissão Pró-Selo Unicef, o projeto foi colocado em prática durante todo o mês de janeiro e tem atendido alunos de quatro comunidades, com idades entre 5 e 19 anos, além dos familiares dos jovens. “Chamamos toda a comunidade para participar do projeto. Aqui todos são bem-vindos”, explica Andeile Lemos, técnica da área esportiva da Comissão Pró-Selo Unicef em Caucaia. Segundo ela, quando o assunto é brincar, até o adulto mais sério se liberta das amarras e aos poucos a criança que habita em cada um toma as rédeas da situação. No projeto vale levar mãe, pai, avós, primos e vizinhos. O que importa é envolver todas as pessoas, integrando gerações.

Opção de lazer

A distância em relação à sede do Município e a falta de projetos culturais e de lazer motivaram a realização do projeto nesta região, zona rural de Caucaia margeada por rodovias.

“No início do planejamento, dimensionamos o trabalho para turmas de 120 alunos, num total de 600 crianças e adolescentes. Mas a procura tem sido tanta que chegamos a fechar turmas com 150 alunos”, contabiliza Andeile.

As comunidades foram divididas em quatro grandes grupos, em que uma escola sedia as atividades e acolhe os alunos das demais. Os dez profissionais que compõem o projeto promovem oficinas de arte, atividades esportivas, recreação, dança e palestras. Fantasias coloridas despertam o lado mais onírico da criança, dando asas à imaginação nas rodas de leitura. Difícil é fazer todo mundo parar na hora do lanche, mas a barriga acaba falando mais alto.

“O projeto integra as ações para obtenção do Selo Unicef, voltadas para a garantia dos direitos básicos das crianças e adolescentes. Nas atividades buscamos abordar os temas do Unicef que analisam a qualidade de projetos escolares e comunitários: convivência com o semiárido; arte, cultura e comunicação para a diversidade étnico-racial; esporte e cidadania”, explica a técnica.

Brincar direcionado

O projeto, no entanto, não promove o brincar apenas pela diversão, mas procura promover atividades direcionadas em que a criança e o adolescente aprendem coisas novas sem perceber. Afinal, o brincar é elemento-chave para o desenvolvimento cognitivo, físico e emocional nos primeiros anos de vida. O que se aprende nestes momentos vira legado para um adulto feliz e mais humano.

Os professores e estagiários envolvidos já trabalham em outras iniciativas, como os projetos “Praça, Cultura e Lazer” e “Criança que brinca, cresce feliz”, além da Associação Recreativa e Esportiva para Crianças e Adolescentes (Arca).



Com informações da Comissão Pró-Selo Unicef e da Secretaria Municipal de Educação de Caucaia (CE)

Especialistas debatem os avanços e desafios da educação brasileira

Na última quinta-feira, 27, profissionais que atuam com educação – seja no governo ou no terceiro setor – estiveram reunidos em oficina de capacitação promovida pela Comunidade Educativa CEDAC, em São Paulo. Ao longo do dia, especialistas se revezaram para conduzir o debate sobre as políticas públicas voltadas para a educação e o desafio que o país, os estados e municípios enfrentaram para promover uma melhoria no ensino. Consultores que atuarão no projeto Parceria Votorantim pela Educação estiveram presentes à capacitação e o Blog Educação destaca os principais pontos discutidos. “Estamos passando por avanços na educação brasileira, uma série de padrões estabelecidos décadas atrás já não são os mesmos do ponto de vista social e tecnológico, entretanto, fica uma pergunta: será que os nossos educadores estão preparados para enfrentar essas transformações?”. O questionamento foi lançado pela educadora e socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, do Departamento de Ciência Política da Unicamp, durante o período da manhã, que teve como tema principal o PNE (Plano Nacional de Educação).

Para a especialista, um dos pontos sensíveis nessa questão é a falta de planejamento, decorrente, em parte, do hiato que existe entre o ritmo no qual a sociedade evolui e o tempo em que as leis são feitas e aplicadas. “Na verdade, todas as mudanças que estão acontecendo ainda são muito novas para nós. Se olharmos a evolução da educação no país, percebemos que por quase três décadas caminhamos lentamente e, em certos momentos, até estagnamos. Somente de meados dos anos 90 para cá, entramos num processo de transformação verdadeiro e isso, em termos de história, é muito recente”, diz.

De acordo com a socióloga, o grande desafio na década de 70 era como universalizar a educação, preocupação que ainda se estendeu pelos anos 80. Foi a partir da década seguinte, com a realização das conferências internacionais de educação que surgiu a necessidade do país tirar o foco dos indicadores de acesso e começar a pensar em metas e resultados.

E é nesse contexto que o Plano Nacional de Educação (PNE) ganha força. Maria Helena explica que quando o primeiro PNE foi lançado em 2001, a grande crítica era em torno da extensão do documento – “muito longo”, segundo os especialistas. Porém, para ela, o Plano teve uma função maior: a de mostrar a necessidade do país trabalhar com metas para educação e não apenas com processos.

Hoje, segundo a socióloga, a bola da vez no universo da educação é o novo PNE, cujo projeto foi encaminhado ao Congresso no final do ano passado pelo, então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, uma grande expectativa gira em torno de sua aprovação, já que será a partir dele que serão traçados os rumos das políticas públicas para a área de educação para os próximos dez anos.

Partindo da experiência que teve como presidente do INEP/MEC e também como Secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena apresentou ao grupo de consultores uma análise na qual elencou os pontos que podem ser considerados como fortes e fracos no novo plano.

Entre os aspectos positivos do documento, a socióloga destaca dois como de grande relevância: a prioridade de ações voltadas à educação básica e também a ênfase na formação, qualificação e carreira do professor – este último, segundo ela, é foco em mais de 25% do plano. Outro item é a questão da qualidade e resultados da aprendizagem. “Nesse ponto, o plano demonstra a preocupação em criar diretrizes e ações que garantam ao aluno concluir cada ciclo, tendo realmente aprendido o conteúdo previsto para o período. Sabemos que quando isso não acontece, o aluno acumula déficits que acaba carregando para sempre, e que lhe resulta em grandes prejuízos para o seu desenvolvimento.”

Ainda entre os pontos fortes, Maria Helena listou a ampliação do financiamento da educação para 7%; o aperfeiçoamento do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e Prova Brasil; a lei de responsabilidade educacional que deverá penalizar aqueles que não investirem em educação; e, por fim, a necessidade de promover a articulação entre os três níveis do governo.

Já no que diz respeito aos pontos fracos do plano que, a princípio, requerem melhorias e uma maior atenção por parte dos gestores, a socióloga elencou como crítico o sistema de ensino médio. Para ela, há uma urgência em mudar e tornar atraente esta categoria de ensino. “É preciso inovar o currículo escolar, ampliar o ensino técnico e ouvir o que os jovens realmente buscam. Só com a diminuição das disciplinas obrigatórias é que o aluno vai conseguir conciliar o ensino médio normal com o técnico, por exemplo. Hoje, a carga curricular é muito grande e o jovem não dá conta. Essa é, sem dúvida, uma das grandes razões dos altos índices de evasão escolar que temos no país”, comenta.

A questão da relação currículo e avaliação também é outro aspecto que, na opinião da socióloga, merece atenção. Segunda Maria Helena, os sistemas de avaliação atuais não dizem o que os alunos precisam aprender e essa indefinição se repete no projeto do novo PNE.

Ainda entre os pontos sensíveis do projeto, estão a formação inicial de professores que pode ser melhorada; a pouca inovação nas parcerias público privadas (PPP); e a indefinição do papel dos entes federados na condução da política educacional (quais serão as penalidades para quem não investir em educação?).

A conclusão da primeira fase dos debates foi de que o Brasil vem avançando em gestão. Conceitualmente, o entendimento da educação é outro, se comparado com trinta anos atrás. “Nos últimos 20 anos mudaram muito os consensos que temos hoje. Educação agora é vista como um direito, como pré-requisito do desenvolvimento, como condição para diminuir desigualdades e é considerada política pública decisiva para o fortalecimento da democracia. Esses são os maiores avanços da educação, independente dos indicadores e números”. A dúvida que ficou é como todas as políticas públicas pensadas e instituídas no país virarão realidade na ponta, nos mais de cinco mil municípios brasileiros. As respostas para este ponto apareceram nos debates que seguiram a palestra de Maria Helena.

Políticas públicas, desafios e o gargalo do desenvolvimento

Não há como garantir uma educação de qualidade se os gestores públicos – e a sociedade em geral – não conseguirem absorver a complexidade de sistemas e ferramentas desenvolvidas nos últimos anos pelo Ministério da Educação. Foi neste sentido, que Clélia Mara Santos, coordenadora geral de articulações transversais da Secretaria de Educação Básica do MEC, conduziu os trabalhos no período da tarde.

“Todos os esforços de políticas públicas, aliados às ações de mobilização social, têm resultado em avanços na educação pública brasileira”, analisa a especialista. “O entendimento no MEC é que devemos nos pautar por um modelo que combine quantidade – no sentido de universalização da educação básica – com qualidade, que é um desafio ainda maior.”

Clélia conduziu os presentes a uma longa explanação sobre as políticas públicas voltadas para a educação no Brasil, reforçando que ainda precisamos avançar muito na capacitação dos gestores locais para que eles saibam acessar estas tecnologias e, assim, consigam promover melhorias para sua localidade.

A coordenadora apontou algumas recentes conquistas que vem transformando o entendimento da educação na Brasil. Segundo ela, a atualização do Plano de Desenvolvimento da Educação, a Conferência Nacional de Educação (CONAE), a implementação do piso salarial profissional para professores, entre outras, são exemplos de que o debate sobre a educação vem se qualificando e que um novo modelo de entendimento do tema já começa a provocar bons resultados – como a obrigatoriedade de nove anos no ensino fundamental.

Conquistas da nova fase da educação no Brasil, segundo a especialista, também são a extensão do Programa do Livro Didático (como lei) a todos os níveis da educação básica e não apenas para a infantil, a ampliação do Programa de Alimentação para o ensino fundamental e o Programa de Transporte Escolar que hoje é política pública.

Realista, Clélia explica que ainda há muito o que avançar. “Mas os caminhos começam a aparecer”, diz. Uma das apostas do MEC é investir na educação integral. O Programa Mais Educação, experimentado em diversos municípios brasileiros, revelou-se uma prática de sucesso. “São sete horas de convívio com diferentes formas educadoras. Não significa período integral em banco escolar. A iniciativa prevê atividades culturais, esportivas e de acesso à tecnologia”, explica.

Uma das grandes bases para entender as carências e viabilizar recursos para melhorar a educação, segundo a coordenadora, é o PAR (Plano de Ações Articuladas). Porém, avançar no entendimento dessa ferramenta com os gestores nos municípios ainda é um desafio. “O esforço do governo é implantar um sistema duradouro, mas as trocas de cargo e o desconhecimento das tecnologias educacionais por parte de alguns profissionais nas prefeituras dificultam a sequência do trabalho.”

A lição que fica do primeiro dia de oficina é que uma vez que o país avançou na organização e implementação de um sistema integrado de gestão da educação, agora é hora de pensar na governança desse modelo. A falta de recursos ainda é um grande problema, porém, a qualificação de pessoal para fazer a rede funcionar é o principal gargalo. Mudanças neste sentido demoram tempo, mas são imprescindíveis se o Brasil quer dar um salto de qualidade quando o assunto é educação.

A educação brasileira em números

- Em 2010, são 43 milhões de matrículas na rede pública no Brasil
- O ensino fundamental atingiu 98% de universalização
- No nordeste, 22% dos jovens de 15 a 29 anos são analfabetos
- 23% das pessoas com mais de 25 anos têm ensino médio completo. Nos países desenvolvidos essa média é de 60%.
- 37% da população têm ensino fundamental incompleto
- 87% das crianças de 4 e 5 anos estão na pré-escola
- 18% de retenção de alunos na 8ª série
- 13% das crianças de 10 a 14 anos estão com 2 anos de atraso
- 27 milhões de alunos de 7 a 14 anos estão na escola (o que significa 98% da população dessa faixa etária)
- Apenas 12% das escolas de ensino fundamental são acessíveis a pessoas com deficiência
- 570 mil crianças de 7 a 14 anos estão fora da escola (o que significa 2% do total desta população)

Por Rodrigo Bueno e Cleide Quinália / Blog Educação

Projeto “Pais e Filhos Alfabetizados” transforma escola do Acre em referência na região

“O bom leitor nasce no seio da família”. Esta frase, do escritor e professor Luiz Galdino, é a motivação do projeto Pais e Filhos Alfabetizados, que vem tornando a Escola Estadual de Ensino Fundamental Georgete Eluan Kalume, em Rio Branco, no Acre, uma referência na região. A partir do desenvolvimento do hábito da leitura nos pais, o projeto incentiva nas próprias crianças o interesse pelas letras. Desde o seu início, a melhora da escola nos indicadores educacionais foi grande: a nota do Ideb, que em 2007 era 4,1, subiu para 5,4 em 2009 – maior do que a média da cidade, que é de 4,9. A pedagoga Nilva Souza de Lima, diretora da escola, conta que a iniciativa do projeto nasceu em 2008, ano em que foram altos os níveis de evasão escolar, de defasagem idade-série e de crianças não alfabetizadas. A busca pelos motivos destes indicadores levou à constatação de que boa parte dos pais que comparecia à secretaria para matricular seus filhos não sabia assinar o próprio nome. Por isso, a equipe da escola concluiu que algumas dificuldades de aprendizado manifestadas pelos alunos poderiam estar associadas à falta de envolvimento da família na Educação.

O projeto iniciou suas atividades em maio de 2009. “Ele foi muito bem aceito desde o começo”, conta Nilva. “Em 2010, abrimos vagas também para a comunidade em geral, tanto no programa de alfabetização quanto na Educação de Jovens e Adultos”. A maior dificuldade encontrada, os custos do projeto, foi superada pela realização de parcerias com entidades como a Secretaria de Educação e o MOVA (Movimento de Alfabetização do Acre). “Não temos muitos recursos próprios, mas elaboramos os projetos por vontade própria e corremos atrás”, comenta a diretora.

A necessidade de ampliar o hábito da leitura entre pais e filhos deu origem a dois projetos: na Ciranda da Leitura, pais e filhos eram convidados para leituras em grupo na escola. “Percebemos que era pouco e desenvolvemos o Encantando para Ler, que envolve, além dos pais e das crianças, a comunidade externa”, diz Nilva. Neste projeto, encenações das histórias, com fantasias e bonecos, despertam a curiosidade das próprias crianças de entrar em contato com o livro. “No final, houve uma procura muito grande, quase todas as crianças foram à biblioteca e levaram os livros para casa”, conta a diretora.

Para aproximar o projeto da realidade dos participantes, foram promovidos diversos cursos profissionalizantes e palestras, com temas como culinária, artes, controle de natalidade e prevenção às drogas. As novas tecnologias também vêm sendo utilizadas para despertar o interesse pelo processo educacional. “A maioria dos alunos nunca tinha tido acesso ao computador. Nós demos essa oportunidade. Em 2010, ganhamos uma sala de informática e aproveitamos para levá-los para ter esse primeiro contato com as novas tecnologias, foi um momento de descoberta”, conta Nilva. Em 2011, também este projeto deve ser expandido, com a abertura de 32 vagas nas salas de informática para a comunidade externa.

Também neste ano, a escola pretende abrir uma rádio, com a participação de pais e alunos. Atividades extras que envolvem a comunidade, tais como o casamento coletivo realizado em 2009 e a exposição dos trabalhos realizados pelos alunos na própria escola, buscam fazer com que os participantes não se sintam apenas como o público-alvo de um projeto pronto, mas como parte da construção do grupo, num processo contínuo de desenvolvimento social. “Procuramos todas as formas de envolver a comunidade porque descobrimos que, quando o pai acompanha o filho na escola, ele tem um rendimento maior do que aquele que não é acompanhado”, explica Nilva. “Nosso ponto de partida é sempre a criança: queremos que ela tenha um bom rendimento, poucas faltas, baixa evasão, queremos que ela tenha prazer em ir à escola”, diz.


Blog Educação

Veja o que as escolas não podem pedir na lista de material

A cada início de ano, os pais correm para comprar tudo pedido pelas escolas. Além de cadernos, livros e todo o material que o aluno deve ter diariamente consigo, a família também deve apresentar alguns itens pedidos para serem usados em momentos diversos na sala de aula. Porém, é importante estar atento sobre até onde o colégio pode ir quando se trata da tradicional lista de começo do ano. Materiais de limpeza, como detergentes, e de higiene, como papel higiênico, não podem ser arrecadados pelo colégio. Também estão proibidas as cobranças de taxas para suprir despesas com água, luz e telefone. "A gente entende que essa atribuição é da própria escola, porque esse valor já deve estar incluído na mensalidade", explica Odahyr dos Santos Júnior, diretor interino do Procon de Jacareí, em São Paulo.

Pedir itens como cartolina, lantejoula e purpurina (normalmente utilizados em trabalhos em grupo) são questionáveis, e a família pode indagar a escola a respeito do assunto. A ideia é que tudo que é de uso coletivo não pode ser cobrado, e que aqueles materiais que não tiverem um papel didático-pedagógico sejam considerados uma cobrança abusiva. "A instituição tem que mostrar que haverá um uso individual do material", afirma Santos.

Essas regras valem para instituições de ensino de todos os tipos, inclusive as creches. Também não importa se a escola é pública ou privada, o aluno tem os mesmos direitos. "Os colégios particulares são os que têm maior incidência desses casos, especialmente os de alto poder aquisitivo, que às vezes veem a chance de cobrar abusivamente do estudante", lamenta o diretor.

O Procon dá algumas dicas para que os pais economizem na hora de comprar o material:
- Antes de sair às compras, dê uma olhada no material utilizado ano passado, para ter ideia do que realmente precisa ser substituído. O consumidor deve conferir junto à escola se sobrou algum dos produtos que foram levados para a sala de aula no início do ano anterior.

- Compre apenas os materiais mais básicos. "Este é um período de alta nos preços para esses produtos", lembra Santos. Deixe para comprar os demais itens já no período pós-volta às aulas, pois os preços tendem a cair.

- Questione no colégio se pode-se entregar o material fracionado, por causa dos preços altos. "Até porque não tem uma necessidade de entregar todo o material agora, já que vão usá-lo ao longo de todo ano", garante.

- Pesquise os preços antes de comprar, já que há variações de uma papelaria ou livraria para outra. Se possível, reúna-se com outros pais para realizar compras coletivas e, assim, tentar obter maiores descontos.

- Também vale promover a troca de livros didáticos em boas condições na sua escola, entre pais com filhos em idade escolar diferente. É uma oportunidade que a escola deve oferecer, mas que a família também pode sugerir a ideia, caso o evento ainda não aconteça na instituição.

- Analise as marcas durante as compras. Só porque um fabricante é bastante conhecido, não significa que seja melhor que os outros. Uma marca menos famosa pode oferecer materiais tão bons quanto a líder.

- Deixe as crianças em casa. Lembre-se de que levar o filho para participar das compras, você vai ter que lidar com pedidos sofisticados, especialmente aqueles com logotipos e personagens famosos. "Esses produtos costumam ser mais caros, porque são licenciados e não necessariamente apresentam melhor qualidade", explica.

Terra

Especialistas dão dicas para a volta às aulas

Parte das escolas da rede particular de ensino inicia o ano letivo nesta segunda-feira (31). O período é um momento de adaptação para as crianças que irão à escola pela primeira vez ou mudaram de instituição de ensino. Para tornar a fase menos traumática, o G1 ouviu a pedagoga e professora de psicologia da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Silvia Gasparian Colello e a pedagoga e coordenadora da Universidade de Guarulhos (UnG), Rosane Teixeira de Barros. Confira as dicas dos especialistas:

- Controle da ansiedade: O ideal é que antes da matrícula os pais tenham visitado o espaço e conhecido o projeto pedagógico da escola. "Além de se informar sobre a filosofia, os pais têm de saber regras como horários, uso de uniformes, lanches e canais de comunicação", diz Silvia Colello. Estar bem informado, segundo educadores, permite que os pais tenham mais segurança e tranquilizem os filhos em qualquer idade.

No caso das crianças menores, é necessário se livrar da culpa. "Neste momento a maior dor é dos pais, principalmente da mãe, que sente que deixa de cumprir uma tarefa. Escola não é castigo, é um lugar ótimo para a criança se socializar, se alimentar e criar horários", afirma Rosane de Barros.

- Presença na adaptação: Muitas escolas permitem que os pais permaneçam na escola durante a fase de adaptação da criança. Nesta fase, o ideal é que o pai ou mãe da criança participem do processo ou invés da babá ou até mesmo de outro parente próximo.
- Tempo reduzido na escola: Manter a crianças em períodos mais curtos do que a carga horária regular para que ela se acostume e não canse é uma estratégia recomendada.

- Mudança na rotina: Com as férias, crianças e principalmente adolescentes não têm horário para dormir ou se alimentar. Para evitar o cansaço e fazer com que o estudante se adapte ao ritmo de aulas, o ideal é mudar a rotina dias antes do início das aulas, como por exemplo, fazendo com que ele durma mais cedo.

- Importância do diálogo: Pais devem sempre alertar os filhos, independente da idade, sobre a importância da escola e dos estudos. No caso das crianças pequenas, é necessário explicar o que ele vai fazer na escola e que os pais irão buscá-la ao fim do dia. Entre os adolescentes é necessário reforçar a importância de levar o estudos a sério. "Independente da idade é preciso haver uma negociação para que se perceba a importância da vida escolar", diz Silvia.

- Cada aluno tem seu tempo: Não há tempo ideal para que uma criança se adapte na escola. Enquanto uma se sente bem em uma semana de aulas, outra pode chorar diariamente nos três primeiros meses. O importante é respeitar os limites de cada criança. Segundo especialistas, dificilmente há casos em que não ocorre a adaptação.

Peso da mochila
Outro item a ser verificado pelos pais na volta das aulas é o peso das mochilas das crianças. Para evitar futuras lesões na coluna, o peso da mochila não pode ultrapassar 10% do peso corporal do aluno, segundo o fisioterapeuta e professor da UnG, José Renato Romero.

Para garantir uma carga adequada, a dica de Romero é para que o estudante divida o material usado durante a semana e utilize os armários, caso sejam oferecidos pela instituição de ensino.

Outra recomendação é apostar nos modelos de mochilas que têm três alças - duas para os ombros e uma terceira que é amarrada na cintura. Dessa forma, segundo o fisioterapeuta, o peso é descarregado no osso do quadril e não na coluna. Um dos piores erros, é carregar a mochila em um ombro só.

Puxar a mala escolar por meio de carrinhos também é uma boa alternativa, de acordo com Romero, desde que o puxador esteja na altura do braço paralelo ao tronco. Caso contrário, em outras posições, também é prejudicial.

"Todos nós, um dia, vamos sentir dores na coluna. Carregar mochilas muitos pesadas pode provocar desvios posturais que, às vezes, demoram para se instalar", afirma Romero.

G1

Financiamento estudantil pode ser pedido a partir de segunda

Os universitários interessados em obter financiamento estudantil poderão, a partir de segunda-feira, 31, se inscrever no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). O financiamento pode ser solicitado em qualquer período do ano. Estão habilitados a se candidatar estudantes matriculados em cursos de graduação pagos, que tenham obtido avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e que sejam oferecidos por instituição de ensino superior participante do programa. Além disso, o aluno precisa ter feito o Enem.

Só é permitido solicitar financiamento para um único curso de graduação em que a pessoa estiver regularmente matriculada. Não é considerado regularmente matriculado quem estiver com a matrícula trancada.

Para se inscrever, o candidato deve acessar o Sistema de Financiamento ao Estudante (SisFies), no portal do Ministério da Educação, e informar os dados solicitados. No primeiro acesso, deve digitar seu CPF, data de nascimento, um endereço eletrônico válido e cadastrar uma senha, que será utilizada sempre que acessar o sistema. Depois disso, o candidato receberá uma mensagem para validação do cadastro.

A partir daí, deve acessar o SisFies e se inscrever, informando dados pessoais, do curso e da instituição e informações sobre o financiamento solicitado. Nesse momento, deve escolher se quer financiamento da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil (os dois únicos agentes financeiros do Fies) e a agência de sua preferência.

Validação – Concluída a inscrição, o aluno deve procurar a Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) em sua instituição de ensino em até dez dias corridos, contados a partir do dia imediatamente posterior ao da conclusão da sua inscrição. A CPSA é o órgão responsável, na instituição de ensino, pela validação das informações fornecidas pelo candidato.

Validadas as informações, a comissão emitirá o documento de regularidade de inscrição (DRI). Com ele, o candidato deve procurar a Caixa Econômica Federal ou o Banco do Brasil (conforme sua escolha) para formalizar, uma vez atendidas as normas do Fies, a contratação do financiamento. Isto deve ser feito até, no máximo, 20 dias corridos depois da conclusão da inscrição.

IG

Pós-graduação no Brasil cresce e melhora em qualidade

Cursos de mestrado (acadêmico e profissional) e de doutorado de todo o país receberam, em dezembro de 2010, suas notas finais após a quarta edição da avaliação trienal da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). O panorama foi positivo. Foram avaliados 2.718 programas --20% a mais do que na avaliação passada--, e a qualidade deles melhorou. A maior parte (33,9%) obteve nota 4 em uma escala que vai de 1 (pior) a 7 (melhor).

O crescimento dos considerados excelentes e com qualidade de nível internacional, que recebem nota 6 ou 7, foi de 35,4% (são 321 no total).

Também houve mais descredenciamentos (notas 1 e 2). Foram 61 programas, 2,2% do total. Na anterior, somavam 1,7%. A reprovação cresceu mais entre os mestrados profissionais --7% de 243 programas, contra os 3,8% da avaliação anterior.

"Os cursos com excelência estão em instituições consolidadas, que pesquisam e são reconhecidas há muito tempo", afirma Jorge Guimarães, presidente da Capes.

"Entre os descredenciados, há os que foram prematuramente credenciados, os que não receberam atenção devida e os que perderam parte dos docentes."

Para acompanhar o crescimento dos cursos e consolidar os abertos recentemente, o processo de análise deve mudar. Os que têm o conceito máximo em avaliações seguidas devem ser analisados em intervalos maiores.

Já os que tiram 3 seguidamente podem ter exames mais frequentes. "O acompanhamento deve ser menos gerencial e mais pedagógico, com visitas e aconselhamento estratégico para melhorar", explica Guimarães.

NOVAS REGRAS
A pós cresce, mas o número de pesquisadores na ativa é reduzido em relação a países em desenvolvimento, segundo levantamento de Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Em 2008, havia 1,3 pesquisador para cada mil trabalhadores no Brasil, enquanto na Argentina essa proporção é de 2 para cada mil e, na Coreia do Sul, de 9,7 para cada mil, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia.

"Um dos gargalos é o valor da bolsa, que não é compatível com o mercado. A portaria que permite trabalhar e pesquisar simultaneamente é um passo importante em áreas aquecidas", opina a professora Denise Bomtempo Birche, da UnB (Universidade de Brasília).

Veja as notas de todos os programas avaliados pela Capes:


sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Nova presidente do Inep discorda do ministro da Educação sobre futuro do Enem

Menos de uma semana depois de ser nomeada presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman já apresenta sua primeira discordância com o chefe, o ministro da Educação, Fernando Haddad. Na entrevista a seguir, ela defende que o Exame Nacional do Ensino Médio continue sob controle do Inep, em vez de passar a ser gerenciado por uma empresa estatal a ser criada, por exemplo, a partir da estrutura do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe), da Universidade de Brasília (UnB). A proposta de terceirizar o Enem teria partido do próprio Haddad, segundo confirmou a jornais na semana passada o reitor da UnB, José Geraldo de Souza Júnior. O Enem é a pedra no sapato do ministro. Nos últimos dois anos, registrou falhas graves de organização (roubo de provas, erro de impressão, vazamento de dados de candidatos) e virou disputa judicial envolvendo estudantes, promotores públicos e MEC. Nota vermelha para Haddad, que, segundo se comenta nos corredores do Planalto, pode estar com os dias contados no ministério. É no olho desse furacão que Malvina Tuttman – doutora em educação e ex-reitora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) – chega ao Inep. Confira a seguir a entrevista que ela concedeu ao site de VEJA. A senhora defende que o Inep continue organizando o Enem? Neste momento, eu considero que isso é importante. O Inep tem condições de aprimorar tanto a questão pedagógica quanto a operacional. Não podemos desconsiderar as questões que ocorreram, é claro. Precisamos olhá-las de frente, sem com isso diminuir a importância do Enem. Vamos melhorar a logística e o próprio exame. A partir daí, o ministro Fernando Haddad poderá encaminhar o Enem da melhor forma.

O ministro conversou com a senhora sobre a criação de um novo órgão para cuidar exclusivamente do Enem? Não conversei com o ministro sobre esse assunto. Falamos da importância de aprofundar os diagnósticos da educação nacional. Para isso, ele considera que neste momento a minha presença no Inep, pela experiência e trajetória de 40 anos no exercício do magistério, seria importante. Nós temos o trabalho já desenvolvido e a partir de agora tentaremos avançar.

De que forma o Inep vai trabalhar para melhorar o Enem? A aplicação do Enem precisa ser constantemente revista, mesmo quando tivermos, daqui a dez anos, por exemplo, toda a operação em um momento ótimo. Nós temos que acompanhá-lo e avaliá-lo permanentemente, porque nunca vamos chegar ao desejável. A utopia precisa ser perseguida, mas nunca chegaremos à utopia.

O Inep estuda mudanças no sistema on-line do órgão para evitar falhas como as que ocorreram na divulgação dos resultados do Enem, em que candidatos puderem ver as notas de outros? Nós detectamos alguns pontos limitadores e eles já são alvo de discussão. Mas ainda não fechamos esse estudo, nem entregamos ao ministro, até porque todo o processo do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) ainda está por terminar.

Os problemas encontrados durante as inscrições para o Sisu podem prejudicar o Enem? O Sisu é de competência da Secretaria de Educação Superior do MEC. O Inep passa todas as informações sobre o sistema e cabe à secretaria a operacionalização.

Os repetidos erros no Enem desestimulam as universidades federais a adotar o exame como processo de seleção de estudantes? Tenho clareza que não. Nós começamos com cerca de treze universidades que adotaram de forma integral o Enem e mais algumas de forma parcial. Hoje são 86 instituições federais, estaduais e municipais que utilizam o exame. Então, os números comprovam que isso não está acontecendo.

De que forma o Inep tentará recuperar sua imagem, prejudicada pelos constantes erros no Enem? Não tenho essa visão de imagem abalada. Nós realizamos várias ações, que ficam por vezes adormecidas perante à opinião pública, na medida em que a imprensa focaliza apenas uma ação. O Inep é muito mais do que o Enem. O exame não é o Inep, nem o órgão foi criado para abrigar somente o Enem.

Em oito anos, o Inep teve seis presidentes. Essa troca-troca contribui para a fragilidade da instituição? Se nós tivermos um plano diretor que conduza para metas estabelecidas, não há nenhuma dificuldade na alteração da presidência. Isso também faz parte da nossa proposta de trabalho: construir um plano diretor de forma bastante participativa, com envolvimento de profissionais da instituição, que são muito experientes, e com os olhares externos que nos ajudam a refletir.

O quadro de pessoal do Inep será mantido? Eu encontrei um quadro comprometido e com disposição. Tenho ouvido os meus colegas e tenho percebido a qualidade dos profissionais que estão aqui. Acredito que seja o momento de ampliar essa rede ouvindo outros atores. Já estamos agendando a presença das representações estudantis, universidades, secretarias municipais e estaduais para analisarmos o Enem. Os diferentes olhares vão somar as percepções que nós temos para fazer uma avaliação mais consolidada. Isso nos trará uma segurança maior para o rumo que vamos tomar.

Veja

Gestores participam de pesquisa sobre indicadores da educação infantil

Gestores educacionais de todo o País estão sendo convocados para participar da pesquisa “Indicadores da Qualidade na Educação Infantil – Indique”. A pesquisa é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) em conjunto com a Ação Educativa, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), o Unicef e o Instituto Avisalá, e tem por objetivo servir de parâmetro para a autoavaliação das instituições de educação infantil no país. A partir das respostas, será possível monitorar como cada um dos estabelecimentos de ensino está aplicando o Indique e verificar em que medida a iniciativa de difundir critérios de qualidade se constitui em um elemento indutor de ações e políticas voltadas para a melhoria da educação infantil.

A construção dos “Indicadores da Qualidade da Educação Infantil – Indique” foi consolidada em 2009 pelo MEC, em parceria com a Ação Educativa, a Undime, o Unicef e a Fundação Orsa. Juntas, as instituições mobilizaram um grupo de trabalho integrado por pesquisadores, gestores, educadores relacionados a essa modalidade da educação básica e ativistas do Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil (Mieib). O material foi distribuído a secretarias e conselhos municipais e estaduais de educação, fóruns de educação infantil e grupos de pesquisa.


O questionário da pesquisa está disponível no site da Undime. Para respondê-lo basta acessar: http://undime.org/pesquisaindicadores.




Undime

MEC discute integrar ensino médio e técnico em modelo de educação integral

Considerado um dos pontos frágeis da educação brasileira, o ensino médio sinaliza necessidades de renovação. Discussão recorrente entre especialistas, a ideia de incorporar conteúdos profissionalizantes ao currículo desta etapa do ensino ganha força no planalto e vira bandeira do Ministério da Educação (MEC) e da nova gestão do Governo Federal. Dar oportunidades aos jovens para aprender uma profissão e começar a construir caminhos para o mundo do trabalho é um desafio. O funil para o ensino superior ainda é gigante e uma massa significativa de jovens – que não se permite o sonho de chegar à universidade e também não tem a oportunidade de fazer um curso profissionalizante – aumenta os índices de evasão escolar no ensino médio ano a ano.

Segundo o IPEA (dados da PNAD, 2007), 69% dos jovens de 18 a 24 anos não frequentam a escola. A crise de audiência nesta etapa é grave. O ensino propedêutico, modelo predominante na educação média brasileira, se propõe a levar o aluno a um nível mais avançado de aprendizagem. É um modelo de passagem. Uma porta de entrada para o ensino universal. Contudo, o modelo não cumpre este objetivo, já que apenas 13% dos jovens brasileiros estão no ensino superior.

Olhando para este retrato, e pensando na necessidade urgente de uma revolução no ensino médio, seria a educação integral uma solução para atrair mais jovens para a escola? Esta parece ser uma das ideias do Ministro da Educação, Fernando Haddad, que anunciou nos últimos dias uma meta de implantar o ensino médio em tempo integral aliado ao ensino técnico. A proposta – polêmica e ousada, segundo especialistas – depende de uma ampla revisão do modelo atual do ensino público.

O fato é que o ensino médio passa por uma crise de identidade e não atrai a juventude, especialmente nas camadas mais baixas da sociedade. Afinal, devemos preparar nossos jovens para o mercado do trabalho ou para a universidade? Talvez a melhor resposta seja dar ao jovem a oportunidade de escolha para sua trajetória escolar.

Segundo o Ministro, ainda não há definição de custo estimado nem de como seria a aplicação da medida. Por enquanto, o que se sabe da proposta é que o aluno teria a oportunidade de cursar o ensino médio em um turno e o técnico em outro. De acordo com o MEC, as duas modalidades poderiam ser cursadas na mesma escola ou em duas instituições e as disciplinas definidas de acordo com interesses e aptidões do jovem.

Se a proposta será ou não implantada integralmente ainda nesta gestão do Governo Federal é cedo para dizer – o MEC já adiantou que o modelo deverá ser testado em algumas escolas públicas já no próximo ano. Contudo, o debate em torno do ensino médio poderá chamar atenção para outros temas condicionantes para a revisão do modelo: a universalização do atendimento dessa faixa da educação e a valorização dos professores.

Ensino em tempo integral apresenta bons resultados na educação básica

Na educação básica, a experiência do ensino em tempo integral já é uma realidade – pelo menos em algumas escolas selecionadas para uma espécie de fase piloto. Trata-se do Programa Mais Educação, que faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), e, em 2010, chegou a 10.050 escolas brasileiras.

A iniciativa tem como objetivo contribuir para a formação integral dos alunos da rede pública do país, por meio do apoio a atividades socioeducativas no contraturno escolar. Para tal, propõe a ampliação do tempo de permanência dos alunos escola, recomendando a ampliação do espaço educativo e a realização de parcerias com organizações locais que possam oferecer atividades culturais e esportivas.

Outro eixo importante do programa é o pacote de medidas socioeducativas que visa reduzir a evasão, reprovação e distorção da lógica idade-série escolar. A política pública foi aprovada pelo Governo Federal em abril de 2007, mas já apresenta sinais de ampliação para os próximos anos. De acordo com novo Plano de Desenvolvimento da Educação, a oferta de educação em tempo integral deverá chegar a 50% das escolas públicas de educação básica até o ano de 2020.

Experiência comprovada – Em Catanduva, cidade de 120 mil habitantes, localizada no interior de São Paulo, o Programa Mais Educação vem sendo desenvolvido desde a metade do ano de 2010. De acordo com o coordenador do programa no município, Luciano Marcos da Silva, as atividades acontecem em duas escolas, com cerca de 600 alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental.

O projeto de educação integral em Catanduva tem nove horas e meia diárias, de segunda a sexta-feira, almoço e dois lanches. Além das disciplinas normais do currículo, os alunos têm a oportunidade de praticar modalidades como futsal, atletismo e dança. O coordenador explica que uma das escolas apresentava altos índices de violência e tráfico de drogas e que a situação está começando a mudar. A expectativa é que, para os próximos anos, outras unidades escolares do município possam receber o programa.

Blog Educação

MEC disponibiliza em site versão em português da Coleção História Geral da África

A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 2011 como o Ano Internacional dos Afrodescendentes. O objetivo desta iniciativa é fomentar o debate sobre desigualdade e estimular ações de combate ao racismo. Hoje, de acordo com a Organização, esta parcela da população ainda está entre as que mais sofrem com discriminação e dificuldade de acesso a serviços básicos, como educação, saúde e moradia. Uma forma de reverter esse quadro e promover uma maior consciência social é trabalhar a questão da desigualdade ainda na infância. E é nesse ponto que a escola e os educadores têm papel fundamental, ao levar o tema para dentro das salas de aulas e propor atividades que explorem o valor da cultura negra e a influência do povo afro na história do Brasil. A diversidade cultural faz parte, aliás, dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) que estabelecem os temas que devem ser trabalhados no âmbito escolar.

Uma boa dica para auxiliar os professores nessa tarefa é a Coleção História Geral da África, disponibilizada no site do Ministério da Educação (MEC). São quase dez mil páginas, compiladas em oito volumes, que trazem de maneira bastante completa a historiografia africana, contada a partir da ótica dos próprios africanos.

A ideia de produzir um material que reunisse informações tão completas sobre o continente africano nasceu em 1964 a partir de uma iniciativa da Unesco. Quase 30 anos depois, 350 cientistas coordenados por um comitê formado por 39 especialistas – dois terços deles africanos – completaram o desafio, resultando nesta que pode ser considerada a principal obra de referência sobre o assunto.

Além de apresentar uma visão de dentro do continente, a obra cumpre a função de mostrar à sociedade que a história africana não se resume ao tráfico de escravos e à pobreza, destacando também a contribuição deste povo em muitos setores, como, por exemplo, a tecnologia.

A edição completa da coleção foi publicada em vários idiomas, inclusive em português. No Brasil, o material foi editado pela Unesco, em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A intenção é fazer com que professores e estudantes lancem um novo olhar sobre o continente africano e entendam sua contribuição para a formação da sociedade brasileira.

Para fazer o download da obra, clique aqui.


Por Cleide Quinália Escribano / Blog Educação com informações do MEC

Desempenho dos alunos americanos em ciências decepciona

No mais recente teste para medir o desempenho dos estudantes em ciências, nos Estados Unidos, somente um terço dos alunos da quarta série do ensino fundamental e um quinto dos alunos no último ano do ensino médio obtiveram a nota de corte ou acima da média, de acordo com resultados divulgados na terça-feira. Segundo informações do governo, apenas um ou dois alunos entre cada 100 mostraram o nível de domínio da disciplina que o comitê nacional à frente dos exames define como avançado. “Fiquei um tanto chocado com esse desempenho nada brilhante”, disse Alan Friedman, antigo diretor do New York Hall of Science, que faz parte do comitê que supervisiona os exames. Os testes de ciências, conhecidos como Avaliação Nacional de Progresso Educacional (National Assessment of Education Progress - NAEP) foram aplicados no início de 2009 a cerca de 308.000 estudantes de quarta e oitava séries do ensino fundamental e a 11.000 alunos do terceiro ano do ensino médio. Foram avaliados conhecimento e habilidades dos alunos em ciências humanas, físicas, da terra e do espaço.

Devido à mudança feita pelo Departamento de Educação desde que foi aplicado pela última vez, em 2005, os resultados do exame não podem ser utilizados para determinar se a nota média obtida em ciência apresentou variações nos últimos anos. Mas os resultados mostram que um número menor de alunos do terceiro ano do ensino médio demonstrou ter mais aptidão em ciências do que em qualquer outra disciplina que o governo avaliou desde 2005 – com exceção de história.

Vinte e um por cento dos alunos do terceiro ano do ensino médio obtiveram a nota de corte ou acima da média de aptidão em ciência nos exames de 2009, comparado com 42% que atingiram o nível de aptidão nos últimos exames sobre economia, e 38% e 26%, respectivamente, nos últimos exames nacionais de avaliação em leitura e matemática.

Os últimos resultados de ciências incluíram uma análise feita sobre alunos de quarta e oitava séries em 46 estados. Uma proporção maior de alunos de quarta série obteve a nota de corte ou acima da média em New Hampshire – 47% – do que em qualquer outro estado. Os estudantes de Mississippi foram os que obtiveram a menor pontuação nos testes.

O comitê bipartidário que estabelece as diretrizes dos exames nacionais divide os alunos de acordo com três níveis de avaliação: avançado, apto e conhecimento básico.

Para serem considerados aptos em ciência, alunos da quarta série devem ser capazes de reconhecer que a força gravitacional exerce efeito sobre um objeto constantemente; os alunos da oitava série devem relacionar as características de massas de ar de diferentes regiões no mundo, e os alunos do último ano do ensino médio precisam avaliar dois métodos para ajudar a controlar espécies invasivas.

Veja

Pais enfrentam a Justiça pelo direito de educar filhas em casa, como nos EUA

As irmãs Vitória, de 11 anos, e Hannah, de 9, terão uma longa batalha pela frente para provar à Justiça de Serra Negra, no interior de São Paulo, que podem continuar estudando em casa, apenas com a ajuda dos pais. Filhas de um americano com uma brasileira, as meninas foram tiradas da escola há três anos. Agora, os pais são alvo do Conselho Tutelar e do Ministério Público Estadual da cidade, que querem que eles cumpram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), matriculando as meninas em uma escola regular.

Philip Ferrara, de 48, e Leila Brum Ferrara, de 44, são adeptos do movimento homeschooling ("ensino domiciliar", em inglês), prática de ensino amplamente difundida nos EUA - onde reúne mais de 1 milhão de adeptos -, mas proibida no Brasil.

As duas nasceram e viveram nos EUA por seis anos. No Brasil, os pais chegaram a matricular as meninas em uma escola regular particular, mas não gostaram da qualidade do ensino. Daí veio a decisão de oferecer a educação domiciliar para elas.

O problema é que o casal foi denunciado ao Conselho Tutelar, que constatou a ocorrência do que eles chamam de "evasão escolar" e pediu que o Ministério Público tome providências. "Esses pais estão descumprindo o estatuto e precisam rematricular essas crianças na escola", afirmou uma conselheira que não quis se identificar.

No final do ano passado, o juiz Carlos Eduardo Cilos de Araújo, da Infância e Juventude, instaurou um procedimento para analisar o caso e determinou que uma assistente social visitasse a família. Na primeira audiência, pediu aos pais um documento que comprovasse que esse tipo de formação garantiria às meninas condições de terem um diploma.

"Vou mandar esses documentos ao Ministério da Educação para me certificar se esse procedimento é válido ou não no Brasil", disse Araújo, que afirma nunca ter trabalhado em um caso semelhante na cidade.

Com apoio da Aliança Nacional de Proteção à Liberdade de Instruir e Aprender (Anplia), entidade criada pelo autônomo mineiro Cleber Nunes - que também tirou os filhos da escola e foi condenado pelo crime de abandono intelectual -, os pais de Serra Negra não querem entregar documento nenhum à Justiça.

"O Estado é que tem de provar que a escola é segura e o ensino é bom, não o contrário", diz Nunes. Leila, a mãe, endossa a afirmação e diz que não sabia que educar os filhos em casa era considerado crime no Brasil.

"Esse é um procedimento que faz parte da cultura americana. Minhas filhas fazem natação, balé, piano e treinam tênis. Estudam quatro horas por dia no período da tarde. São bilíngues em português e inglês. Nossa luta é para que as famílias brasileiras tenham liberdade para escolher como preferem educar seus filhos. Nós não vamos colocá-las de volta na escola", afirma.

Silvia Colello, professora de psicologia da educação da USP, critica a decisão dos pais. "A educação é muito mais que assimilar conteúdo e conhecimento. É conviver com pessoas, lidar com as diferenças, defender pontos de vista, ouvir opiniões contrárias. São coisas que não dá para aprender em um ambiente privado, particularizado", avalia.

Para Nunes, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é clara ao dizer que cabe aos pais o direito de escolher o gênero de educação para dar a seus filhos. "É um tratado internacional, ratificado pelo Brasil, que está acima do ECA e de outras leis", diz.

Estadão

Cervantes, Efe e Fundação ensinarão espanhol de graça na web

O Instituto Cervantes, a Agência Efe e a Fundação da Língua Espanhola potencializarão o ensino do espanhol, que no mundo é falado por mais de 400 milhões de pessoas, com finalidades sociais, culturais e econômicas em mercados dominados pelo inglês, o português e o chinês. Uma estratégia conjunta, fruto de "sinergias, objetivos e compromissos" comuns entre as três partes foi solidificada na iniciativa de "Practica Español", um site informativo que promoverá o ensino gratuito da língua espanhola, cujos detalhes serão apresentados nesta quinta-feira em Valladolid.

O portal é fruto de um convênio assinado no final de 2010 e será uma ferramenta na qual o Instituto Cervantes disponibilizará conhecimentos acadêmicos sobre o espanhol, enquanto a Agência Efe fornecerá sua "capacidade de difusão" e a Fundação da Língua Espanhola se encarregará da cobertura tecnológica.

Os principais destinatários do "Practica Español" são os mercados brasileiro, chinês e o do idioma inglês. Outro projeto que será desenvolvido pela Fundação da Língua Espanhola ao longo de 2011, desta vez sem as parcerias mencionadas, é a criação de uma rádio (na internet e em FM) para divulgar conteúdos ao Brasil e à China.

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