quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Coleção Educadores: obras reúnem grandes pensadores do Brasil e exterior

Até o final de janeiro de 2011 as escolas públicas da educação básica e as bibliotecas de universidades, de faculdades de educação e públicas irão receber do Ministério da Educação a Coleção Educadores. As obras reúnem informações sobre 31 autores brasileiros e 30 pensadores estrangeiros que exercem influência sobre a educação nacional. Ao todo serão distribuídos 185 mil conjuntos da coleção. O Ministério da Educação vai distribuir, entre dezembro deste ano e janeiro de 2011, a Coleção Educadores. Nela estarão reunidos 31 autores brasileiros e 30 pensadores estrangeiros que exercem influência sobre a educação nacional. Serão distribuídos 185 mil conjuntos da coleção em escolas públicas da educação básica, em bibliotecas de universidades, de faculdades de educação e públicas.

O lançamento faz parte das atividades de comemoração dos 80 anos de criação do MEC, celebrado no dia 14 de novembro, e integra as iniciativas do governo federal de formação inicial e continuada de professores das redes públicas estaduais e municipais. Cada volume tem, em média, 150 páginas e traz uma apresentação do ministro da Educação, Fernando Haddad, um ensaio sobre o autor, a trajetória de sua produção intelectual na área, uma seleção de textos e cronologia. Além disso, a obra inclui, ainda, a bibliografia do autor e das obras sobre ele. Uma

Na apresentação, Haddad explica que a coleção surgiu da necessidade de pôr à disposição dos professores brasileiros obras de qualidade para mostrar o que pensaram e fizeram alguns dos principais expoentes da história educacional e do pensamento pedagógico nacional e internacional. Divulgar e democratizar conhecimentos na área são objetivos da iniciativa do MEC. Uma comissão técnica, instituída pelo MEC foi responsável pela identificação e escolha dos educadores que compõe a coleção.

A publicação é uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com a Fundaj, órgão vinculado ao MEC, e com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A distribuição ficará sob responsabilidade do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Para ajudar a divulgar o lançamento da coleção, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do MEC responsável pelo Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, promoverá um ciclo de webconferências sobre cada um dos 61 autores. A Secretaria de Educação a Distância (Seed) do MEC vai apresentar, na TV Escola, diversos documentários sobre esses educadores e o Centro de Memória da Educação e Cultura no Brasil, que funciona no Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, também organizará seminários sobre os autores.

Sobre a Coleção Educadores

Os 61 volumes que constituem a Coleção Educadores representam a evolução do pensamento nacional e internacional nos últimos 300 anos. Vai de Jan Amos Comenius, professor, cientista e escritor tcheco, a Valnir Chagas, cearense, bacharel em direito e licenciado em pedagogia, autor de vários livros. Entre eles, Didática Especial de Línguas Modernas.

O conjunto também compõe blocos do pensamento. Entre as mulheres pioneiras da educação brasileira, a coleção traz Nísia Floresta, Armanda Álvaro Alberto, Cecília Meireles e Bertha Lutz. Na sociologia da educação aparecem Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes e Gilberto Freyre. Na educação artística, Heitor Villa-Lobos e Humberto Mauro. Em filosofia da educação, George Hegel, Antonio Gramsci, José Ortega y Gasset.

A escola psicológica é representada na coleção por autores como Sigmund Freud, Jean Piaget, Carl Rogers e Helena Antipoff. Já o pensamento religioso aparece com o padre Manoel da Nóbrega, José Joaquim de Azeredo Coutinho e Alceu Amaroso Lima.

O bloco de contribuição estrangeira é representado por Maria Montessori (Itália), Jean-Jacques Rousseau (Suíça), Johann Pestalozzi (Suíça) e Edouard Claparede (Suíça). Entre os latino-americanos, a coleção traz José Pedro Varela (Uruguai), José Marti (Cuba) Domingo Sarmiento (Argentina) e Andrés Bello (Chile).

Com informações do MEC

Secretário de educação afirma que 20% dos professores de Natal (RN) estão fora das salas de aula

O secretário de Educação de Natal, Edivan Martins (PV), será exonorado da função na sexta-feira (31). O vereador licenciado retornará à Câmara Municipal, onde vai assumir a Presidência da Casa. Contudo, antes de deixar a pasta, o ainda secretário informou que terá conversa com a prefeita Micarla de Sousa para sugerir uma revisão no atual quadro de funcionários da SME. De acordo com ele, 20% dos professores concursados do município estão fora das salas de aula. Desde o fim de abril na Educação, Edivan Martins acredita que o Executivo deve promover uma avaliação da situação dos professores cedidos para outros órgãos da administração municipal, além de reavaliar as licenças médicas dos profissionais. Segundo relato do secretário, que ocorreu durante café-da-manhã nesta quinta-feira (30), a ausência desses professores nas salas de aula geram um gasto adicional de quase R$ 1 milhão por mês ao município.

Na opinião do titular da SME, muitos educadores poderiam ser aproveitados dentro da própria secretaria, mesmo que não fosse dentro da sala de aula. Um dos exemplos dado pelo secretário foi a alegação por parte de alguns professores de terem alergia ao giz. Para Edivan Martins, situações como essa não justificam a cessão dos funcionários para outras secretarias, já que eles teriam a possibilidade de desempenhar outras funções ligadas à Educação dentro da pasta.

Edivan Martins informou ainda já está definida a data da publicação de sua exonoração no Diário Oficial do Município de sexta-feira. Antes disso, o vereador terá uma conversa com a prefeita Micarla de Sousa nesta tarde, onde fará a sugestão à prefeita e entregará oficialmente o cargo. O substituto, até o momento, não foi definido.

Projeto

O último ato de Edivan Martins como secretário de Educação será o lançamento do programa de alfabetização "Da Carteira Ao Trabalho". O objetivo principal da proposta é possibilitar que pessoas com dificuldades de encontrar emprego sejam alfabetizada e saiam do programa com oportunidade de emprego garantida através de parceria com a área comercial e industrial do estado.

Edivan Martins explicou que os analfabetos vêm encontrando ainda mais dificuldades para conseguir empregos em todas as áreas, principalmente na construção civil, onde vários chegaram a trabalhar. Com o programa, as entidades parceiras ofecererão oportunidade de estágio de 30 dias para os trabalhadores que forem alfabetizados através do programa e, caso sejam aprovados, terão o emprego assegurado.

Até o momento, o Sindicato dos Empresários da Construção Civil do estado (Sinduscon) e Federação do Comércio (Fecomércio) teriam garantido a parceria. No entanto, o objetivo é que empresas de outras áreas também firmem a parceria.

Tribuna do Norte

Opinião: Crianças querem usar presentes na companhia dos pais

Se os dias que antecedem o Natal são aquela correria com compras, finalização de relatórios do trabalho, preparação da ceia – passado o 25 de dezembro, as coisas tendem a se acalmar. Entre essa comemoração e o réveillon, o clima de festa permanece, com o diferencial que muitas pessoas estão usufruindo um período de descanso. Várias empresas dão aos seus funcionários alguns dias de recesso. Ou até um horário especial, em que as horas de trabalho ficam reduzidas. O certo é que é uma semana diferente.

Algumas famílias, aproveitando as férias escolares, viajam. Às vezes, é o único momento que terão para descansar com os filhos. Nem sempre isso é possível. Assim, outras permanecem em suas casas e vão viajar depois. O que a maioria quer é descansar – seja em casa ou não.

Para aqueles que têm filhos, principalmente pequenos, isso fica um pouco distante. Não que não possam descansar, mas depois de ganharem tantos brinquedos, as crianças querem usá-los – e com os pais. Nada mais justo. Afinal, durante o ano todo abriram mão da companhia deles para seus compromissos de adultos.

E, devido a esses mesmos compromissos, os pais nem sempre puderam ter o lazer merecido. Aí está armada a confusão.

De muitas coisas se abre mão quando se é pai ou mãe. Além dos filhos precisarem da companhia deles, necessitam que os instruam nas coisas da vida. Após ganharem brinquedos no Natal, a ajuda dos mais velhos para montá-los e aprender a usá-los é imprescindível. E, é claro, a de um parceiro também.

As crianças ficam muito excitadas com as novas aquisições. Muitos brinquedos vêm desmontados, exigindo que os adultos despertem seu lado engenheiro. A maioria não contou com isso. Em plena semana de descanso, precisam encontrar a caixa de ferramentas e mãos à obra.
Alguns exageraram nos alcoólicos e a última coisa que querem é entender um manual de instrução. Muito menos jogar um jogo que nunca viram na vida, que precisam aprender primeiro para depois ensinar aos pequenos. Dá para imaginar o ânimo que estão para essa tarefa?

Tudo o que desejam é aproveitar o sofá, com algum programa na televisão. Isso só será possível se esse for da grade infantil. Único jeito dos menores ficarem um pouco quietos ao lado dos pais.

Os pais merecem um descanso? Sem dúvida. Mas têm filhos. Precisam aprender a programar as coisas pensando neles. Inclusive seus momentos de descanso.

É interessante notar que após os adultos darem um pouco de atenção às crianças, elas se acalmam, sendo possível que os mais velhos consigam fazer algo para si.

Quando se tem filhos é necessário sair do referencial do adulto para entrar no mundo dos pequenos. Sem esquecer é claro quem é o adulto e quem é a criança.

Desejo a todos um feliz ano novo. Que em 2011 possamos estar cada vez mais próximos de nossos filhos.

G1

Total de alunos cai na rede pública e cresce na particular

Pelo segundo ano consecutivo, o Censo Escolar mostrou uma queda no total de alunos matriculados na Educação Básica. De 52,6 milhões em 2009, o Brasil passou para 51,5 milhões em 2010. No sentido oposto, o sistema privado recebe número cada vez maior de matrículas. Considerando apenas a rede pública, a queda foi de 2,8% com 1,3 milhões a menos de estudantes. A rede particular, pelo contrário, teve um incremento de 3,4% ou 251 mil alunos a mais neste ano do no anterior.

Na série histórica de 9 anos de Censo Escolar, a diferença é maior. A rede pública recebe 10,3% menos alunos desde 2002 em uma queda quase contínua. Enquanto isso, a particular, apesar dos altos e baixos que teve neste período, cresceu 5,2% e bate o recorde de matriculados.
O exemplo de Maria Cecília de Souza Simplício, de 12 anos, ajuda a entender os motivos. Depois de estudar até o 6º ano na escola pública do bairro de Caieiras, na Grande São Paulo, ela foi transferida para uma instituição particular em 2010. "Não queria ir porque todos os meus amigos estudavam aqui perto de casa, mas se é melhor para mim, tenho que aceitar", diz.

A mãe dela, a dona-de-casa, Maria Neuza de Souza, de 50 anos, conta que dois motivos a levaram a tomar a decisão: a diferença de qualidade e a possibilidade de poder pagar. "A gente mexeu no orçamento para ter reserva para ela ter boas chances na vida", diz. "Na escola pública, ninguém mais tem autoridade, os alunos podem fazer o que quiser sem punição e fica difícil para quem quer aprender."

Ela paga R$ 400 na mensalidade e tem outros gastos adicionais com perua escolar, livros e materiais que recebia de graça. "Fácil não é, mas quando a gente pode quer dar o melhor para os filhos."

Participação maior

Com os novo números, a participação da rede privada de ensino chega a 14,7% em 2010 contra 13,9% em 2009. O sistema que lucra com um bem que deveria ser garantido pelo estado tem participação maior em creches, 34,4%.

Entre as redes públicas, tiveram redução de alunos os sistemas estadual e municipal. O federal teve aumento, mas ainda representa apenas 0,5% do total.

IG

Rumo aos novos letramentos

Em tempos de mídias digitais, o processo de letramento não deve mais restringir-se apenas aos impressos, diz a professora Roxane Rojo, do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade de Campinas e coordenadora do projeto de pesquisa "Multiletramentos e abordagem da diversidade cultural no ensino de língua materna. O papel dos materiais didáticos". Apesar dessa restrição, a especialista, que participou da institucionalização do processo de avaliação dos livros didáticos ocorrido a partir da segunda metade dos anos 90, vê um processo de evolução dos materiais à disposição do professor que tem a missão de alfabetizar na escola contemporânea.

Qual a sua avaliação sobre os livros didáticos destinados aos anos da alfabetização e aos subsequentes?
Participo mais do processo de avaliação dos livros do 3º ao 9º ano, mas, ainda assim, se avaliarmos as séries iniciais - o 3º ano, que é um ano de consolidação do processo -, houve uma considerável
melhora no tratamento dos letramentos em 10, 12 anos de política de avaliação do livro didático. Seja para leitura, seja para produção de texto, seja para consolidação da alfabetização e da ortografização. Em leitura e produção textual, por exemplo, os livros ficavam muito centrados nos gêneros estritamente escolares - as historinhas, as narrativas -, não havia diversidade. A leitura era meramente uma leitura de localização de informação, linear, rasa. Na ortografia, se trabalhava de maneira muito transmissiva. Isso no início, lá em 1998. As novas levas de livros são sucessivamente melhores em todos os âmbitos: leitura, produção, análise linguística, ortografização etc. Com variações, é claro. Embora as menções [classificatórias] tenham sido abolidas para o público em geral, os avaliadores ainda operam com elas, ou ao menos com um ranking de pontuação para cada quesito de avaliação. Então há livros classificados que não matam ninguém, mas que são bastante rasos e outros com propostas bem mais ambiciosas, organizados por projetos. A amostra é bastante variada e, dentro dos limites do que um programa como este pode fazer, atingimos um patamar de manutenção.

O que isso significa?
Digo isso por uma série de razões. O livro é limitado. Não pode trazer uma série de letramentos porque ele é um impresso. Na medida em que não se permite nos livros de português, como acontece nos livros de língua estrangeira, que haja satélites - CDs etc. - ficamos limitados a um conjunto de gêneros que circulam nos impressos e que hoje são insuficientes. Diria que a política precisa de uma revisão mais profunda, em termos do que se está entendendo como material que deve circular em sala de aula.
Hoje não basta mais letrar para produzir textos à mão ou para impressos, é preciso lidar com outras linguagens.

Que impacto traz essa nova visão, que incorpora os escritos (as novas linguagens) à escrita alfabética, ao trabalho do professor?
Na alfabetização, isso só traria benefícios e facilidades. Se pensarmos, por exemplo, na educação infantil, o professor trabalha com essas diferentes linguagens - o corpo da criança, a dramatização, o teatro, a hora da rodinha, o que se vai contar, falar e, no meio disso, começa a alfabetizar. Nas escolas privadas que alfabetizam aos 6 anos, ou o 1º ano das públicas do fundamental de nove anos, essa alfabetização se dá num âmbito em que as maneiras de simbolizar ou representar são muito variadas. A criança vai usar o corpo, cantigas, a observação do feijãozinho e a escrita vem dentro desse sistema de atividades como uma modalidade, entre várias. A pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil" mostra que as crianças gostam de ler e se engajam nos escritos até o 5º ano. Entre outras coisas porque isso faz parte de uma prática mais global. Quando entra na alfabetização, muitas vezes professores e livros formados de maneira mais tradicional cortam esse processo e focam o código alfabético. E aí há rupturas de processo, que poderiam não acontecer se mantivessem, por exemplo, vídeos, áudios e canções. As crianças trazem um domínio da imagem, via televisão e outras linguagens, muito maior do que o da escrita. A escrita poderia entrar no berço dessa multilinguagem se as práticas fossem modificadas. Nas etapas seguintes, quanto mais à frente você for - por exemplo, no ensino médio - mais há uma valorização do escrito, do impresso e das formas canônicas. No ensino médio, temos literatura canônica escrita e acabou. As práticas letradas vão se afunilando naquilo que a escola julga que deve ser transmitido. E o que apontamos é justamente uma ampliação desses patrimônios. Como eles estão postos hoje, à la século 19, não servem mais à cidadania, nem à vida pessoal e nem ao trabalho. É preciso ampliá-los à imagem, ao áudio. Sem abandonar a escrita, obviamente.

E como ficaria a formação docente?
Outro dia ouvi alguém falar algo genial em um evento. Ele dizia que a escola tem um currículo do século 19, professores do século 20 e necessidades dos alunos do século 21. A formação é complicada, mas é também uma questão geracional. Os meus alunos que estão se formando são quase nativos de uma era digital. Não terão o problema de não querer aprender uma linguagem por não serem usuários. Na hora em que a leva de migrantes - as pessoas que começaram no impresso e terminaram no digital - sair da escola, teremos algo diferente. É uma questão de 20 anos para termos algo diferente. Mas não podemos esperar, temos de investir em formações e materiais e numa pedagogia de projetos.

Mas há também a expectativa das famílias, que é maior quanto à escrita (e não aos escritos). Como lidar com isso?
Depende de qual família, do letramento familiar. Do ponto de vista das famílias analfabetas ou de baixa escolaridade, a criança decifrar o código e fazer cálculos é um enorme avanço, pois é aquilo que ela não tem. Nem sei se ela é capaz de reconhecer essas outras mídias e maneiras de significar como relevantes. Afinal, essa família também tem a televisão em casa. Se os filhos começarem a ver TV na escola, poderão perguntar que escola é essa que não está ensinando a ler, escrever, literatura e ortografia. Por outro lado, uma família inserida nesses letramentos contemporâneos percebe que seu filho só arruma emprego se dominar ferramentas de edição de áudio e vídeo. Pode pensar 'ah, que interessante essa escola, não preciso pagar cursos por fora'. Então, para o grosso da população, esse reconhecimento é mais difícil, a não ser como um impacto de minoramento da rejeição do aluno em relação à escola e da violência que impera na escola. No ensino médio, essa distância das práticas entre o que a escola quer - o trovadorismo, por exemplo - e o que o aluno quer - o rap - se traduz muitas vezes em violência interna e externa à escola, em afastamento do alunado da escola.

O que o docente deve incorporar, dos pontos de vista teórico e didático, para trabalhar a partir dessa nova visão?
A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais, de 1998, do trabalho com gêneros textuais, pavimentou a estrada nos últimos 10, 12 anos. O conceito de gênero - e não o de texto ou de tipo de texto, que é aquele mais escolar - abre as possibilidades de abordagem numa diversidade dos escritos impressos e das outras linguagens. Começou a ser aceito que o professor pode trabalhar com gêneros nos quais nunca antes tinha pensado. Estava corrigindo um material que vai entrar de forma suplementar na rede municipal de São Paulo em que se propõe um volume sobre poemas visuais, inclusive os digitais, e rap. É uma novidade já incorporada por um sistema público municipal na produção de material didático de apoio ao professor. Esse conceito abriu o caminho: começo trabalhando com notícia, artigo de opinião, e depois amplio para charge, tirinha, fanzine e outras coisas.

E como isso mexe com a formação inicial?
Os currículos das universidades continuam no século 19, início do 20. Os currículos de letras, por exemplo, têm muito pouca análise do discurso, estudo de texto e teoria de enunciação. E, hoje em dia, todas as propostas vão nessas direções - da linguística textual, da teoria da enunciação e das análises de discurso. Então, o campo teórico precisaria incorporar mais da visão da linguagem não como palavra, sílaba, fonologia, frase, sentença, gramática, mas como discurso, texto e enunciado. Se o aluno não tem formação nisso, vai ter de aprender na formação continuada. Em geral há apenas uma ou duas disciplinas e o grosso é gramática, sintaxe, fonologia, um currículo mais clássico de letras. Na pedagogia, isso tem um impacto menor, porque quando tem alguma formação vai para essas disciplinas que estão presentes nos currículos, e não para as coisas mais clássicas da linguística. Outra coisa é que a universidade continua extremamente disciplinar e subdisciplinar. A Capes divide em áreas, subáreas e assim por diante. Isso dificulta uma abordagem como essa, pois se vamos tratar da imagem ou da canção será preciso alguma noção de semiótica de maneira mais geral, de música... Que a discussão da interdisciplinaridade chegasse à universidade seria interessante, o que está apenas começando.

E do ponto de vista da didática?
É mais complicado ainda. O governo fez várias tentativas de integrar melhor a formação docente das licenciaturas entre a educação e as especialidades. Só que cada universidade fez à sua maneira. De fato, na maioria das universidades de letras, didática e conteúdo continuam muito separados. Quando se juntam é só no final e sem conversa entre as unidades de educação e de letras. Na pedagogia, há dois problemas: o primeiro é a recente exigência de que o professor tenha a formação universitária para ser alfabetizador. Mas está sendo cumprida. Fazer essa qualificação a toque de caixa provocou uma série de cursos duvidosos, configurados como uma suplementação, só para que se atribuísse aos professores o grau universitário. Em segundo lugar, muitas vezes a montagem dos cursos na educação dá muito pouco espaço aos conteúdos. Não sei o que é melhor, pois quando trabalho com formação continuada de professores a didatização é muito presente para aqueles que têm formação mais generalista e isso talvez seja prioritário. Eles têm mais sintonia com o que é ensinar, com a forma como o aluno aprende e do que ele precisa. Já o professor especialista é mais resistente, a relação dele é com aquele conteúdo, com esgotá-lo ou transmiti-lo, o que talvez torne mais difícil ensinar. O que falta ao professor alfabetizador são noções de fonologia, de relação oral-escrito, mas acho mais fácil ensinar isso a ele do que mostrar ao especialista a importância de estar sintonizado com o processo do aluno.

Como isso se traduz em termos de habilidades específicas que o professor precisa trabalhar?
Em primeiro lugar, deve saber diagnosticar o que o aluno precisa tanto em termos de aquisição da base alfabética e da própria alfabetização quanto em termos do gênero com que vai trabalhar. Mas para diagnosticar o aluno é preciso conhecer bem o objeto, ver o que ele sabe daquele objeto, para poder ensinar. Então, em primeiro lugar, ter essa percepção de um acompanhamento diagnóstico e formativo, e não de um acompanhamento só avaliativo terminal. E o que seria mais novo na formação, que é ter essa sintonia maior com o multiculturalismo, com o que o aluno traz não só em termos de conhecimentos, mas da cultura da sua comunidade, de como se aproximar dele com menos conflito cultural. Didaticamente, o mais importante é deixar o aluno ser ativo, construir o conhecimento em vez de transmitir.

Nos anos iniciais do fundamental - os da alfabetização propriamente dita - há gêneros textuais que sejam mais fecundos para se trabalhar?
Com certeza. Isso remete a uma ideia de progressão, do que se pode apresentar na série inicial ou mais adiante. Peguemos como exemplo o aluno que está chegando à alfabetização, um menino de 6 anos que está entrando na escola e que não frequentou a educação infantil. Ele está mais familiarizado com os gêneros cotidianos, mais primários, com a oralidade, com a conversa cotidiana, com alguns escritos, mas poucos, como rótulos, dependendo dos letramentos da família e da comunidade. Eu poderia começar pela televisão, pelos programas televisivos que talvez ele nem conheça, mas que existem na televisão aberta com qualidade, como o Rá Tim Bum, e com isso ir introduzindo o domínio da escrita. O princípio é o mesmo: partir do que ele já conhece para acrescentar aquilo que pretendo ensinar, do código alfabético aos gêneros secundários. Estava avaliando propostas para um material de gêneros pertencentes à esfera da divulgação científica. O volume apresentado ao 2º ano é de verbete de curiosidade, do tipo 'você sabia que o camaleão muda de cor?', um gênero secundário simples. O de 3º ano parte do verbete de curiosidade para chegar ao verbete de enciclopédia infantil, de dicionário infantil, e apresentar alguns artigos de divulgação científica de revistas como Recreio e, no final, Ciência hoje das Crianças. Então, os gêneros, os veículos e os temas vão se sofisticando, numa progressão em espiral. No material de 5º ano, o último que eu avaliei, temos reportagem, artigo de divulgação científica - revista Superinteressante, Galileu, entra imagem, infográfico. É sempre esse movimento. O Vygotsky dizia que isso é partir do desenvolvimento real da criança, do que ela traz, para o desenvolvimento proximal, que é aquilo que se quer introduzir.

O livro didático constitui um gênero à parte?
Na minha opinião e na de outros pesquisadores, sim. É uma questão controversa, há quem defenda que é apenas um suporte para outros gêneros. Não concordo, pois tem autor, tem uma proposta didática, uma proposta pedagógica, escolhe objetos, seleciona o que vai ensinar, dá uma dinâmica, ou seja, tanto quanto um romance, ele tem uma história a contar enquanto educador. É um gênero muito particular, pois chama para dentro de si outros gêneros que circulam fora da escola. É intertextual, intercalado, com notícias, poemas da literatura e de fora dela. Não é um gênero multimodal porque é um impresso, não tem CDs com vídeos, áudios etc.

E quais são as características desse gênero? Quais delas deveriam ser necessárias para efetivamente ajudar o professor na tarefa de alfabetizar e letrar?
No caso dos livros de 3º a 5º ano, trazem como objeto de ensino, majoritariamente, os gêneros da esfera artístico-literária: literatura infanto-juvenil, no caso desses livros iniciais, com muitos poemas, gênero mais curto, que cabe na aula, e pequenos trechos de narrativas de aventura. O resto é divulgação científica e textos escolarizados, como verbetes. Não alcançam a diversidade e a circulação de textos extracurriculares.

E o que mais poderiam ter?
Os referenciais e parâmetros nacionais e internacionais pedem textos diversificados, gêneros variados, de circulação social mais ampla. Seria interessante rever um pouco o leque de gêneros. Por exemplo, os textos que exigem crítica são muito pouco abordados. Quando há textos jornalísticos, é jornalismo de informação. Poderia haver aqueles que pedem o posicionamento da criança, que podem provocar debate. Em segundo lugar, textos multissemióticos, ou que preservam a configuração multissemiótica. Na divulgação científica, tem bastante, mas tiram a imagem. Em terceiro, trazer mais gêneros que sejam da cultura extraescolar não valorizada, mais canções etc. Ou seja, coisas que levassem a esses três aspectos: leituras multissemiótica, multicultural e crítica. Esse princípio vale também para a fase de alfabetização.

Alfabetização e ortografização são fases distintas?
A maior parte dos professores e dos livros já faz essa divisão entre a alfabetização, que é o domínio básico do sistema, e a ortografização, que é aquilo que prossegue durante um tempo, até o 5º, 6º ano, às vezes a vida inteira, do domínio das exceções do sistema ortográfico do português do Brasil. Mas, para mim, alfabetização é uma fase inicial que foca o grosso do funcionamento do sistema fonológico e do sistema gráfico da língua.

Como isso tem se materializado nos livros da alfabetização e do 3º ao 5º ano?
Em razão das pesquisas do professor Artur Morais, que trabalhou muito bem a descrição para a formação do professor da ortografização do português do Brasil, os livros incorporaram muito isso. Nesses anos, as propostas de ortografia se desenvolvem bem, com conhecimento do objeto, da fonologia e da ortografia do português, e com uma prática didática que, por vezes, acaba resultando no único lugar do livro com práticas efetivamente construtivistas. Ou seja, dá uma mostra de palavras e pede para a criança pensar a regra, em vez de falar 'a regra é tal'. A alfabetização é outra história, com outras metodologias que quase sempre reduzem muito a organização fono-ortográfica do português. Tende, por exemplo, a trabalhar sílaba simples primeiro, sílaba complexa depois, deixa para o final os dígrafos. Só que quase toda palavra tem dígrafo. Poucas palavras são iguais a peteca. Quando você impede que a criança veja isso, retarda a aprendizagem.
Então, acredito que na alfabetização deve haver mais problema.

Estudos apontam para a fase pós-alfabetização como a mais problemática na questão do desenvolvimento da compreensão do texto. Por quê?
É um problema do desenvolvimento da leitura. Por que eles param numa leitura de localização de poucas informações, inferência global do tema, que é o que dizem os resultados das avaliações. Não sei os livros, porque só avalio os de português, que vão um pouco além. Mas fiz uma pesquisa em uma escola, em 2000, com o ensino dos professores de todas as disciplinas do fundamental. A maior parte das outras disciplinas fica neste procedimento de localizar a informação e repetir. O menino aprende que ler é isso. Quando você faz uma questão que exige uma inferência, comparação, intertextualidade... Isso não é feito, sobretudo nas outras disciplinas. Português vai um pouquinho além. Por exemplo, trabalha com inferência, com resumo - que é generalização -, mas as outras disciplinas trazem sempre perguntas na aula, centradas no conteúdo tal qual está no texto. É isso que o aluno aprende como leitura, é isso que faz nos exames. Há muito pouca leitura na escola. Para ter uma ideia, gravamos 57 aulas dobradas, então eram muitas horas de vídeo, e só 20% desse tempo era dedicado à leitura. Desses 20%, ¾ eram leitura em voz alta e apenas ¼, ou 5% do tempo total, era dedicado a atividades de compreensão.

A perda da habilidade motora da escrita - em detrimento da habilidade de escrever no teclado - representa algum prejuízo para a criança?
Não estamos perdendo uma habilidade motora, e sim desenvolvendo outra, diferente. Talvez passe a tocar piano melhor. Em pouco tempo irá mudar, quando todas as telas forem touch screen, vamos aprender a só apontar. Acho que se trata apenas de mudança de um movimento de pressão fina, no qual a alfabetização dos séculos 19 e 20 se baseou muito, para um outro. A habilidade motora em si não tem nada a ver com a simbolização, por qual gesto se acessa um grafema. Se você pensar, isso aconteceu na história da escrita várias vezes. Escrevia-se com a cunha na escrita cuneiforme, depois carimbando, lascando na pedra lascada, os copistas na Idade Média fazendo pinturas e iluminuras e letras sofisticadíssimas, quase uma arte como no Japão e na China. Depois passamos a escrever mais simples, apenas com o lápis, porque era preciso democratizar o acesso, e agora a máquina escreve por nós.

UOL

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Casa do Bem (RN) concorre a prêmio nacional

Com o lema "Fazer o bem sem olhar a quem" é que a Casa do Bem, projeto social desenvolvido no bairro de Mãe Luiza, vem se consolidando como uma ação de sucesso em Natal. Prova disso é que o Projeto de Alfabetização de Idosos, uma das 30 atividades desenvolvidas na instituição está concorrendo ao "Prêmio ANU 2010", organizado pela Central Única das Favelas (Cufa). De caráter nacional, a premiação tem como proposta chamar a atenção para os projetos socioculturais que impactaram positivamente as comunidades durante o ano de 2010. Das três fases do prêmio, a Casa do Bem se encontra na segunda fase da premiação que segue até sexta-feira, onde a população pode escolher por meio de uma votação na internet, quais são as instituições de cada estado que vão seguir para a próxima etapa. Na última fase do prêmio, que começa no dia 5 de janeiro e segue até o dia 7 de fevereiro, serão escolhidos os melhores projetos do país - apenas um projeto de cada estado concorrerá nesta etapa. A votação também será feita por meio da internet.

Segundo o presidente e idealizador do projeto, o jornalista Flávio Rezende, o curso de alfabetização de idosos existe desde o lançamento da sede da instituição, em junho desse ano. A ideia partiu da iniciativa da professora e voluntária Lígia Souza, que já tinha uma turma de idosos, mas não o local para realizar os encontros. "A professora procurou a Casa do Bem, e tivemos o maior prazer de ceder o espaço para que de imediato fossem iniciadas as aulas de alfabetização, que hoje contam com 15 idosos e adultos", afirmou Flávio Rezende. As aulas ocorrem todos os sábados, no turno vespertino.

Quem quiser ajudar a instituição a concorrer ao "Prêmio ANU 2010", basta acessar o site da premiação (www.premioanu.com.br) e procurar o Projeto de Alfabetização de Idosos, localizado no localizado no mapa do Rio Grande do Norte.

100 do BEM

Outra iniciativa da Casa do Bem lançada esse mês é a campanha "100 do BEM" que tem como meta conseguir o apoio de 100 novos colaboradores para a instituição. As doações podem ser realizadas por meio de tranferências mensais no valor de R$ 50. Para participar, basta o interessado programar as transferências através da conta 26847-X, agência 1668-3 do Banco do Brasil. Os valores arrecadados serão utilizados para manter as atividades desenvolvidas na instituição.

Saiba mais

A Casa do Bem é uma organização não governamental que desenvolve diversos projetos sociais direcionados em sua maioria a adolescentes, bem como crianças, adultos e idosos. A idéia de construir o projeto surgiu a partir de uma iniciativa do jornalista Flávio Rezende em ajudar pessoas carentes. Há 20 anos ele mora no bairro de Mãe Luiza e seu trabalho começou de forma isolada, mas aos poucos percebeu que outras pessoas também poderiam colaborar com seus conhecimentos e habilidades. Aos poucos, o número de atividades aumentou e surgiu a necessidade de construir um espaço físico para que outras pessoas podessem participar. Em junho desse ano a sede da entidade foi construída. Atualmente mais de 2 mil pessoas são atendidas direta e indiretamente através das oficinas, cursos e atividades nos mais de 30 projetos que estão em andamento. A sede social fica localizado na Rua João XXIII, 1719, no bairro de Mãe Luiza, com atividades diversas podem ser feitas através de voluntários, tudo sem cobrança de taxas e sem interferência política e nem religiosa.

Diário de Natal

Morder é normal para os pequenos. Veja como lidar

Os primeiros anos de escolinha colocam as crianças de 2 a 5 anos de idade em uma nova situação: a convivência com outros colegas. Nessa etapa da infância, é normal que eles fiquem inseguros e disputem atenção entre si. Porém, a falta de fluência em linguagem oral natura da faixa etária faz com que as crianças expressem seu estresse de outras formas. E uma delas é a mordida. Sejam responsáveis pelo mordedor ou pelo mordido, os pais ficam em uma situação embaraçosa. Na maioria das vezes, não é por maldade que as crianças usam os dentes, mas sim pelo fato de verem na mordida uma forma de chamar atenção. Por isso, a psicóloga clínica Cassandra Borges explica que os responsáveis devem entender e dialogar com o filho que mordeu, e não o recriminar. "É importante que se converse com o filho e pergunte por que ele fez aquilo. Depois, é essencial explicar que aquilo é errado e que não deve mais ser feito. Recriminar de cara, sem explicar os motivos e sem dar voz à criança, só faz com que ela comece a sentir vontade de esconder seus erros dos pais", orienta.

Letícia Souza já passou pelas duas faces da situação: a da mãe de quem mordeu e a de responsável pela criança mordida. A moradora de São Paulo conta que sempre ficava constrangida quando o filho Mateus, 5 anos, mordia os coleguinhas. "Eu ficava bem perdida no que eu iria falar ou fazer para ele não morder mais os colegas. Até que um dia, uma santa professora fez um projeto no qual todas as crianças deveriam levar para sala de aula um mordedor", diz. Letícia explica que o projeto da professora resolveu o problema, pois mostrou para as crianças na prática como aquilo era ruim: "Ela pegou vários objetos (papel amassado, bichinho de pelúcia de cada um, brinquedo....) e pediu para eles morderem. Eles descobriram que certos objetos não eram legais de serem mordidos. Então, ela disse que assim como tem objetos que não dão uma sensação boa ao morder, a mordida no amigo também não era legal, pois machucaria".

Ao contrário do que se imagina, o mais complicado não é orientar o filho que morde, e sim saber o que falar quando o filho é mordido.

Cassandra explica que normalmente os pais entram em um dilema: dizer para a criança se defender, ou a orientar para que não dê bola? Lara Souza Cierro, 2 anos, um dia chegou em casa com um roxo no braço. A mãe, Letícia, percebeu que o machucado era na verdade uma mordida. "Eu expliquei a ela que o amigo provavelmente não sabia falar, então orientei que ela dissesse para o colega que não tinha gostado do que ele fez. e falasse para professora", conta.

A psicóloga clínica afirma que é muito comum os pais dizerem para os filhos morderem o colega de volta. Porém, alerta que na infância a pessoa ainda não sabe discernir as situações em que pode se defender e as que não podem. "Ela pode começar a usar a força física em qualquer situação que a chateie, passando de criança mordida para a que morde", diz. Para Cassandra, a melhor maneira de agir é, novamente, através do diálogo: "Primeiro é essencial que os pais acolham o filho. Depois, conversem com ele e deixem que ele explique o que aconteceu".

"Nesse momento, é importante lembrar que as crianças tendem a culpar sempre os outros. O ideal também é sempre entrar em contato com a escola, para entender o que ocorreu de fato. Outra questão é os pais decidirem juntos o que irão falar para o filho, para não o deixar na situação em que a mãe diz uma coisa e o pai outra", conclui.


Terra

Coreia do Sul: robô substitui professor em sala de aula

Cerca de 30 robôs-professores foram introduzidos em salas de aula de 20 escolas primárias da Coreia do Sul. As máquinas, criadas pelo Instituto de Ciência e Tecnologia do país, tem a intenção de ensinar a língua inglesa para alunos sul-coreanos que não têm contato com o idioma. Os robôs, chamados "Engkey", são controlados ao vivo por professores de inglês a partir das Filipinas. Eles têm pouco mais de 1 m de altura e possuem uma tela que capta e mostra o rosto do professor que está, à distância, dando a aula. Os "Engkey" ainda conseguem ler os livros físicos dos alunos e dançar movimentos a cabeça e os braços.

Segundo Sagong Seong-Dae, cientista do Instituto, a questão financeira contou para a substituição do humano pela máquina. "Com boa formação e experiência, os professores filipinos são uma mão-de-obra mais barata do que os daqui", contou ao site britânico Daily Mail.

Kim Mi-Young, uma oficial do departamento de educação do país, afirmou também ao site que a experiência foi bem-vinda. "As crianças parecem amar os robôs porque eles são bonitinhos. Mas alguns adultos também mostraram um interesse especial afirmando que se sentem menos nervosos de convesarem com máquinas do que com pessoas de verdade", contou.

Mi-Young fez questão de destacar, no entanto, que os robôs não vão substituir completamente a atuação dos professores humanos, apesar do investimento governamental de cerca de US$ 1,5 milhão, algo em torno de R$ 2,5 milhões. Cada robô tem o preço de aproximadamente R$ 12 mil.


Terra

Desafios do governo Dilma: educação

Aos 70 anos, o produtor rural Milton Matias, de Guaribas (PI), resolveu voltar à sala de aula. “Tive dois meses de escola na infância e parei por falta de oportunidade”, afirma. Para o agricultor, a escola ficava muito longe de sua casa, na zona rural de Guaribas. “Hoje tenho saúde e para ir até o colégio não tenho dificuldade.”

Oito anos após ser piloto do programa Fome Zero, bandeira social do governo Luiz Inácio Lula da Silva hoje substituída pelo Bolsa Família, Guaribas permanece símbolo de carências enfrentadas pelo país. Entre elas, os desafios na área de educação.

No início desta década, a cidade ostentava índice de analfabetismo de quase 60% – a média nacional no ano de 1900. Também era lanterna no ranking de anos de estudo: média de apenas 13 meses entre a população acima de 15 anos.

“Há dificuldade em segurar esse pessoal em sala de aula. Eles costumam falar que velho não aprende mais”, afirma Valdir Maia, secretário de Educação de Guaribas. Segundo ele, o analfabetismo na cidade está hoje em torno de 20% – não há dados oficiais atualizados.
Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda possui 9,7% de analfabetos entre a população maior de 15 anos: 14 milhões de pessoas. “Isso mostra que a alfabetização de jovens e adultos não está cumprindo seu papel. Era para esse índice ter caído mais rapidamente”, opina Jorge Abrahão, diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Estudo recente do Ipea apontou a desigualdade como um dos grandes gargalos do país em educação. Grandes diferenças no índice de alfabetização também persistem, por exemplo, entre a população urbana e rural (4,4% contra 22,8%), branca e negra (5,9% ante 13,4%), e das regiões Sudeste e Nordeste (5,5% contra 18,7%).

Um retrato dos problemas na qualidade da educação do país também apareceu em avaliação internacional divulgada neste mês. Embora tenha avançado nos últimos dez anos, o Brasil ficou em 53º lugar entre 65 países que participaram do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Coordenado pela OCDE (que reúne nações desenvolvidas), o programa avalia estudantes a cada três anos. Em leitura, 49% dos estudantes brasileiros apresentaram o nível mais baixo de aprendizado, índice que chegou a 69% em matemática e 54% em ciências. Na definição da revista inglesa “The Economist”, ocorreram avanços, mas que levaram as escolas brasileiras apenas de “desastrosas” a “muito ruins”.

G1

Matemática, o bicho-papão também da universidade

Desde a infância, a matemática é vista como o bicho-papão da sala de aula. Contas, fórmulas e figuras geométricas tiram o sono de milhares de crianças e jovens ao longo do ensino fundamental e médio. Depois do vestibular, muitos se libertam da disciplina, mas outros criam traumas que não possuíam. Todos os estudantes dos cursos de exatas – que normalmente escolhem as carreiras justamente por se saírem bem em matemática, física, química – precisam passar pelas disciplinas de cálculo. Mas, segundo os docentes universitários, poucos estão preparados para elas. As reprovações nas primeiras matérias que envolvem matemática são comuns e criam enormes problemas não só para os estudantes, como também para as instituições. Na Universidade de Brasília (UnB), por exemplo, em média, cerca de 30% dos estudantes de cálculo, física e química não conseguem passar de primeira por essas disciplinas. Os conteúdos muito distintos dos que são ensinados na educação básica e a quantidade de matérias a cada semestre complicam a vida dos calouros, que ainda precisam se adaptar à falta de cobrança diária dos professores universitários.

Essas disciplinas costumam ser preparatórias para os outros semestres e, uma vez reprovado em uma delas, dificilmente o estudante consegue seguir o currículo dos cursos. Com isso, as universidades se obrigam a oferecer a mesma disciplina inicial a novos e antigos alunos. O problema tem exigido das instituições de ensino soluções alternativas, como tutorias, monitorias, disciplinas intermediárias para nivelamento. E tem provocado também preocupação em algumas escolas do ensino médio, que já começam a trabalhar para facilitar a vida dos próprios alunos no futuro.

Em uma escola particular de Brasília, os estudantes do ensino médio têm a chance de começar a aprender os conteúdos que, em geral, fazem parte dos programas curriculares das disciplinas de cálculo 1. Há quase 10 anos, o professor de matemática Luiz Antônio Rosa Braz decidiu ajudar os seus alunos mais interessados a passar com mais facilidade por essa fase. No horário contrário ao das aulas, sem cobrar nada, ensina parte do que eles terão de aprender nos cursos de exatas.
“Já dei aulas em universidade e sei que os meninos sofrem por falta de base em matemática. Não tenho o mesmo tempo que teria na faculdade aqui para ensiná-los, mas sei que já ajuda bastante”, afirma. Os encontros com o professor Luiz Antônio ocorrem sempre às sextas-feiras, no fim do dia. A proposta é não atrapalhar os estudos dos alunos para o vestibular, as provas da escola ou as atividades extracurriculares, mas, sim, colaborar. “No fim, as aulas são interessantes também para que os alunos vejam se escolheram a área certa.”

Tiago Vidigal, Rodrigo Cardoso, Fellipe Lopes, Gabriela Duarte, Gisele Oliveira e Rodrigo Nunes, todos com 17 anos, participam das aulas com satisfação. Para eles, a oportunidade dada pela escola é imperdível. Todos escolheram cursos de exatas no vestibular e acreditam que as aulas prévias de cálculo serão um diferencial na formação deles. “A gente não vai se surpreender com o que está por vir”, analisa Fellipe. Para Nunes, as aulas funcionam como um passatempo. Ninguém é obrigado a assisti-las.

Os alunos contam que, de agosto (quando as aulas começaram) até o fim do ano, a desistência foi grande. Dos 80 alunos da turma inicial, sobraram perto de 40. “É muito diferente do que a gente aprende em sala de aula, mais aprofundado. Acho que até ajuda no vestibular. Mas muita gente não aguentou”, comenta Fernanda Pimentel, 18 anos, que pretende conquistar uma vaga para engenharia genética.
Ali Faraj, 15 anos, ainda está no 1º ano do ensino médio e já frequenta as aulas de cálculo. Apaixonado por matemática, ele não quis perder a oportunidade de aprender mais, se aperfeiçoar e, quem sabe, se tornar um profissional melhor. “Acho que vou sair do ensino médio mais preparado, com uma visão melhor do assunto”, avalia. “Se outras escolas pudessem fazer o mesmo, ajudaria muito as universidades e os alunos”, diz o professor.

Na academia
As universidades, por sua vez, também estão preocupadas em resolver esse problema. A UnB, por exemplo, criou programas de tutoria para os estudantes com mais dificuldade nas disciplinas iniciais de cálculo, química e física. O número, de acordo com a decana de Ensino de Graduação, Márcia Abrahão, ainda é inferior ao que a universidade gostaria. “É difícil estabelecer uma cultura de atendimento individualizado do estudante”, afirma.

Ao contrário do que acontece com as monitorias, em que um aluno veterano fica à disposição da turma inteira durante determinado período de tempo, no programa de tutoria, professores e estudantes da pós-graduação acompanham, cada um, o desenvolvimento e o rendimento de um pequeno grupo de estudantes. Eles fazem atendimentos individuais, o que dá mais trabalho.

Angelo Machado, professor do Instituto de Química, e Carlos Eduardo Salvador, aluno do mestrado, contam que os universitários chegam sem capacidade de conectar conhecimentos, fazer análises lógicas e não estão preparados para o ambiente de liberdade que encontram na universidade. Mesmo com todo o esforço que fazem para ser tutores dos alunos, ainda não conseguem atendê-los como gostariam.
“Estamos aplicando um questionário para ajudar a identificar as deficiências que eles trazem de formação e podermos focar mais tempo nas dificuldades. Mas é difícil fazer com que eles entendam a importância disso”, comenta Angelo, que coordena um grupo de tutoria na química.

O Decanato de Graduação está estudando também uma nova estratégia, ainda projeto para o futuro. A partir da análise do desempenho dos aprovados nos processos seletivos da instituição, identificar quem precisa de ajuda e já abordá-los no início do semestre. “Estamos analisando com cuidado, não queremos constranger os alunos. Mas pode ser uma boa medida para ajudá-los”, ressalta Márcia Abrahão.

Outra iniciativa que a UnB está tomando é a reformulação da disciplina de cálculo. Além de reduzir a quantidade de conteúdos ministrados, eles estão atualizando os programas de algumas outras matérias dadas para calouros de diferentes cursos de graduação. O sub-chefe do Departamento de Matemática, Mauro Patrão, que cuida das reformas, acredita que as modificações vão ser úteis também para uniformizar o ensino. “Há estudantes que fogem de certos professores porque eles são exigentes, enquanto outros não avaliam direito”, critica.

Para ele, padronizar o que se ensina não significará interferir na metodologia de trabalho de cada docente. O que o departamento quer, por exemplo, é que diferentes professores apliquem a mesma quantidade de provas, e ensinem os mesmos conteúdos. E admite que a parceria com o ensino médio precisa ser mais estreita. “Existe um lapso entre a formação dada aos estudantes e o que se espera deles nos cursos de exatas”, afirma.

Inviabilidade
Para o professor e coordenador de Ensino do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (Imecc) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Emanuel Pimentel Barbosa, a má formação na área de exatas é um problema “crônico e antigo”.

A Unicamp instituiu há mais de uma década uma disciplina chamada geometria analítica que, na opinião dele, tem conteúdo que deveria ser do ensino médio. “Isso não existia antigamente, quando cada um já deveria ter essa base, mas hoje os alunos não conseguiriam acompanhar cálculo 1 sem isso”, diz.

No caso do curso de estatística, a medida foi mais recente. Há seis anos, percebeu-se que muitos alunos, embora interessados na área, não tinham a formação básica matemática necessária e instituíram a disciplina “Fundamentos da Matemática”. “É difícil recuperar um aluno que vem com deficiência do ensino médio. Essas medidas tem resultado parcial, mas sem isso os cursos se tornariam inviáveis”, conclui.

IG

Governo não cumpre meta de garantir um computador por aluno

A meta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de garantir a todos os alunos da rede pública um computador no valor de 100 dólares não foi cumprida e acabou sendo terceirizada aos governos estaduais e prefeituras por um valor superior ao previsto. Nesta segunda-feira, o governo anunciou a criação de uma linha de crédito concedida pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com limite de compra correspondente a 25% do total de alunos da rede pública.

Em 2006, o presidente assumiu o compromisso mas, dois anos depois, desistiu do projeto de comprar um computador para cada aluno da rede pública porque ficou caro demais instalar laboratórios de informática nas 55 mil escolas públicas do país.

Para as regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste, cada computador custará R$ 344,18. Para o Sul e Nordeste custará R$ 376,94. Segundo as especificações do MEC (Ministério da Educação), o equipamento tem 4 gigabytes de armazenamento, 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas e bateria com autonomia mínima de três horas.

Folha

Projeto usa pesquisa para dar sentido ao currículo escolar e vira estratégia de política pública

Dar sentido ao currículo escolar por meio de pesquisas dos alunos sobre suas realidades. A ideia foi posta em prática há 11 anos em favelas do Rio de Janeiro (RJ), levando jovens a realizar pesquisas no contraturno das aulas. Resultado: a iniciativa ganhou força, foi incorporada a Pontos de Cultura e ao Mais Educação, programa do governo federal para educação integral. As atividades de pesquisa, desenvolvidas pela organização Casa Arte de Educar, atendem diretamente 360 crianças e adolescentes e 100 alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Elas acontecem nas duas unidades do projeto, localizadas no Morro da Mangueira e do Morro do Macaco, na periferia do Rio de Janeiro.

Além dos atendimentos diretos, a metodologia é oferecida a alunos de 10.042 escolas de tempo integral, ligadas ao programa Mais Educação. Também é disponibilizada aos participantes de oficinas de Pontos de Cultura de Belém, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

A proposta é levantar o interesse dos alunos e orientá-los a desenvolver pesquisas sobre os assuntos, reunidas em grandes temas como arte, resgate histórico da comunidade e educação urbana. “Queremos dar sentido ao currículo através da cultura do aluno, promovendo atividades culturais de memória e ciência”, conta a coordenadora do projeto, Sueli Lima.

Além da incorporação ao Mais Educação, a Casa Arte de Educar foi convidada pelo Ministério da Educação (MEC) para promover formações semestrais com professores. A ideia é orientá-los a trabalhar a realidade do aluno e o seu conhecimento. “É a cultura do estudante que pode garantir seu sucesso escolar e o professor tem que olhar para o currículo escolar nesse sentido”, avalia.

Em abril, a organização vai lançar, a pedido do MEC, um caderno sobre métodos de alfabetização. Os projetos são desenvolvidos em parceria com organizações como Ministério da Cultura, Petrobrás e o programa Criança Esperança.

UOL

Está nascendo a era dos educadores

Uma faculdade, em São Paulo, decidiu oferecer aulas de madrugada, terminando às 2h. Isso por uma simples razão de mercado: o horário atendia aos desejos de trabalhadores que queriam o diploma, mas não tinham horário para estudar.
Já há cursos de graduação que não aceitam a matrícula de alunos com menos de 24 anos. Os mais velhos, mais responsáveis, muitos deles casados ou com filhos, não querem garotada "zoando" em sala.

É comum ver LAN houses na periferia usadas por quem faz cursos a distância. Para quem tem pouco tempo e dinheiro, o computador conectado à internet passa a ser a esperança de um salário melhor.

Esses três fatos são simbólicos da nova agenda brasileira, que a presidente Dilma Rousseff terá de enfrentar. Está vindo uma classe média mais escolarizada e crítica, com demandas cada vez mais sofisticadas e difíceis de atender.

Essa nova agenda vai gerar áreas de pressão para a presidente Dilma, que já recebe uma terrível herança: as expectativas criadas pelo presidente Lula.

Segundo o Datafolha, 83% dos brasileiros esperam que ela faça um governo igual ou melhor do que o do antecessor. A frustração, pelo menos a curto prazo, será inevitável. A situação fica ainda mais delicada quando Lula sugere que poderia estar disposto a voltar.

Independentemente do fator Lula e mesmo da necessidade de pôr as contas públicas em ordem, há uma mudança no padrão de expectativas do brasileiro.

Atribuiu-se parte do sucesso e do prestígio de Lula à distribuição de recursos diretamente às famílias. De fato, ele ampliou o que recebeu do governo anterior e soube fazer disso uma notável obra de comunicação. Existe, porém, um segmento urbano que, vivendo nas periferias das grandes cidades, pouco tem a ver com o assistencialismo. É beneficiário do crescimento econômico e dos aumentos salariais, mas sabe que sua prosperidade depende da qualidade de seus diplomas.

Colecionei uma série de pesquisas, realizadas pelos mais diferentes institutos de opinião, algumas delas voltadas a entender os novos consumidores, que trazem sempre a mesma mensagem: o valor crescente do conhecimento. Basta lembrar que, segundo o Datafolha, a educação se transformou em uma das três prioridades da população. No Sudeste, onde estão as metrópoles, a tendência é especialmente forte.

O Brasil tem um imenso gargalo no ensino médio, o segmento educacional mais vulnerável do país. Os cursos técnicos são escassos; as vagas em faculdades públicas, limitadas. O nível geral das faculdades privadas ainda é lamentável, como mostram indicadores oficiais.

A tendência é a universalização do ensino médio e, com isso, mais gente informada, com mais expectativa e mais crítica. É o que se vê no adulto enfiado numa LAN house fazendo um curso a distância.

É inevitável que, nessa mistura de democracia com melhoria da escolaridade, aumente a percepção da distância entre o que se paga de imposto (mais de quatro meses de trabalho por ano) e o que se recebe como serviço. Mais que a corrupção, vão sobressair a falta de eficiência, o desperdício, os descalabros de gestão e o corporativismo doentio.

O imenso valor do Bolsa Família está em pôr o dinheiro diretamente nas mãos das famílias, quase sem intermediação. É bem mais simples do que melhorar o sistema de saúde ou oferecer educação de qualidade, avanços que exigem complexos e demorados sistemas de gestão.

Não dá para não reconhecer que o Brasil melhorou inclusive na educação. Mas o sucesso tem um preço. Logo as pessoas esquecem os benefícios adquiridos e querem mais.

Dilma terá de lidar com a expectativa deixada por Lula, mas a regra vale para todos os governantes que agora tomam posse: eles serão avaliados com mais dureza e terão de oferecer soluções mais engenhosas.

É provável que sejam avaliados pela habilidade de melhorar a autonomia dos cidadãos, ou seja, de aumentar a qualidade do que as pessoas aprendem para ter um projeto de prosperidade. É por isso que um trabalhador se dispõe a fazer um curso superior de madrugada.

PS - Já houve diferentes grupos no poder: bacharéis, militares, economistas. A próxima década será a era dos educadores - e uma coisa útil a fazer será aprovar uma lei da responsabilidade educacional, que puna, com pesadas multas, todos os níveis de governo que não cumprirem suas obrigações educacionais.


UOL

Municípios e Estados poderão comprar laptops educacionais a preço de custo

Governos estaduais e municipais poderão, a partir de hoje (27), comprar computadores portáteis ao custo médio de R$ 360 a unidade desde que o equipamento seja usado em escolas públicas. Os computadores são semelhantes aos distribuídos pelo governo federal por meio do programa Um Computador por Aluno (UCA), que teve início em 2008, em fase experimental, em escolas de São Paulo, do Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio de Janeiro e de Tocantins. Até 2010, foram distribuídos 150 mil computadores. Os prefeitos e governadores interessados poderão adquirir os laptops por meio de pregão, com recursos próprios, ou por meio de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A compra será feita por adesão ao pregão eletrônico, que já foi realizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Para quem optar pelo financiamento do BNDES, haverá limite de compra correspondente a 25% do total de alunos da rede pública estadual ou municipal – ou seja, um computador para cada quatro alunos.

De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, essa limitação foi estipulada para que o primeiro pregão pudesse ser utilizado por um grande número de municípios e Estados. “Nada nos impede de fazer um segundo ou terceiro pregão imediatamente, vai depender muito de como a demanda reagir”, afirmou.

Os computadores distribuídos em 2010 saíram por R$ 550. Os equipamentos que forem comprados por Estados e municípios por meio do pregão custarão R$ 344,18 para as regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste e R$ 376,94 e para o Nordeste e o Sul. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a variação dos preços ocorreu em função das taxas de entrega e instalação, serviços embutidos nesse valor.

Haddad disse que a tendência é que o custo dos laptops educacionais continue caindo. “Todo ano há ajustes no edital e a competição está forçando o preço pra baixo. A indústria está se mexendo em proveito do Poder Público”, afirmou. O equipamento, que será comprado neste pregão tem quatro gigabytes de armazenamento, 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e 1,5 kg.

No site do MEC, prefeituras e governos estaduais podem consultar o manual de compra, na página do FNDE. Haddad afirmou que objetivo do programa é “mudar a realidade da sala de aula”, mas ressaltou que “tecnologia não faz educação”. “É preciso combinar [o uso dos laptops] com capacitação dos professores”, apontou.

UOL

Faltam professores para cumprir ensino obrigatório de música

No livro Música, cérebro e êxtase: como a música captura nossa imaginação, o pianista e compositor Robert Jourdain escreve que nada exige tanto do cérebro quanto o desempenho musical: centenas de músculos se articulam em uma coreografia, o olhar se fixa em partituras e instrumentos, ouvidos interpretam notas musicais, memórias e emoções planejam e administram passagens inteiras. Ou seja, tocar um instrumento põe em ação uma verdadeira orquestra fisiológica.
Pois os caminhos que indicam como trabalhar com essa orquestra estarão em jogo a partir de agosto de 2011, quando entra em vigor a Lei 11.769, sancionada em agosto de 2008, que torna a música conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do currículo da Educação Básica. Na prática, como a lei dá prazo de três anos letivos, isso deve efetivamente ocorrer no início do ano letivo de 2012.

Demanda de educadores, músicos e jornalistas que orbitam em torno do universo das artes em geral, a campanha pela obrigatoriedade não conseguiu emplacar, no entanto, o pedido de que houvesse profissionais com formação específica para ministrar seus conteúdos. O parágrafo que especificava a questão foi vetado, por recomendação do Ministério da Educação acatada pela Presidência da República. A razão: seria difícil estabelecer o que seria essa formação específica em atividade fartamente enraizada nas práticas sociais do país.

Em relação à frequência das aulas e às séries da Educação Básica que deverão oferecer os conteúdos, a vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e secretária de Estado da Educação do Acre, Maria Corrêa da Silva, adianta que a decisão depende da realidade de cada estado e município. Por se tratar de conteúdo do componente curricular "artes", é preciso "levar em conta a organização curricular estruturada em cada sistema, utilizando formatos diversificados, considerando a estrutura das escolas e suas condições". Sua afirmação se justifica a partir do texto do artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que determina que "os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela".

Por isso, o Consed ainda não tem uma visão de como o ensino de música irá se materializar, já que cada unidade da federação está cuidando - ou deveria estar - da implantação do conteúdo em suas redes. Como o órgão terá nova representação após as eleições, compondo-se dos novos secretários que assumem em janeiro, o mais provável é que o tema entre na pauta de discussões em 2011.

Professores em falta
A qualificação de professores de música ainda é um ponto delicado e desigual. Segundo Maria Corrêa da Silva, alguns estados têm professores com formação adequada, outros não. Assim, a saída seria estabelecer parcerias com outras instituições, como secretarias de cultura, para o ensino conjunto da disciplina. "É preciso ter profissionais com formação na área para um trabalho mais efetivo. Por isso, é necessário garantir formação superior, teórica e técnica aos professores."

No Acre, a universidade federal iniciou o curso de música no ano de 2006 e a formação dos profissionais acontece de forma gradativa. Luciana Nascimento, coordenadora do curso de música da Universidade Federal do Acre (Ufac), espera que a instituição possa suprir parte da necessidade das escolas do estado em até oito anos.

A professora do curso de graduação em música e do mestrado em artes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Margarete Arroyo constata que é cada vez menor o número de jovens com a pretensão de seguir carreira docente. As razões, segundo ela, são desprestígio social, salários baixos, péssimas condições de trabalho e, em muitos casos, risco de vida. Entretanto, Margarete nota influência da nova lei sobre os licenciados. "Eles se sentiram mais estimulados a enfrentar o desafio do trabalho na Educação Básica." Indiscutivelmente, a docência representa mais uma frente de trabalho para uma profissão bastante concorrida.

Para a professora da UFU, a inclusão dessas aulas não ocorrerá no prazo determinado. Além da falta de professores especialistas, aponta como complicadores do processo a ausência da música na maioria dos projetos pedagógicos dos cursos de pedagogia e a ideia disseminada de que aula de artes significa aula de artes visuais.

A secretária de Educação do Estado de Goiás, Milca Severino Pereira, aponta a carência de professores com habilitação em música como o grande obstáculo para a materialização do ensino em todas as escolas do estado até o final do prazo determinado pela lei. "Em Goiânia, 100% das escolas da rede estadual já oferecem música, embora ainda haja um déficit de pelo menos 80 professores. Uma banda marcial, por exemplo, precisaria de quatro professores, mas hoje a maioria das nossas bandas tem um único regente. Porém, temos 246 municípios e, no interior, há poucos profissionais qualificados para o ensino de música", argumenta. Para remediar a situação, em 2009 o estado ofereceu 520 vagas no concurso público para professores de música. Este ano realizou um novo concurso para suprir a grande demanda de profissionais.

Teoria e prática
Para Maria Corrêa, do Consed, o conteúdo curricular de música não pode se restringir a um conhecimento teórico. Deve se constituir de atividades que ponham o aluno em contato com as diferentes manifestações culturais relacionadas com a música.

Kátia Lucila Bueno, membro da equipe técnica de artes da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, utiliza um discurso bastante genérico para descrever as atividades da rede. Diz que os alunos, ao serem colocados em contato com os modos de produção da música, fazem experimentos que os conduzirão a adquirir saberes, habilidades, competências e sensibilidades. Além da teoria aliada à prática musical, o uso da interdisciplinaridade é feito entre as diversas linguagens artísticas e entre outras áreas do conhecimento. Segundo Kátia, o ensino de música "está consolidado em um novo currículo, implantado com o objetivo de atender à necessidade de organização do sistema educacional do Estado de São Paulo e de contribuir para a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos". A disciplina é oferecida em duas aulas semanais para todas as séries do ensino fundamental e nos dois primeiros anos do ensino médio.

Na rede estadual de Goiás, o ensino da música também vincula a teoria à prática. "A matriz curricular é aberta e permite que aluno e professor definam como trabalhar em sala de aula os elementos da linguagem musical. Eles escolhem a modalidade, se uma trilha sonora, se sonoplastia, se música instrumental, por exemplo. A partir disso, constroem o processo de ensino e aprendizado", relata a secretária de Educação, Milca Severino Pereira.

Implementadas no início do ano letivo de 2009, as aulas de música do Colégio Estadual José Honorato, em Goiânia, buscam um entendimento do universo sonoro. "Cada ano do ensino fundamental possui um currículo específico visando o aperfeiçoamento do aluno. Partindo de questões relacionadas ao som e à música, é possível explorar as múltiplas possibilidades educativas, promovendo a interação dos estudantes com diversas sonoridades presentes em seu cotidiano", diz a professora Brisa Broseghini Machado, que trabalha com percussão corporal, cantigas de roda, coral, literatura, música e mescla artes cênicas com artes visuais, além de utilizar recursos tecnológicos para ajudar no aprendizado como CDs, DVDs e internet.

Onde a música já é rotina
A superintendente de Educação Infantil e Fundamental de Minas Gerais, Maria das Graças Bittencourt, diz que a música já faz parte dos conteúdos básicos de Minas Gerais na disciplina artes. Está sendo trabalhada dentro de suas possibilidades e especificidades em cada etapa da Educação Básica. Mas o estado ainda não definiu uma política global para o ensino nas escolas da rede estadual. "Algumas unidades, a partir de sua autonomia curricular, já contam com a disciplina música ministrada separadamente de artes.

Incentivamos a manutenção desta decisão no projeto pedagógico e apoiamos essas escolas", diz a superintendente, acrescentando que durante este ano 560 escolas estaduais receberam violões para práticas com o instrumento.

Em Belo Horizonte, as aulas de música da EE Professor Leon Renault integram o currículo de artes por iniciativa da docente Vívian Desidério. A maior dificuldade na implementação se deveu ao fato de o curso de artes ser semanal. A solução foi dividir os conteúdos por bimestre.

Já no Colégio Estadual José Honorato, em Goiânia, as aulas de música funcionam como disciplina independente de artes tanto no primeiro quanto no segundo ciclo do fundamental. "A nova lei deve impulsionar os demais estados a se preocuparem com a cultura de seus habitantes, inclusive porque existe uma demanda muito grande de profissionais qualificados para atuar nessa área em todo o país", opina a professora Brisa Broseghini.

Particulares
Em alguns colégios privados de São Paulo, a música é conteúdo obrigatório na área de artes. O Instituto de Ensino Lavoisier a oferece como disciplina optativa desde 2007, quando o fundamental foi implementado na instituição. Alunos do 1º ano ao 9º ano do fundamental têm uma aula por semana com uma docente cuja formação tem ênfase em artes cênicas e música. As aulas são divididas em duas partes, uma de teoria e outra de desenvolvimento das habilidades instrumentais de cada aluno, a partir de seu conhecimento prévio, relata Fátima dos Santos, diretora pedagógica.

No Arquidiocesano, alunos até o 5º ano seguem esquema similar, com projetos na área musical integrados às artes visuais, ao teatro e à dança. "Os debates mais atuais para o ensino de artes apontam para o seu caráter interterritorial, com fruição por diversos campos", diz a coordenadora de linguagens e códigos da escola, Katia Pereira. "Arte não é só produzir objetos, mas compreendê-los, conhecê-los profundamente, dominar seus códigos particulares, falar sobre eles, debatê-los, questioná-los", explica.

Os alvos para caminhar

Em seu 19º congresso anual, cujo término foi no início de outubro, a Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) priorizou a discussão sobre como a Lei 11.769 deve ser encaminhada, considerando o contexto da educação nacional e o pouco espaço e valor reservados ao ensino das artes (música, teatro, artes visuais e dança). Sediado na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, o evento sugeriu, a partir de discussões realizadas nos fóruns, a criação de um grupo de trabalho cuja meta é propor e monitorar diretrizes, ações e encaminhamentos práticos para a implementação do ensino de música nas escolas. O grupo deverá atuar em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE).

"É preciso que crianças, jovens e adultos possam aprender música, apreciar a cultura musical, ter alternativas profissionais na cadeia produtiva da música e se tornarem cidadãos inseridos em contextos criativos, inovadores e partícipes da construção do patrimônio cultural nacional", ressalta a presidente da Abem, a docente da Universidade Federal do Paraná Magali Kleber.

Para a implementação, os principais desafios são de ordem conceitual (o que vamos fazer?) e de ordem prática (como vamos fazer?), diz Magali. "Precisamos ter a capacidade de nos articular com sabedoria política para planejar coletivamente propostas a curto, médio e longo prazo, tendo em vista o respeito à diversidade cultural como um dos eixos do nosso patrimônio cultural", opina a docente, para quem a formação deve se dar em consonância com a de outras licenciaturas, no âmbito da política de formação inicial e continuada proposta pela Capes em 2009.

Para a coordenadora de Estudos e Qualificação do Cemus na Funarte, Maya Suemi Lemos, é necessário estabelecer uma estratégia de ação específica na área de música, como a criação de editais de incentivo a programas de capacitação; o incentivo à expansão da segunda licenciatura, e a simplificação dos processos de isenção de disciplinas para acelerar a licenciatura dos profissionais que já têm capacitação musical. Ela destaca também a necessidade de apoiar as redes municipais. "A Funarte pretende realizar painéis em cada estado, voltados às secretarias municipais, em que sejam expostos projetos implantados com êxito nas escolas da região, para encorajar os municípios que queiram introduzir o ensino de música, mas não saibam como fazê-lo", afirma. A oferta de material didático e de ferramentas de fácil acesso e utilização pelas escolas é outro desafio. Maya defende que os editais para material didático são essenciais, assim como a criação de uma plataforma digital de livre acesso que ofereça recursos para escolas e professores.

UOL

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Concurso de literatura infanto-juvenil premia com R$ 30 mil

As inscrições para o Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil estão abertas até 30 de dezembro de 2010. O , a Fundação SM, recebe R$ 30 mil em dinheiro, como adiantamento de direitos autorais. Os interessados podem apresentar originais inéditos destinados a crianças e jovens leitores. A premiação almeja estimular a produção literária nacional e a promover a leitura entre crianças e jovens a partir de seis anos.

Também, 1% da receita obtida com a venda do livro vencedor será revertido à implantação de bibliotecas comunitárias “Ler é Preciso”, coordenadas pelo Instituto Ecofuturo.

Clique aqui para acessar o regulamento do concurso.

Concurso “A Escola Também é Sua” está com inscrições abertas

“O que você já fez ou faz para melhorar a educação da sua comunidade?” É com essa pergunta que o projeto Educar para Crescer quer motivar estudantes, professores, pais de alunos e demais interessados a contarem suas histórias sobre como se envolvem na melhoria da educação de suas cidades. A proposta faz parte do Concurso Cultural “A Escola Também é Sua”, premiação que está com inscrições abertas até o dia 02 de janeiro de 2011. Para participar, o interessado deverá escrever um texto com até 500 caracteres sobre o que já fez ou faz para ajudar uma escola da sua comunidade. As histórias serão avaliadas por uma comissão julgadora do Educar para Crescer, que será responsável por escolher os 20 melhores textos. Depois da seleção inicial, as histórias escolhidas serão publicadas a partir do dia 22 de janeiro no site http://www.educarparacrescer.com.br/ para que os internautas votem e elejam a melhor. O vencedor será conhecido no dia 15 de fevereiro.
Como reconhecimento, o participante vencedor terá sua história divulgada numa matéria especial no site e poderá indicar uma escola que será premiada com uma Lousa Interativa Widescreen HetchBoard 78QW.

A escola indicada não precisa ser retratada no texto, nem ter vínculos com o autor. A instituição escolar que receber a lousa terá direito a software com programa completo, instalação e treinamento oferecidos pela Hetchtech Soluções Tecnológicas Interativas.

Inscrições: Clique aqui para ler o regulamento e participar do Concurso.

Especialista: Educação Física ainda não é vista como prioridade

Toda aula de educação física é a mesma coisa. Uma turma corre para bater uma bola e se desestressar; outra parte arrasta os pés para chegar à quadra de esportes, isso quando não simula uma dor de barriga para escapar. Enquanto, em algumas disciplinas, os alunos quebram a cabeça para aprender expressões numéricas, regras de crase ou o processo da mitose celular, é na educação física que crianças e adolescentes podem exercitar o corpo, sem provas ou estudos. Ainda assim, muitos torcem o nariz quando chega a hora de correr para o pátio. Por quê? Para o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber, não há apenas uma resposta para a questão. Um dos motivos é que não é passada para os estudantes a importância dessa disciplina.

"Você pode não gostar de matemática ou de português, mas estuda por saber que é importante para a sua vida", compara. Se o aluno tiver consciência de que com a educação física ele tem mais disposição, fica menos doente, ele acaba aderindo à proposta.

Outro ponto a ser melhorado nas aulas de educação física são os esportes oferecidos. É preciso diversificar. "Não apenas futebol para os meninos, e vôlei para as meninas", exemplifica o também ex-assessor de educação física na secretaria municipal de Educação do Rio de Janeiro. Nesse caso, os mais hábeis acabam jogando, e os outros simplesmente não gostam. A ideia é que a disciplina tente ir ao encontro dos interesses do aluno. Steinhilber dá a dica: "Em aula, pode-se discutir a violência dos estádios".

Nos colégios privados, o presidente do conselho nota uma situação ainda mais complicada. Por entender que os estudantes têm condições de pagar espaços para desenvolver atividades físicas, muitas vezes a escola abre mão de oferecer a disciplina ou possibilita substituir a presença na educação física por um exercício fora. "Aí você perde a função agregadora da matéria, o papel como formadora de cidadania e conscientizadora da qualidade de vida", lamenta o professor. "Se eu vou a um clube jogar futebol, eu vou apenas aprender a jogar futebol e perco o conteúdo da cidadania, que é parte do objetivo da escola", completa.

Por serem atividades normalmente coletivas, a educação física é também um bom momento para avaliar o comportamento dos estudantes. Ali se podem notar os extrovertidos, os tímidos, os que estão com dificuldade de se integrar no grupo.

Nos colégios públicos, há também falhas quanto ao ensino da educação física. Existem os casos extremos, como quando a disciplina nem consta na grade. "Às vezes é por falta de espaço físico, outras por falta de professores", explica o presidente do Conselho Federal de Educação Física, Jorge Steinhilber.

Segundo o especialista, uma das causas para a questão é que a educação física ainda não é não é vista como prioridade. Por falta de políticas públicas focadas na disciplina, ela carece de metas curriculares claras dentro do ensino público. "Uma coisa puxa a outra: enquanto o governo não vê importância na disciplina, não se desenvolve um currículo voltado à promoção da saúde", explica. Assim, as aulas acabam tendo um tom recreativo ou são completamente voltadas à atividade esportiva, sem a busca por um projeto pedagógico de qualidade de vida.

A valorização da educação física poderia ajudar a combater a obesidade o sedentarismo, e os jovens poderiam ser mais bem orientados para uma vida mais ativa. "Não sou contra o computador, mas a tecnologia nos levou a um desgaste, a uma 'desqualidade' de vida física e temos que equilibrar essa situação", alerta. "Podemos ter toda modernidade, mas com a consciência de que não se pode deixar o corpo enferrujar".

Terra

Escolas federais são bons modelos, mas difíceis de replicar

Professores com pós-graduação e bem remunerados, infra-estrutura de ponta e, em alguns casos, seleção de alunos. Essa é a receita da rede federal de educação que tradicionalmente se destaca no País. No último índice conhecido em 2010, o destaque foi internacional. Os resultados dos dos colégios militares e institutos federais, que compõem o sistema federal, colocaram os estudantes destas escolas entre os melhores do mundo no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa). Os desempenhos obtidos por eles foram superiores aos obtidos por França, Estados Unidos, Israel e Canadá e só ficaram atrás de Japão, Coréia, Cingapura, Finlândia, Hong Kong e Shangai. O Ministério da Educação (MEC) fez questão de divulgar os resultados obtidos pela rede federal em separado para mostrar que o Brasil consegue oferecer ensino público de qualidade. Porém, os diferenciais deste grupo vão muito além das carências primárias da rede pública comum.

O primeiro ponto de divergência é o investimento. Enquanto o gasto médio com cada aluno desta etapa de ensino da rede pública de Estados e municípios foi de R$ 2.317 em 2009, a média de investimento por aluno nos institutos federais foi de R$ 7,2 mil no mesmo período. Nos colégios militares, o investimento foi bem maior: R$ 14 mil. Com mais recursos, essas escolas conseguem oferecer equipamentos, laboratórios, bibliotecas, computadores, aulas de dança e atividades esportivas. No caso dos institutos, formação técnica e profissional no turno contrário ao das aulas.
Professores muito bem pagos

Além disso, podem investir na formação de professores e pagar salários bem mais altos. A média de um docente da educação básica no País é de R$ 1,5 mil, segundo o MEC. Quem consegue entrar nos concorridos concursos públicos dos institutos federais começa a carreira ganhando R$ 4 mil. Um doutor chega a receber R$ 11,7 mil por mês. Os gestores da rede federal, por tudo isso, já esperavam os bons resultados.

O diretor do Instituto Federal de São Paulo, Carlos Alberto Vieira, explica que a instituição vai do ensino médio integrado ao técnico até a pós-graduação. "Os professores são contratados para o instituto e podem dar aula tanto aos adolescentes quanto no mestrado. São profissionais muito bons", explica.
Getúlio Marques Ferreira, secretário adjunto de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, foi aluno, professor e diretor de institutos federais. Ele reconhece que a valorização da carreira dos professores, que possuem planos bem definidos de crescimento e encontram boa estrutura de trabalho, é um ponto central para o sucesso das escolas federais. Mas defende que a preocupação com uma formação mais ampla é o grande diferencial da rede.

“A estrutura de laboratórios, biblioteca, quadras esportivas e de lazer permite que o aluno permaneça na escola os três turnos. A formação integral do indivíduo é o que nos orgulha. Nosso objetivo não é manter uma formação tecnicista”, ressalta o secretário.

Para o Exército, esse também é um dos aspectos fundamentais para o sucesso dos colégios militares. Os estudantes têm inúmeras atividades disponíveis, como clubes de estudo, atividades de música, dança e esportivas.

Para poucos
Hoje, há 38 institutos federais funcionando no País, responsáveis por 354 unidades acadêmicas espalhadas em capitais e cidades do interior. Segundo Ferreira, eles são responsáveis pelo atendimento de 348 mil alunos. Até 2014, a expectativa é atender 500 mil jovens.

O sistema de colégios militares é composto por 12 instituições, que ficam nas cidades de Santa Maria (RS), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Juiz de Fora (JF), Belo Horizonte (MG), Salvador (BA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Manaus (AM). Juntos, eles atendem cerca de 14 mil alunos. O calendário e a proposta pedagógica é a mesma em todos eles.

Além de pouco numerosas, essas escolas não atendem qualquer aluno. No caso dos institutos federais, há prova de seleção para distribuir as vagas que chegam a ter concorrência de 70 inscritos por vaga. “Com certeza, o fato de pegarmos os melhores tem impacto, mas acredito que ele não é maior do que a estrutura oferecida pela escola”, pondera Ferreira. Vieira concorda. "Nossos alunos da Educação de Jovens e Adultos entram sem seleção e também têm resultado diferenciado", alega.

Alunos dizem que fazem a diferença
Os alunos pensam diferente. Para a maioria, o diferencial é a seleção, tanto de professores, quanto deles mesmos. "Aqui todo mundo tem um grande interesse em aprender", comenta Laerte Vidal Júnior, de 17 anos, que estudou em escolar particular antes de ser aprovado na seleção do Instituto Federal de São Paulo. O colega Ricardo Oba Costa, da mesma idade, é uma amostra do interesse pelo conhecimento. "Estou fazendo técnico em informática para aprender mais conteúdos da área de exatas. Pretendo cursar filosofia ou sociologia e sou realmente bom nas áreas de humanas, por isso vim para cá, para me ensinarem o que eu não sei", comenta.

Os amigos Caio Nery, de 17 anos, e Carolina Costa Silva, de 18, também acham que os alunos são o grande diferencial. Os dois estudaram o ensino fundamental em particulares, e ela chegou a fazer um cursinho para passar no Instituto Federal de São Paulo. "Sempre quis o melhor. O fato de todos aqui serem inteligentes, bem preparados e interessados faz as aulas renderem mais e os professores poderem ir mais longe", avalia ela.

No caso dos colégios mantidos pelo Exército, 70% dos alunos são filhos de militares (que ainda estão na ativa) e entram sem provas de seleção. Os outros 30% são civis ou militares que precisam passar em concurso. A prioridade das vagas nas escolas é para os estudantes que são transferidos de cidade com os pais.

Perspectivas ampliadas

Para Ângela Menezes, diretora do campus de Planaltina do Instituto Federal Brasília, o papel das escolas federais mudou ao longo dos anos. Inicialmente, o objetivo era colocar jovens de baixa renda no mercado de trabalho, os ajudando a definir uma profissão. Com o destaque que a rede ganhou nos últimos anos, o público e a disputa por vagas mudaram. “Os alunos sabem que, além de sair daqui com uma perspectiva profissional, eles podem ser aprovados nos melhores vestibulares do País e continuar sua formação”, comenta.

No campus de Brasília, um dos dois cursos oferecidos na modalidade integrada com o ensino médio, o de agropecuária, não tem uma concorrência grande. Cerca de quatro candidatos disputam cada vaga. Mas a formação atrai jovens de outros Estados, como Goiás, Minas Gerais e Bahia. Quem não tem condições de se manter pode disputar uma vaga na casa do estudante local, onde receberá alojamento e alimentação.

Os 550 alunos da instituição são atendidos por 68 professores. Desse total, 27 são mestres e sete, doutores. A maioria deles só atua na escola e pode desenvolver projetos de pesquisa e extensão. O salário mínimo inicial é de R$ 2,1 mil. Os alunos também contam com psicólogo, assistente social, médico e dentista para atendê-los. Podem fazer aulas de dança, teatro, música. “O que precisamos hoje é divulgar melhor a rede. Todos os semestres sobram vagas aqui”, afirma Ângela.

Os amigos Italo Daniel da Silva, 16, Ellen Cristina Gomes, 16, Geyse Luiza Fernandes, 16, Bruno dos Santos, 16, Helinton Soares, 16, Marcelo Ricardo da Silva, 16, e Laércio Mendes, 17, escolheram fazer o ensino médio junto com o ensino técnico em agropecuária por causa das possibilidades de mercado. Alguns pensam em cuidar dos negócios da família, que é produtora rural. É o caso de Marcelo, que saiu da Bahia para estudar em Brasília.

“Acho que vamos sair à frente dos outros. A gente amplia muito nossa visão aqui e os professores são muito capacitados”, afirma o estudante do 2º ano do ensino médio. Para os jovens, a experiência prática desenvolvida desde o começo do curso favorece a compreensão, inclusive, de conteúdos teóricos do ensino médio, que talvez não fariam sentido se restritos às explicações em sala de aula.

Italo conta que dificilmente um professor falta às aulas e isso, para ele, é fundamental. “Às vezes, temos aulas até domingo”, conta. “Acho que sairemos à frente na faculdade também”, completa.

IG

Índia se forma em odontologia e vai trabalhar na aldeia em que nasceu

Tenile Mendes, de 22 anos, acaba de se formar em odontologia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Como outros adolescentes, ela teve ajuda da família para escolher a profissão, mas diferente dos colegas, precisou da aprovação das lideranças da aldeia onde cresceu para confirmar a inscrição no vestibular. A jovem é a primeira índia a se graduar pela instituição paranaense. Agora, com o diploma nas mãos, Tenile assumirá uma grande responsabilidade: ela voltará para a aldeia de cerca de 3.500 pessoas para cuidar da saúde bucal de seu “povo”, como gosta de dizer. "Meu principal objetivo era voltar. Profissionais da área da saúde são aqueles que a aldeia mais precisa", afirmou.

A aldeia Pinhalzinho, da etnia kaingang, fica na Terra Indígena Xapecó (com “x” mesmo) dentro do município de Ipuaçu, em Santa Catarina. Na aldeia, trabalham apenas profissionais da saúde indicados por seus habitantes. Segundo a jovem, ela será indicada para atuar no local e será contratada pela recém-criada Secretaria da Saúde Indígena do Ministério da Saúde. O presidente Lula assinou decreto de criação da secretaria em outubro.
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Tratamentos de saúde são a principal necessidade dos povos indígenas, segundo Tenile. A comunidade da jovem dentista sofre com a rotatividade dos cerca de dez profissionais que atuam no local. “São todos brancos. Só vão lá para trabalhar”, disse Tenile.

Filha de um kaingang com uma descendente de italianos, Tenile disse que não conseguiu aprender a língua da aldeia, onde viveu com a família até os 13 anos. Depois disso, mudou-se para a cidade de São Domingos, a 15 quilômetros da aldeia.
Tenile disse que demorou a se adaptar a Curitiba. “Na aldeia, tudo é diferente. É outra realidade. É mais sossegado. Os valores são outros. A política é diferente. A pessoa mais importante é o cacique”, afirmou.

Apesar de tranquila, a vida na comunidade é difícil. Parte de seus moradores tem de se deslocar para cidades próximas para trabalhar e outros têm plantações familiares para consumo próprio. “Dependendo da situação em que está o povo, a Funai manda cestas básicas para as famílias”, disse. Na universidade, Tenile aproveitou para estudar políticas públicas indígenas.

A jovem entrou na universidade após fazer vestibular específicos para indígenas “Estou feliz porque, com tudo que meu povo sofreu todos esses séculos no Brasil, desde a chegada dos portugueses, é um modo de retribuir. Nós somos uma minoria, porque isso é resultado da colonização”, afirmou. A UFPR tem contas suplementares em todos os cursos para índios. Eles fazem um vestibular entre eles e podem optar por fazer prova de línguas kaingang e guarani.

Tenile disse que sofreu preconceito apenas uma vez na universidade e prefere não dar detalhes sobre o caso. “Ocorreu uma vez uma situação. Uma pessoa falou algo. Entendi errado e depois resolvemos”, afirmou.

Durante o curso, os colegas viviam fazendo perguntas e pediam para que ela contasse histórias da aldeia. “Todo mundo ficava empolgado”, disse a jovem, que levou amigas para conhecerem sua comunidade em Santa Catarina.

G1