segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Enfrentar o preconceito: a prova mais difícil do ProUni

Os colegas de turma de Juliano Tenório da Silva, estudante de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não o cumprimentam nos corredores da instituição. Nayla Paganini, também aluna da PUC-SP, é alvo de comentários por não se vestir com roupas caras como as outras garotas da classe. Já o publicitário José Geraldo da Silva Junior, que estudou na Universidade Metodista de São Paulo, ainda não entende por que o nome dele e dos outros bolsistas da sala vinham por último na lista de chamada, fora da ordem alfabética. Os três conseguiram ingressar em instituições de ensino conceituadas da cidade graças ao Programa Universidade para Todos do Ministério da Educação, o ProUni, que concede bolsas em universidades particulares para alunos de baixa renda (leia as histórias de cada um deles aqui).

Neste ano, 84.817 estudantes foram beneficiados no Estado de São Paulo com auxílios integrais ou parciais. À medida que o programa amplia o acesso das camadas sociais mais baixas ao ensino superior pago, aumentam também os casos de bolsistas que se sentem vítimas de preconceito na sala de aula.

Na semana passada, o Jornal da Tarde noticiou o caso da estudante negra Meire Rose Morais, de 46 anos, que recebeu e-mails ofensivos e racistas de uma colega de classe da PUC-SP. Tudo começou quando, às vésperas do segundo turno das eleições, Meire encaminhou uma análise política para a lista de e-mails de sua classe. Em poucos minutos, 33 e-mails de uma única pessoa lotavam sua caixa de entrada: eram piadas preconceituosas e uma mensagem de que Meire nunca mais irá esquecer.

Em um mesmo texto, a agressora chamava a aluna de prostituta, caracteriza seu pé como “grotesco”, zombava de seu cabelo e ainda criticava suas roupas. “Chorei durante cinco dias. Fiquei me sentindo um nada, ela quis me ofender em todas as minhas características”, lembra.Meire conta que o e-mail foi o ápice do preconceito, com o qual ela já convivia, em doses menores, desde o início do curso.

“Quando entrei na PUC, em 2005, existia um clima de medo, como se os alunos do ProUni fossem fazer a qualidade da instituição cair”, diz. Por isso, segundo a estudante, os bolsistas sempre sentiram vergonha de se manifestar, com medo de ser apontados como aqueles que estavam prejudicando a qualidade do ensino.

Na sexta-feira, as agressões contra Meire provocaram uma reação na universidade. Em moção de repúdio assinada pelas associações dos professores e dos funcionários da PUC e pelo Conselho dos Centros Acadêmicos da universidade, a atitude foi caracterizada como reveladora de um “ódio antipovo”, marcado pela “presença de uma intolerância raivosa no interior da PUC-SP, que se dirige contra tudo o que se diferencie de um pretenso padrão estético, moral e político”.

Prestes a concluir o curso de Direito, Meire vai apresentar nesta semana um requerimento administrativo na PUC-SP para que a universidade ouça os alunos envolvidos na questão e avalie a punição para os responsáveis. Além disso, pede que a universidade desenvolva atividades oficiais de combate à intolerância. Procurada pela reportagem, a PUC-SP não se manifestou sobre o caso.

Para a educadora Quézia Bombonatto, esse tipo de comportamento pode ser considerado como uma forma de bullying. “Embora seja mais comum entre adolescentes e crianças, muitos sofrem bullying na universidade e no trabalho. A universitária que ofendeu a outra estudante com certeza não consegue lidar com a diversidade e sente-se ameaçada em seu reduto”, analisa.

Para o advogado Cleyton Wenceslau Borges, representante da Uniafro Brasil, instituição educacional voltada para negros e pessoas de baixa renda, é importante que as universidades conveniadas ao ProUni disponham de um espaço institucional para tratar do tema do preconceito. “Corre-se o risco de aumentar a distribuição de bolsas sem que essas instituições se voltem para dentro de si para verificar se está havendo esse tipo de enfrentamento racial”, acredita.

FRASES

"O aluno universitário que pratica o preconceito também é vítima de uma sociedade que não o preparou para conviver com as diferenças” FREI DAVID R. DOS SANTOS, FUNDADOR DA EDUCAFRO

"Chorei durante cinco dias. Fiquei me sentindo um nada, ela quis me ofender em todas as minhas características”,MEIRE ROSE MORAES, ALUNA DE DIREITO DA PUC, VÍTIMA DE E-MAILS PRECONCEITUOSOS DE UMA COLEGA

"É como se eu carregasse uma placa dizendo que sou diferente dos outros, que sou bolsista”, jULIANO TENÓRIO DA SILVA, ALUNO DE DIREITO DA PUC

"Não conseguimos nos integrar nos grupos de trabalho, ficamos em um grupo isolado. Estava excluído. Os outros alunos comentavam que eles é que pagavam a mensalidade”, JOSÉ GERALDO DA SILVA JUNIOR, FORMADO EM PUBLICIDADE PELA METODISTA.

Estadão

Ensino obrigatório de música na escola ajuda a estimular lógica

Milhares de pré-adolescentes se acotovelaram nos cinemas nos últimos anos para assistir aos filmes da franquia High School Musical, sobre alunos de Ensino Médio que montam um coral. Mais recentemente, uma galera tem se fixado em frente a TV para acompanhar os episódios de Glee, série em que os personagens reerguem o coral da escola. Agora, o que se vê nas telas deverá ser realidade em todas as escolas do País. É que vai entrar em vigor a lei, aprovada em 2008, que obriga todas as instituições de ensino a oferecerem aulas de música na educação básica a partir de agosto do ano que vem. "Ela faz parte da formação integral do ser humano", apoia quem é fã de carteirinha da medida, a irmã Sandra Regina, coordenadora do departamento de música e vice-diretora do Colégio Mãe de Deus, em Londrina. "A gente percebe que os alunos que têm contato com instrumentos musicais ou com o canto costumam ter as melhores notas", analisa.

Para a irmã Sandra, música não é apenas uma atividade de descontração e lazer dentro do currículo. Ela atribui o bom desempenho dos estudantes ao desenvolvimento do raciocínio lógico que a teoria musical traz. Ela mesma é um bom exemplo dessa interdisciplinaridade: é professora de violino, mas também tem formação em Matemática.

No colégio Mãe de Deus, há aulas de musicalidade a partir dos 4 meses de vida, em lições extra-curriculares abertas à comunidade. "Vem gente de outras cidades para ter as aulas", orgulha-se. Quando os alunos são muito pequenos, eles são acompanhados por um adulto - normalmente a mãe ou o pai - e dois professores por grupo ensinam desde canções folclóricas a muitos outros gêneros.

As crianças também são apresentadas aos diferentes instrumentos e até manipulam os objetos um pouco. "O trabalho é musicalizá-los tanto auditivamente como visualmente", explica. Mais que isso, é um momento de os pais estreitarem laços com os seus filhos, já que passam mais um tempo juntos.

Apesar de as aulas não serem individuais, todos aprendem a tocar os instrumentos. Entre a educação infantil e o primeiro ciclo do Ensino Fundamental (de 1ªa a 4ª série), as crianças aprendem a tocar flauta doce. De 5ª a 8ª série, são ensinadas noções de piano, como a localização das notas.

Devido à pesada carga horária do Ensino Médio, essas aulas são mescladas com as de artes plásticas, mas a ideia é separá-las no futuro. Especialmente depois do vestibular da Universidade Estadual de Maringá, em julho, que surpreendeu estudantes com uma questão sobre teoria musical. "Tiveram alguns alunos que ficaram bravos, porque nem todos os colégios já se adequaram à lei", lembra a violinista. "Os nossos sabiam responder a questão", completou.

Terra

UFRN divulga gabarito do 1° dia de prova do vestibular 2011

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) divulgou o gabarito das provas do primeiro dia do vestibular 2011, realizado neste domingo. As respostas corretas das provas estão disponíveis no site da instituição: www.comperve.ufrn.br. O exame foi composto de 48 questões de múltipla escolha distribuídas entre ciências da natureza, matemática, física, química e biologia e 12 questões de linguagens, códigos e língua estrangeira.

A data da divulgação do resultado final do processo seletivo ainda não foi informada pela instituição.

As informações sobre este processo foram divulgadas pela faculdade ou instituto responsável pelo exame. Nem sempre as alterações no processo são informadas ao Terra Vestibular. Em caso de dúvidas, consulte diretamente o site da instituição.

Terra

Webcams são conforto para pais preocupados

Depois de seis meses com o seu filho, chega a hora de voltar ao trabalho. A solução é deixá-lo na creche, onde será bem cuidado por profissionais competentes. Mas será mesmo? A tecnologia pode ajudar os pais a permanecerem sossegados quando se trata do cuidado do seu bebê. Uma moda em todo o Brasil, as escolinhas já costumam se munir de webcams, para o descanso das famílias. São câmeras colocadas estrategicamente nos espaços em que convivem as crianças bem pequenas, que ainda não falam e, assim, não podem contar sobre o seu dia quando voltam para a casa. O dispositivo produz imagens ao vivo, transmitidas pelo site da instituição. Então, os parentes podem ver os pimpolhos a partir de uma senha individual, que é trocada com frequência.

A unidade no bairro Moema da Piu Piccoli, em São Paulo, existe há 18 anos e é uma das que aderiu à tendência, dois anos atrás. "É uma tranquilidade para os pais", explica a mantenedora Renise Carvalho, que lembra que seguiram os passos de outras creches em relação às webcams. Para os bebês de dois anos, há câmeras em todos os cômodos em que convivem. Nos espaços coletivos como o pátio e o tanque de areia, há dispositivos para que as famílias das crianças maiores também fiquem descansados.

Apesar de haver a possibilidade de checar as câmeras sempre que se quiser, Renise nota que essa prática é bem mais comum quando os pequenos começam a frequentar a creche. "Monitoram muito no primeiro mês, até se tranquilizarem", conta. Depois vão abandonando a ideia, com a certeza de que os filhos estão bem cuidados.

As webcams podem constranger um pouco as professoras, já que a ferramenta gera a sensação de vigília constante. Porém, a diretora orgulha-se de nunca ter recebido uma reclamação sobre algo que um pai viu pela câmera. "No máximo, ligam quando cai a rede da internet". Mais do que um dispositivo de segurança, a ferramenta tem sido um canal de afeto. "Muitos avós também acessam, especialmente os que moram longe, para verem os netos."

Terra

Editora lança biblioteca virtual para escolas

A Editora Callis lançará, no próximo dia 7 de dezembro, a primeira biblioteca de livros digitais no Brasil. O seminário "Letramento Digital na Escola 3.0" está sendo organizado junto com o Instituto Canal do Livro e irá reunir diretores, professores e interessados em educação. As inscrições podem ser feitas no site da editora: www.callis.com.br. A biblioteca contará com 40 livros infantis de autores brasileiros, onde cada página do livro será animada, com personagens em movimento e lugares para clicar e tornar a página colorida. Terá também um hiperlink onde a criança poderá descobrir o significado das palavras. Todos os livros têm a opção de escolher narração. Além disso, o compositor Kalau desenvolveu uma trilha sonora exclusiva para cada livro.

A biblioteca é voltada principalmente para escolas particulares e será vendida por assinatura. Todo conteúdo terá uma aplicação didática para ser utilizado em sala de aula, com o objetivo de praticar a interpretação de texto dos alunos.

Estão programadas três palestras: "As tendências do uso da tecnologia educacional via web", com César Nunes; "Os professores e o desafio da leitura: O que fazer para que nossos alunos leiam mais e melhor", com Débora Vaz; e "Letramento digital na sala de aula: um mundo a explorar", com Luiz Chinam. Além das palestras também haverá uma oficina para ensinar os professores a usarem o recurso em aula.

A Callis está oferecendo 20 vagas gratuitas para participar do evento. As inscrições vão até o dia 3 de dezembro e podem ser feitas no site da editora: www.callis.com.br. Os dez primeiros que se inscreverem participarão da parte da manhã do evento, e os dez últimos das oficinas.


Terra

Haddad faz balanço sobre educação e diz que nenhuma promessa deixou de ser cumprida

Ao fazer um balanço das ações no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou hoje (29) que não há uma área na pasta que deixou de ser aprimorada nos últimos oito anos. “São mais de 100 atos normativos. Nós praticamente redigimos uma nova Constituição. Todo o capítulo da educação foi reescrito”, disse. Haddad citou o que considera uma coleção de indicadores importantes para a educação do ponto de vista quantitativo e qualitativo, como a ampliação de universidades federais, de campi, de escolas técnicas e da frota escolar. O ministro citou ainda as definições sobre o piso salarial dos professores e as melhorias na merenda escolar. “Nenhuma promessa deixou de ser cumprida”, afirmou.

Para Haddad, a decisão do governo de triplicar o orçamento da educação foi fundamental. “Quero crer que os próximos dez anos serão ainda melhores do que os últimos dez anos. Não há um único indicador que tenha sofrido qualquer retrocesso, ao contrário de décadas passadas. Conseguimos compatibilizar quantidade e qualidade”, concluiu.

O ministro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participaram hoje da cerimônia de entrega de 30 escolas de educação profissional e de 25 campi de universidades.

UOL

Lula: falta de investimento em educação transformou jovens em bandidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou nesta segunda-feira (29) os governos anteriores pela falta de investimento nas últimas duas décadas na área educacional que "transformou os jovens em bandidos". “Ao não colocar dinheiro na educação, porque a gente criou durante 20 anos neste país? Um exército de jovens que não tiveram oportunidades. Muitos deles com 25 anos sendo presos hoje em qualquer lugar deste país porque nos anos 80 nos anos 90 não tiveram educação e não tiveram oportunidade de trabalhar. Essa é a verdade nua e crua”, avaliou o presidente em evento no Palácio do Planalto, em que foram entregues 30 escolas federais de educação profissional e 25 campi universitários.

Lula ironizou o fato dos outros governos destinarem menos recursos para a educação e que ainda tinham de cumprir com os compromissos de gastos com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Eles não nasceram bandidos, eles foram transformados em bandidos por políticas equivocadas, por visões errôneas e nós estamos percebendo que é a motivação da juventude de hoje - não apenas as escolas técnicas e as universidades, mas em coisa como o Pró-jovem”, completou o presidente.

Lula disse ainda que irá no dia 15 de dezembro registrar em cartório todos os feitos do governo e irá distribuir o documento em sindicatos, universidades e na redações dos veículos de comunicação.
Haddad no governo Dilma

“Não sei se o Fernando [Haddad] vai continuar na Educação", declarou o presidente rapidamente em seu discurso no evento. Com relação ao assunto, Lula reiterou que não cabe a ele indicar ou sugerir nomes para a composição ministerial de sua sucessora, a ex-ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

“Eu acho que a Dilma tem as mesmas preocupações que eu tenho. Ela tem condições de manter a relação com vocês mais apurada. (...) To dizendo aqui que eu não posso indicar ministro. Se pudesse pedir uma vaga, eu pedia para mim”, brincou.

Segundo presidente, cabe a petista eleita definir o “time” que irá comandar. “Se você monta um time de futebol e não comanda os jogadores, os jogadores derrubam o técnico”, comparou.
Entrega de campi

O presidente Lula e o ministro da Educação, Fernando Haddad, entregaram hoje 30 escolas federais de educação profissional – 18 já em funcionamento e 12 com previsão para o início de 2011. Foram inaugurados ainda 25 campi ligados a 15 universidades federais.

A iniciativa faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e representa o avanço do Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais (Reuni).

As 30 escolas federais de educação profissional estão localizadas no Amazonas, na Bahia, no Ceará, no Espírito Santo, em Goiás, no Maranhão, em Minas Gerais, em Mato Grosso, no Pará, em Pernambuco, no Piauí, no Rio de Janeiro, em Rondônia e em Santa Catarina.

Os 25 campi foram inaugurados no Amazonas, na Bahia, no Maranhão, em Minas Gerais, no Pará, na Paraíba, em Pernambuco, no Piauí, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

UOL

Gerundismo: Vício de Linguagem

Você pega o telefone, liga para a companhia telefônica para fazer uma queixa e, do outro lado da linha, um rapaz simpático informa: “a senhora pode estar respondendo algumas perguntas?”, “nós vamos estar passando o problema para a equipe técnica. A senhora vai estar pagando uma taxa de reparo....” É comum nos últimos dias ouvirmos expressões como essas a todo o momento. Trata-se de um fenômeno com implicações semânticas e pragmáticas, usadas, na maioria dos casos, quando o falante não quer repassar a idéia de ações simultâneas, quando a duração não é prioridade.

O gerundismo é uma locução verbal na qual o verbo principal apresenta-se no gerúndio. Seu uso no português brasileiro é recente, é considerado por muitos como vício de linguagem, uma vez que seu uso é demasiadamente impreciso.
O gerúndio não é nefando, ele pode ser usado para expressar uma idéia, uma ação em curso, que ocorre no momento de outra. O seu correto emprego se dá quando se pretende exprimir uma ação durativa, um determinado processo que terá certa duração ou estará em curso.

A expressão “vou estar reservando” dá idéia de um futuro em andamento, no lugar de “vou reservar”, ou ainda, "reservarei", que narra algo que vai ocorrer a partir do momento da fala.
A origem mais provável para tal estrutura remete-se aos manuais americanos de treinamento de operadores de telemarketing, onde a estrutura “we’ll be sending tomorrow” aparecia com freqüência.
Ao traduzir para o Português, a estrutura ganhou tradução literal (“vamos estar enviando amanhã”) e se espalhou.

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura
Equipe Brasil Escola

Campanha sobre racismo nas escolas será "puxão de orelha" na sociedade, diz secretária

Em um Mundo de Diferenças, Enxergue a Igualdade. Esse é o tema de campanha lançada hoje (29) pelo Ministério da Educação (MEC) e a Unicef para alertar sobre o impacto do racismo nas escolas e promover iniciativas para a redução das desigualdades. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que das 530 mil crianças entre 7 e 14 anos fora da escola, 330 mil são negras. O índice representa 62% do total. Para a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira, a iniciativa é um “puxão de orelha na sociedade em geral e nos responsáveis pelas políticas públicas para o setor”, porque chama a atenção para a criminalização da adolescência negra no país.

A campanha tem como fundamento as dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo. Entre elas, o incentivo ao comportamento respeitoso e à denúncia, além da lembrança de que racismo é crime inafiançável. “Educação é mais do que aprender a ler, escrever e contar. É aprender a viver junto, a não se intimidar diante da opressão e encontrar na vida forças para enfrentar resistências”, afirmou o secretário de Educação Continuada do MEC, André Lázaro.

A campanha terá dois filmes, de 27 segundos e de 30 segundos, veiculados na televisão e na internet. Foi criado também um blog, no endereço www.infanciasemracismo.org.br. Na página, o internauta vai poder contar também histórias de sucesso ou de discriminações que tenha sofrido ou presenciado. O blog ficará no ar durante um ano, tempo de duração da campanha.

UOL

Aulas atraentes e diversificação do currículo escolar podem diminuir evasão

Tornar as aulas mais atraentes e diversificar o currículo escolar. As duas alternativas foram apontadas como essenciais para evitar a evasão de jovens do ensino médio. O assunto foi discutido, na ultima semana, durante o seminário “Como Aumentar a Audiência no Ensino Médio”, que aconteceu em São Paulo (SP). “Os alunos evadem, porque a escola é chata e longe do seu mundo”, afirmou o integrante do Instituto Inhotim, Cláudio de Moura Castro. Segundo ele, é preciso ensinar aquilo que faz parte do cotidiano do jovem. “Há maneiras de dar vida para assuntos que são obrigatórios”.

Durante o evento, foi lembrado que entre os jovens economicamente ativos de 18 a 24 anos, apenas 40% completam os primeiros 11 anos de estudo. A informação é da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre o ano de 2009.

“O Enem sinalizou para algo importante mesmo com o problema de logística. O que está por trás? Quatro áreas do ensino que mostram que a escola tem que mudar a maneira de ensinar”, analisou o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Francisco Soares. “Precisamos de propostas concretas, de ousadia. Alguns alunos aprendem o que o vestibular pede e esquecem tudo no segundo seguinte”.

Para tornar a escola mais atrativa, o professor também citou como pontos interessantes a premiação dos alunos que permanecem frenquentando as aulas, a melhora da qualidade de ensino, a alteração no currículo escolar e o aumento da supervisão dos estudantes que têm maior probabilidade de evadir.

“Os sinais começam dois ou três anos antes da evasão. Faltas, repetência e a não realização de tarefas são alguns deles”, alertou Soares. De acordo com o professor da UFMG, adaptar o projeto político pedagógico de forma a prever ações dos jovens com tendência a evadir, informar os professores sobre os alunos nesta condição e instituir programas de recuperação e reforço deveriam ser ações adotadas pelas escolas.

A aproximação do professor com o aluno em sala de aula também traz benefícios, de acordo com os participantes do seminário. “O educador que sabe escutar o que eles querem e avaliar o que sabem poderá atuar melhor, respeitando e compreendendo a dificuldade do aluno”, apontou o representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros.

“Antes, o professor era a única fonte de informação. Hoje, o aluno vê as coisas mais cedo na Internet. O professor deve ter a capacidade de sistematizar a quantidade de informação que os alunos já têm”, completou.

Envolver os alunos na escolha de disciplinas eletivas foi ressaltado como importante pela integrante do International Institute for Educational Planning, Françoise Caillods. Para melhorar as condições de aprendizagem, a Escola Estadual Edmundo Rocha, localizada em Goiânia (GO), por exemplo, conta com matérias opcionais no ensino médio, como matemática financeira, teatro e redação.

Para o membro do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), Simon Shwartzman, o currículo escolar, que conta com entre 12 e 14 matérias anuais, é extremamente sobrecarregado. “As pessoas têm interesses e condições diferentes para aprender e isto precisa ser respeitado”, disse.

Também, Barros afirmou que encurtar o período letivo de um ano para um módulo semestral ajuda o aluno a não desistir de estudar. “Reprovação anual desperdiça tempo e desestimula. Dividido em semestre, a penalização por não ter bom desempenho é apenas de seis meses, o aluno não terá que fazer um ano inteiro novamente”.

“Pessoas com nível médio completo ganham 60% a mais de salário do que quem tem apenas o ensino fundamental. Com o superior, ganham 130% a mais do que o ensino médio”, lembrou o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Reynaldo Fernandes.

“Conseguir concluir o ensino médio é um requisito mínimo para elevar o nível educacional da massa trabalhadora. Além dos benefícios individuais, contribui para diminuir a pobreza e para uma classe mais instruída e inovadora. Educação está no centro do processo de desenvolvimento”, concluiu Françoise.

UOL

Unicef lança campanha para combate ao racismo contra crianças

Trinta e um milhões de crianças negras e 150 mil indígenas que vivem hoje no Brasil são o alvo de uma campanha lançada hoje (29) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O objetivo é combater a discriminação racial contra a população dessa faixa etária.
Os números mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que as crianças negras e indígenas são mais vulneráveis em diversos aspectos. Mais de 60% da população de 7 a 14 anos que não frequenta a escola são negros. O índice de mortalidade infantil entre os indígenas é duas vezes maior do que a taxa nacional: 41 mortes para cada mil nascidos vivos contra 19/1000 no total da população.

Para a especialista de Programas de Proteção à Infância do Unicef no Brasil, Helena Oliveira Silva, os números mostram que a raiz do problema da desigualdade está além da questão socioeconômica. “Apesar do avanço das políticas públicas brasileiras, alguns grupos de famílias e crianças continuam em situação de vulnerabilidade. Grupos que historicamente vinham sendo ausentes na políticas, permanecem na mesma condição”, destaca.
Helena aponta que o preconceito ocupa uma dimensão “muito subjetiva” no dia a dia da criança, seja na escola ou em outros ambientes. Pela vulnerabilidade da própria idade, o preconceito causa impacto nesse público com mais força. “A criança vítima de preconceito, que é estereotipada, tem o desenvolvimento da sua identidade afetado. Isso marca a infância dela”, afirma.

Apesar de tratar da população negra e indígena, Helena lembra que o alerta da campanha é para toda a sociedade. “Nossa responsabilidade como adulto é trabalhar para que a situação não se perpetue. Diante de uma situação de discriminação no cotidiano, muitos não sabem como explicar de forma adequada a questão da diversidade para uma criança, seja ela branca, negra ou indígena”, explica a representante do Unicef.

Para chamar a atenção sobre o problema, além de peças publicitárias o fundo vai lançar um blog e uma cartilha com orientações para a população. O material mostra dez maneiras de contribuir para uma infância sem racismo.



UOL

Educação empreendedora passa noções de respeito às diferenças e sustentabilidade

Quando Felipe Piccinin Rossatti, 20, foi eleito presidente da Docitos SA, em 2006, levou o trabalho na brincadeira. Hoje, ele vê o quanto foi útil a experiência empreendedora que teve com o projeto Miniempresa, do qual participou quando estudava em uma escola estadual de Limeira (151 km de SP). A vivência de marketing, recursos humanos, produção e finanças da fabricante de brigadeiros criada por Felipe e seus colegas está sendo utilizada agora na loja de vinhos que ele abriu.

Aplicado pela organização Junior Achievement no mundo todo, o Miniempresa chegou ao Brasil em 1983, como uma experiência pioneira de educação empreendedora.

De lá para cá, tanto redes públicas quanto colégios particulares brasileiros passaram a tratar do assunto em sala de aula, seja em uma disciplina específica, em um curso extracurricular ou em projetos interdisciplinares.

No entanto, mais do que ensinar como funciona uma empresa, a principal preocupação hoje é usar a experiência corporativa para passar noções de respeito às diferenças, sustentabilidade e organização do tempo. "Não queremos que o aluno saia apenas como um possível bom empreendedor, mas que saiba lidar com o outro", diz Atílio Monteiro Júnior, coordenador pedagógico da 2ª série do ensino médio do São Luís (centro).

Em Curitiba, a rede Dom Bosco mudou radicalmente o ensino do tema. Criado em 2004, o projeto Dom Empreendedor "incentivava um grau de consumismo exagerado", diz Celia Bitencourt, diretora da unidade Batel.

Até 2009, o programa focava no desenvolvimento de um produto. Agora, prioriza a construção da postura empreendedora, e criar um produto passou a ser opcional.

OUTRAS MATÉRIAS

Outra função da educação empreendedora é despertar o interesse pelas disciplinas obrigatórias, diz Fernando Dolabela, criador de uma pedagogia implantada em 126 cidades do país.

"Os adolescentes que abrem uma empresa melhoram muito o rendimento escolar. Eles entendem que têm de falar um bom português para entender os contratos e que têm de estudar matemática para calcular juros."

Ricardo de Paula Rocha, 16, aluno do Consa (zona sul), percebeu isso ao estudar um plano de negócios.
Escrevendo relatórios semanais sobre uma cantina italiana fictícia, Ricardo e os colegas melhoraram a escrita.

"[O tema] faz os alunos estabelecerem melhor as relações entre as disciplinas e a prática", diz Steevens Beringhs, professor da Escola Internacional de Alphaville (Grande SP). "As competências trabalhadas -analisar, criar, trabalhar em um projeto- são importante para todas as matérias", diz Bernhard Beutler, diretor da Suíço-Brasileira (zona sul).

MARKETING

Para a professora de pedagogia da USP Silvia Colello, quando essas iniciativas estão afinadas com o projeto pedagógico da escola, elas são muito válidas. Mas ela alerta: "Às vezes, as escolas usam [as atividades não obrigatórias] como marketing".

Folha

Total de alunos de classe D já é o dobro da A nas universidades

A classe D já passou a classe A no número total de estudantes nas universidades brasileiras públicas e privadas. Em 2002, havia 180 mil alunos da classe D no ensino superior. Sete anos depois, em 2009, eles eram quase cinco vezes mais e somavam 887,4 mil. Em contrapartida, o total de estudantes do estrato mais rico caiu pela metade no período, de 885,6 mil para 423, 4 mil. Os dados fazem parte de um estudo do instituto Data Popular. “Cerca de 100 mil estudantes da classe D ingressaram a cada ano nas faculdades brasileiras entre 2002 e 2009, e hoje temos a primeira geração de universitários desse estrato social”, observa Renato Meirelles, sócio diretor do instituto e responsável pelo estudo. Essa mudança de perfil deve, segundo ele, ter impactos no mercado de consumo em médio prazo. Com maior nível de escolaridade, essa população, que é a grande massa consumidora do País, deve se tornar mais exigente na hora de ir às compras.

O estudo, feito a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela também que as classes C e D respondem atualmente por 72,4% dos estudantes universitários. Em 2002, a participação dos estudantes desses dois estratos sociais somavam 45,3%.

São considerados estudantes de classe D aqueles com renda mensal familiar entre um e três salários mínimos (de R$ 510 a R$ 1.530). Os estudantes da classe C têm rendimento familiar entre três e dez salários mínimos. Já na classe A, a renda está acima de 20 salários mínimos (R$ 10.200).

A melhoria da condição financeira que permitiu inicialmente a compra do primeiro carro zero e do celular aos brasileiros de menor renda também abriu caminho para que eles tivessem acesso ao ensino superior. Pesquisa do Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA), que mede a intenção de compra dos consumidores por classe social, revela que subiu de 15%, no terceiro trimestre, para 17%, neste trimestre, a capacidade de gasto com educação em relação à renda da classe C.

Além da renda maior, Meirelles ressalta outros fatores que provocaram essa mudança de perfil socioeconômico dos universitários. Um deles é a universalização do ensino de segundo grau. Também contribuíram as bolsas de estudo do Programa Universidade para Todos (ProUni) e a proliferação de universidades particulares.

Agência Estado

Haddad defende maior integração na área educacional entre países do Mercosul

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse hoje (26), na 39ª Reunião de Ministros da Educação do Mercosul, no Rio de Janeiro, que os países do bloco precisam evoluir em termos de cooperação na área educacional. Na reunião, foi consenso, entre os ministros da Educação de países do bloco, a criação de um Fundo de Educação do Mercosul, com previsão de implantação em 2011, para diminuir as assimetrias entre os integrantes. Haddad destacou o trabalho de intercâmbio docente que está sendo realizado para integrar a cultura na região, levando professores brasileiros que estão se formando em espanhol para países do Mercosul e trazendo docentes para o Brasil nos cursos de licenciatura ou letras.

“O Brasil vai custear o projeto piloto de 350 bolsas para que isso [o intercâmbio de professores entre os países do bloco] se desenvolva com mais força num futuro próximo. Eu entendo que esse intercâmbio vai fortalecer tanto os laços culturais que unem os países do Mercosul, como vai melhorar muito a capacidade de ensino desses professores. Assim como vai disseminar a língua portuguesa pelo continente”, afirmou o ministro.

Ele ressaltou, ainda, a importância de se estabelecer prioridades para saber o que é possível ser executado nos próximos cinco anos. E lembrou que a pauta de educação já é muito ampla somente no âmbito nacional. Segundo Haddad, o Brasil tem uma rede de 160 universidades, número suficiente para estabelecer o intercâmbio de professores.

“É a expansão da cidadania pelo mérito acadêmico, derrubando fronteiras pela educação. Os professores devem gozar dessas possibilidades”, concluiu.

Os ministros discutiram, na reunião, as políticas de intercâmbio regional para o período que vai de 2011 a 2015. O objetivo do encontro foi discutir um plano comum de desenvolvimento educacional para o bloco. Alguns deles observaram que é necessário desenvolver sistemas mais equitativos entre os países.

Foi feito um balanço sobre as ações dos últimos anos e o ministros destacaram a expansão no número de bibliotecas e das atividades com direitos humanos e educação ambiental. A interação com outros blocos e organismos internacionais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), além de um diálogo constante com a sociedade civil também foram discutidos.

UOL

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Experimento da UFRN levará cana para o espaço

Um experimento espacial, pioneiro no mundo, está sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) por meio do seu Instituto Nacional de Estudos do Espaço (Inpe). Entre 12 a 14 de dezembro - dependendo das condições de tempo ideais - serão lançadas 12 mudas de cana-de-açúcar ao espaço, através do foguete VSB 30, na base de lançamentos de foguetes de Alcântara, no estado do Maranhão. O objetivo é apresentar informações e estudos sobre os efeitos dessas cepas quando expostas em regiões acima de 110km de altitude, onde já não há mais a ação da gravidade. Por meio dessa iniciativa, também serão avaliados futuros trabalhos com experimentos relacionados a bactérias e medicamentos. O doutor da UFRN e astrônomo Renan Medeiros fala que o a espécie da cana-de-açúcar foi escolhida por causa de sua importância agronômica para a região Nordeste e ao país. "Além disso, já existem algumas bases de dados contendo informações sobre o genoma dessa espécie", ressalta o professor. As mudas estarão esterelizadas e serão contidas em duas caixas de alumínio herméticas.

Durante os testes elas deverão ser submetidas durante seis minutos a ausência da gravidade, chegando a altitude de 270km, quando finalmente a carga útil do foguete for lançada ao mar. "Após a carga útil ser recuperada, levaremos de seis meses a um ano para apresentar os primeiros resultados" informa o professor.

Desde fevereiro desse ano, o projeto Vegetal Gravity Product (VGP), que teve o custo inicial de R$ 200 mil, vem sendo acompanhado pelo Laboratório de biologia molecular e genômica da UFRN. Os estudos de análise molecular dessas plantas, além da identificação das mensagens produzidas durante o experimento, serão conduzidas pela a cientista bióloga Kátia Scortecci, do Departamento de Biologia Celular e Genética da UFRN. Para o astrônomo Renan Medeiros, as expectativas desse experimento pioneiro podem ser surpreendentes "Como cada planta é única, não dá para prevêos resultados" comenta.

Diário de Natal

Merenda escolar: novas regras para a distribuição dos recursos para alimentação começam a vigorar em 2011

A partir de 2011, os gestores do Programa Nacional de Alimentação Escolar nos estados e municípios terão de seguir novas regras, ao prestar contas dos gastos feitos com os recursos enviados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a merenda dos alunos das redes públicas de ensino. Um novo formulário foi concebido para reunir informações sobre as três fases da prestação de contas e, assim, facilitar sua apreciação pelas áreas técnicas do fundo. Com explicações claras e orientações sobre seu preenchimento, o documento não apenas torna mais fácil o trabalho do governo, como também vai ajudar os gestores municipais e estaduais a fazer uma prestação de contas precisa. O documento foi apresentado no 5º Encontro Nacional de Alimentação Escolar, realizado no dia 19 de novembro, em Salvador (BA).

“Com o formulário, o número de prestações de contas com erro vai diminuir muito”, acredita Orvalina Ornelas, coordenadora geral de prestação de contas do FNDE. Segundo ela, cerca de 40% desses erros são meramente formais, como a falta de assinatura do responsável, o esquecimento de juntar o extrato bancário à documentação ou o preenchimento incorreto do formulário.

Novidades – O roteiro para o parecer dos conselhos de alimentação escolar (CAE) sobre a situação em seus estados ou municípios também traz novidades. O FNDE elaborou um passo a passo detalhado sobre como o CAE deve acompanhar as atividades dos órgãos públicos responsáveis pela merenda, desde a compra dos alimentos até a distribuição das refeições aos alunos. “Este roteiro incentiva o olhar crítico do conselheiro, já que não é meramente um questionário, mas sim um documento com informações sobre como deve ser executado o programa e perguntas sobre como o programa está sendo desenvolvido no município”, diz a nutricionista Carolina Chaves, do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição do Escolar da Universidade de Brasília.

Para a coordenadora nacional do programa de alimentação escolar, Albaneide Peixinho, os novos formulários de prestação de contas e roteiro para o parecer do CAE são ferramentas inovadoras, que ajudarão o FNDE a ter uma radiografia da situação da merenda escolar em todo o país.

Albaneide lembra, ainda, que estados e municípios devem estar atentos à prestação de contas das compras da agricultura familiar para a alimentação escolar. A legislação determina que, se um município recebeu do programa R$ 100 mil em 2010, no mínimo R$ 30 mil terão de ser gastos com alimentos da agricultura familiar.

Com informações do MEC

Projeto de aluno articula escola e comunidade pela comunicação e vira política pública

“Fiz uma análise e percebi um desânimo muito grande nos alunos das escolas do meu município. As taxas de evasão escolar são altas”. A partir desta constatação, o estudante Daniel Paiva, do 2º ano do ensino médio da Escola Profissional Amélia Figueiredo de Lavor, localizada em Iguatu, no Ceará, desenvolveu um projeto para articular escola e comunidade por meio da comunicação. A proposta foi tão boa que virou política pública. Apresentado na 25ª Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), que ocorreu em Novo Hamburgo (RS), no final de outubro, o projeto “Mídia e Cidadania: O Protagonismo Comunicativo no Campo Educacional” propõe a aplicação de estratégias de comunicação para renovar o papel da escola e aumentar seu relacionamento com a sociedade. “A educação se tornou defasada também por falta de métodos educativos interessantes”, acredita o jovem de 16 anos.

Após pesquisar processos de educação, Daniel articulou, em três escolas de Iguatu – onde estão cerca de 10% da juventude do município –, um sistema para a produção de meios comunicativos feitos pelos estudantes de forma autônoma. Participaram do projeto a Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o Centro Educacional Municipal Padre Januário Campos e a Escola Profissional Amélia Figueiredo de Lavor.

Pensando no protagonismo juvenil como fonte de resolver problemas da sociedade, o estudante apostou na formação do que chamou de Núcleos Escolares de Comunicação (NEC), que tem como objetivo subsidiar os alunos para o acesso e a produção dos meios comunicativos.

“A parte prática do projeto foi organizar palestras e oficinas de formação teórica para que os jovens pudessem ter embasamento e, então, se articular e trabalhar com a comunicação”, explica Daniel.

Por meio do projeto, os alunos das três escolas realizaram atividades como leitura e conto de histórias e apresentações teatrais para crianças, além da premiação do I Concurso Municipal de Redação Jornalística, a Rádio Escola Roda Viva e a produção e veiculação de cordéis – literatura popular, típico na região.

Segundo Daniel, o projeto funcionou tão bem, que ele resolveu apresentá-lo à Prefeitura Municipal de Iguatu. Em 28 de outubro de 2009, a secretária de Educação do município, Maria Benildes Uchôa, assinou um documento para a implantação da metodologia como política pública em todas as escolas públicas da região.

Desde que começou a ser desenvolvido em maio de 2009, o projeto do estudante participou de diversas feiras de ciências. Dentre elas, foi vencedor na categoria ciências sociais da 5ª Feira Internacional de Ciências Expo-Sciences Latin America (Expo ESI AMLAT); e na categoria ciências comportamentais, na Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), ambas realizadas este ano.

O projeto também está classificado para o V Fórum Internacional de Ciência e Engenharia, na cidade de Santiago (Chile), e Daniel vai compor a Delegação Brasileira para a 13ª Expo Sciences Mundi, na cidade de Bratislava (Eslováquia). Os dois eventos estão previstos para 2011.

Mostratec

O projeto “Mídia e Cidadania” foi um dos 300, distribuídos em 14 áreas do conhecimento, apresentados durante a Mostratec. O evento reuniu estudantes dos ensinos médio e técnico, entre 14 e 21 anos, de 21 países.

“Trazer a pesquisa para o ensino médio qualifica a educação. Jovens que têm a oportunidade de desenvolver projetos com alternativas para problemas da sociedade aperfeiçoam a qualidade de suas relações com o meio”, afirmou a diretora executiva da Fundação Liberato – organizadora da mostra –, Maria Inês Utzig Zulke.

Os quatro melhores classificados de cada área receberam prêmios, oferecidos por empresas e instituições. Universidades também premiaram os estudantes com bolsas integrais de estudo.
 
Para conferir a lista completa dos premiados, clique aqui.

Com informações do Programa Jornal e Educação, da ANJ e do Portal Aprendiz
 

Ao menos 30 sabiam tema de redação do Enem, diz professor

O professor Marcos Freire, do curso pré-vestibular Geo, de Petrolina (PE), disse que ao menos 30 alunos ouviram falar sobre o tema da redação antes do Enem. Alguns, inclusive, pesquisaram sobre o assunto na internet, afirmou. Freire, que denunciou à imprensa o vazamento, defende que a investigação continue. 'O MEC [Ministério da Educação] deve averiguar até onde foi o vazamento, quantos realmente se beneficiaram e pensar no que fazer, já que o Enem está em descrédito na região', disse nesta quinta-feira (25) à Folha o professor.

O MEC informou que agiu de acordo com a investigação da PF em Juazeiro (BA) e, por isso, não pode comentar as declarações de Freire.

Apuração da Polícia Federal concluída na terça-feira apontou que Eduardo Ferreira Affonso Júnior, 21, foi informado sobre parte do tema da redação por seu pai e sua mãe, professora que trabalhou como aplicadora da prova em Remanso (BA).

Affonso Júnior falou sobre o assunto a três docentes do Geo, inclusive Freire, quase duas horas antes da prova.

O casal Marenilde e Eduardo Affonso, pais do aluno, foram indiciados pela PF sob suspeita de vazarem a prova. Por telefone, o pai disse à Folha que não daria entrevista porque sua vida 'já foi muito prejudicada pelo caso'.

Folha

Mercado de trabalho aquecido não tira jovens da escola, diz pesquisa

Diferentemente do que se imagina, o aquecimento no mercado de trabalho não é um fator importante para elevar a evasão entre os estudantes de ensino médio brasileiros. Essa foi uma das conclusões da pesquisa "Os determinantes do fluxo escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio no Brasil" --realizada por pesquisadores da FGV (Fundação Getulio Vargas) a pedido do Instituto Unibanco. "Não encontramos correlações estatisticamente significantes entre fluxo escolar e aquecimento do mercado", afirmou o pesquisador André Portela Souza. O estudo em si não traz explicações para esse resultado, mas há algumas hipóteses.

Uma delas é que, com o mercado aquecido, o jovem percebe a importância de ter uma boa qualificação --e, portanto, de continuar estudando-- para conseguir um salário mais alto no futuro. Outra possibilidade é que, com o aumento da renda familiar, o adolescente seja mais estimulado pelos pais a não trocar os estudos por um trabalho em tempo integral --e, poder assim, contribuir mais fortemente com a renda familiar.

O trabalho usou dados da Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que não permitem determinar se os estudantes que continuaram na escola estão trabalhando ao mesmo tempo, em outro período do dia.

Outro resultado encontrado pelo trabalho foi que o fato de o aluno ser aprovado ou não ao final do ano deixou de ser tão importante em sua decisão de continuar os estudos de ensino médio. Entre os anos de 2008 e 2009, do total de alunos aprovados, 97% se mantiveram na escola. Entre os não aprovados (parcela que inclui reprovados e estudantes que deixaram o colégio e depois retornaram), 94% se mantiveram estudando.

Os principais determinantes para a aprovação e continuação dos estudos são as características individuais e familiares do jovem. O maior sucesso nos dois casos se dá entre mulheres, que não estão atrasadas em seus estudos, que têm pais com alta escolaridade e moram com ambos e, ainda, cuja escola é de qualidade.

O Instituto Unibanco também encomendou uma pesquisa complementar à da FGV para determinar a relação entre o desempenho no ensino fundamental e posterior abandono no ensino médio.

A principal conclusão é que o baixo desempenho dos alunos no ensino fundamental é muito ligado à evasão no ensino médio. A pesquisa "Relação entre abandono escolar no ensino médio e desempenho escolar no ensino fundamental" foi feita apenas com base no Saresp, exame de português e matemática obrigatório nas escolas da rede estadual paulista.

Outro fator que se mostrou importante foi o atraso nos estudos. Quanto maior a distorção entre a idade do aluno e a série em que ele está, maior a probabilidade de ele largar a escola, após ingressar no ensino médio.

Folha

Idade e família são determinantes para fluxo escolar

Terminar o ensino médio com 18 anos, ou seja, respeitar o fluxo normal da educação básica não é tarefa fácil no Brasil. Os atrasos já começam no ensino fundamental, fazendo com que apenas 50% dos alunos iniciem a segunda etapa escolar na idade adequada. Desses alunos, somente 47% terminam o terceiro ano sem abandonar, repetir ou atrasar os estudos em pelo menos um ano. A conclusão é revelada por estudo da Fundação Getúlio Vargas apresentado nesta quinta-feira pelo Instituto Unibanco, que promove seminário nesta sexta-feira, em São Paulo, para debater problemas e soluções para o ensino médio no País. Segundo o pesquisador André Portela Souza, que realizou a pesquisa “Os Determinantes do Fluxo Escolar entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio no Brasil” junto com Vladimir Ponczeck e Bruno Oliva, os outros 53% deixam a escola ou repetem de ano e levam mais tempo para concluir a etapa.

Para estar no grupo de alunos que obtêm aprovação e continuam no ensino médio, é importantíssimo não estar atrasado na oitava série. As mulheres com pais com alta escolaridade também têm mais chance de êxito. Já a reprovação, historicamente um fator que causa abandono escolar, não aparece mais nessa condição. Segundo os dados extraídos da Pesquisa Mensal de Emprego, do Instituto de Geografia e Estatísca (IBGE) nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, entre os aprovados, 97% continuam a estudar, e entre os reprovados, 94% fazem o mesmo.

“Esses alunos que não terminam os estudos, mas continuam matriculados, podem ter frequência ioiô. São aqueles que não levam a escola a sério, mas se matriculam, ganham carteira de estudante, recebem desconto no transporte”, analisa a superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel.

O mercado de trabalho também não aparece como um motivo para que os jovens deixem os estudos. Entre as hipóteses apresentadas pelos pesquisadores para isso, estão o fato de que muitos alunos estudam e trabalham ao mesmo tempo, e outros enxergam na escolarização uma oportunidade para ganhar mais.

Desempenho no ensino fundamental influencia no médio

Outra pesquisa divulgada na mesma ocasião, que relaciona o abandono escolar no ensino médio e o desempenho obtido no ensino fundamental, mostra que os alunos que menos aproveitaram a etapa inicial têm mais chances de não se matricularem no ensino médio ou, quando se inscrevem, não continuarem estudando.

No levantamento que utiliza as notas de alunos paulistas no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp), o segundo fator determinante para o ingresso no ensino médio é a idade. Aqueles que estão atrasados se matriculam menos que os que os que estão na fase da vida adequada. Fatores que também influenciam, mas de maneira mais tímida, são o fato de as mães terem ensino superior, possuírem computador em casa e serem meninas e negras.

O pesquisador Amaury Patrick Gremaud, que elaborou o estudo junto com outras cinco pessoas, diz que a cor apareceu no estudo, ainda que de forma menos significativa, porque os negros podem enxergar no estudo uma maneira de se diferenciar. “É um fator que apareceu, mas o determinante para o abandono escolar é mesmo é a idade”, diz.

O seminário “Como Aumentar a Audiência no Ensino Médio?” ocorre nesta sexta, das 8h30 às 1730, no Hotel Caesar Business Faria Lima, em São Paulo.

IG

Oficina reúne professores e aprofunda discussão sobre mídia e educação

A oficina de mídia para professores realizada pela Ação Educativa promoveu uma reflexão sobre dois aspectos da relação entre a comunicação e a educação: o papel pedagógico das mídias e tecnologias e o uso destas como instrumentos educativos. Além disso, refletiu sobre as mídias como estrutura política.
Segundo Michelle Prazeres, uma das coordenadoras da atividade, a mídia vai além dos meios de comunicação, e a estrutura da mídia é pouco debatida no Brasil. “A apropriação da mídia pelos setores da educação deve ser por meio dos instrumentos, mas também pela leitura crítica dos conteúdos veiculados e do entendimento de que existe uma estrutura de poder por trás das mídias e do que é publicado”, ressalta.

Respondendo à provocação da oficina, o professor da Escola Estadual Maria de Augusta de Ávila, em Artur Alvim, Hildebrando Cesário Penteado, afirma que é importante entender que não existe apenas uma mídia e se apropriar delas nas aulas. “É importante saber como usar e de que forma utilizar os materiais. Mas, infelizmente, as escolas não acompanham estes debates”.

Uma das discussões da oficina foi a de que a cultura escolar engessaria as possibilidades de usos das mídias e é preciso esforço para aprofundar os debates sobre estas possibilidades. Os participantes mapearam possibilidades de ação e barreiras para o uso das mídias e tecnologias na escola.

Para ver os debates que aconteceram na oficina, acesse:
http://www.acaoeducativa.org.br/midiaeeducacao/.

A atividade foi realizada no dia 6 de novembro e faz parte de um foco de ações articuladas que envolvem as áreas de Comunicação, Ação na Escola e Juventude, da Ação Educativa.


Ação Educativa

Professor: E-book é realidade possível para escola brasileira

Quantas vezes os adolescentes não vão para o colégio com uma pilha de livros embaixo do braço ou equilibrando todo esse peso nas costas? Uma solução para este e outros problemas está em deixar o papel de lado e partir para os chamados e-books. Os livros em formato digital podem ser lidos em computadores, em alguns celulares ou em aparelhos mais recentes como o Sony Reader ou o Kindle, que contam com a tinta eletrônica. Essa tecnologia da e-Ink não cansa os olhos, porque não gera luz como uma tela comum. É como se você estivesse lendo páginas tradicionais.

Para o professor de Comunicação Social da PUCRS, Eduardo Pellanda, à medida que os e-books fiquem mais baratos para se produzir e distribuir, deve ocorrer uma inclusão natural das escolas no processo. "Aqui na universidade, a nossa editora já está com um catálogo grande de livros digitais que não teriam um modelo comercial para serem lançados em papel", exemplifica o também autor do blog Ubimidia. O especialista acredita que a prática pode servir para escolas primárias, especialmente aquelas em regiões remotas do país, onde a logística dificulta a distribuição e a atualização das obras.

A aceitação dos e-books no Brasil já é realidade no mercado acadêmico e no de livros técnicos, de acordo com Pellanda. "Mas nas obras de ficção comerciais ainda há uma inércia que deve ser vencida conforme os ledores digitais comecem a baixar os preços", diz.

Dentro das escolas, essa também pode ser a possibilidade de trazer uma maior variedade de obras literárias. O professor é positivo quanto aos ledores digitais como ferramenta escolar: "Preço já temos para isso, este aparelho custa 130 dólares e pode ser comprado sem imposto. Já existem fabricantes nacionais que podem vender em grande quantidade para o governo."

Terra

Sexta edição da olimpíada de matemática tem 3,2 mil vencedores

Brasília - O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, destacou hoje (25) a importância da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) na melhoria da educação pública no Brasil. O ministro anunciou hoje (25) os 3,2 mil estudantes vencedores da competição em 2010. “Tivemos 19,6 milhões de estudantes que fizeram a prova este ano. Isso representa mais de 10% da população brasileira. O resultado é que a cada ano temos mais escolas e alunos participando e essa olimpíada já está contribuindo e vai contribuir mais para a melhoria do ensino nas escolas públicas brasileiras”, afirmou.

Dos 3,2 mil alunos vencedores, 500 são medalhistas de ouro, 900 de prata e 1,8 mil de bronze. Além disso, os estudantes serão convidados a participar do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC-Obmep) do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Segundo Sergio Rezende, vários alunos que participaram programa em anos anteriores têm se destacado nas escolas e até no vestibular. “Temos notícias de que alunos premiados em edições anteriores estão passando para engenharia nos vestibulares das universidades federais.”

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, realizada desde 2005, é voltada a estudantes da educação básica — alunos do 6° ao 9º anos do ensino fundamental e de todas as séries do ensino médio.

A sexta edição bateu recorde de participação. Foram mais de 19 milhões de inscritos, atingindo quase todos os municípios brasileiros.

Agência Brasil

MEC cancela lançamento do Plano Nacional de Educação 2011-2020

O Ministério da Educação (MEC) cancelou na tarde desta sexta-feira (26) o lançamento do Plano Nacional de Educação (PNE). O evento estava previsto para a próxima segunda-feira (29), às 10h, em Brasília. De acordo com informações do cerimonial do ministério, não há ainda nova data prevista para a publicação do plano que vai reger as políticas educacionais na próxima década. Não foram divulgados os motivos para o cancelamento da solenidade. O PNE, após divulgado, deverá passar pela avaliação dos parlamentares no Congresso Nacional.


Veja a íntegra da nota do cerimonial do MEC:

"Informamos que a atividade de apresentação do Plano Nacional de Educação 2011 – 2020, prevista para a próxima segunda feira, será agendada para uma nova data, ainda este ano, em solenidade exclusiva para tratar do tema.

Pedimos desculpas pelos transtornos e assim que possível informaremos a nova data."


UOL

Menos da metade dos jovens conclui ensino médio na idade correta, diz estudo

Apenas 47% dos jovens das seis principais regiões metropolitanas no país terminam o ensino médio na idade adequada, prevista entre 17 e 18 anos. O diagnóstico é de um estudo encomendado pelo Instituto Unibanco à Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi divulgado na última quinta-feira (25/11), em São Paulo (SP). O abandono ou a repetência dos jovens começa antes do ensino médio: apenas 50% dos alunos do ensino fundamental concluem essa etapa na idade correta, segundo o levantamento, chamado “Os Determinantes do Fluxo Escolar entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio no Brasil”.

Dessa parcela, 83% se matriculam no primeiro ano do ensino médio na idade correta, 65% no segundo e 55% no terceiro. Destes, apenas 47% concluem o último ano no tempo esperado. A cada 100 alunos que terminam o ensino fundamental na idade correta, nove ficam fora da escola pelo menos uma vez durante o ensino médio.

“Manter o jovem estudando requer formular um currículo para o ensino médio, que antes de tudo seja interessante, que desenvolva as competências que ele precisa ter para continuar estudando ou entrar no mercado de trabalho”, sugere a superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel.

O estudo utilizou informações da Pesquisa Mensal de Empregos (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2006 e 2009. Foram analisados dados de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre.

O número de jovens que frequentam a escola em idade correta cai entre um ano letivo e outro, segundo o estudo. Já entre os atrasados, a maior queda ocorre durante o ano. “Isso pode indicar uma migração para o EJA [Educação de Jovens e Adultos] entre os atrasados”, sugere o texto de apresentação do estudo.

Outra hipótese para o problema é o que a superintendente do Instituto Unibanco chama de “frequência ioiô”. “O jovem se matricula na escola para conseguir benefícios como carteira de estudante e vale transporte e com o passar do ano não frequenta as aulas. Aí repete e no ano seguinte se matricula de novo”.

A repetência não é um fator que impacta na redução das matrículas, segundo a pesquisa. Entre os aprovados, 97% se matriculam novamente e entre os não-aprovados, 94%.

UOL

Participantes de seminário definem compromissos para educação integral

Termina hoje (26), em Brasília, o Seminário Internacional Educação Integral em Jornada Ampliada: Desafios e Experiências para as Políticas Públicas em Diferentes Países. Está prevista para o encerramento do encontro a leitura da Carta de Brasília: Compromissos e Desafios para a Educação Integral em Jornada Ampliada no Brasil. De acordo com a diretora de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania do Ministério da Educação (MEC), Jaqueline Moll, o documento trará um balanço das ações desenvolvidas nos últimos três anos no âmbito do programa Mais Educação, além de perspectivas para a implementá-las em mais municípios brasileiros. O programa visa a contribuir para melhorar a aprendizagem, por meio da ampliação do tempo de permanência de crianças e adolescentes nas escolas públicas, mediante a oferta de educação básica em tempo integral.

“A carta mostra um pouco do trabalho e uma reflexão sobre o programa Mais Educação. São elementos que permitem consolidar uma política de educação integral e jornada ampliada, preocupada não apenas em estender a grade horária, mas também em ampliar os espaços educacionais e os meios de interação que colaboram para o desenvolvimento”, destacou a diretora.

As primeiras escolas começaram a oferecer educação integral em jornada ampliada em 2008. Em 2010, 10 mil unidades de ensino receberam recursos do MEC para atender 2,2 milhões de estudantes em jornada ampliada. Em 2011, segundo Jaqueline Moll, a meta é que o programa chegue a mais 5 mil escolas com os menores índices de Desenvolvimento da Educação Básica (Idebs), chegando à marca de 3 milhões de alunos atendidos.

O seminário começou na quarta-feira (24), com a participação de educadores, gestores e representantes de universidades públicas brasileiras, que trocaram experiências sobre a educação integral com especialistas da Coreia do Sul, Espanha, França, Inglaterra e Finlândia.

UOL

Opinião: Nem todo problema de leitura e escrita é dislexia

Fazer um diagnóstico em psicologia ou psicopedagogia não é algo simples. O modelo da medicina, que após identificar e nomear a doença se administra o tratamento específico, é mais difícil de aplicar nessas áreas. Como a expectativa ao se procurar um profissional da saúde é saber o que se tem, muitas pessoas entram em um consultório psicológico esperando obter uma resposta precisa. Algumas coisas podemos nomear e encontrar uma descrição na Classificação Internacional de Doenças (CID) ou mais especificamente no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM).

Nem tudo, porém, é possível quantificar ou dar um nome catalogado, que possa explicar o quadro de determinada pessoa e dar um direcionamento exato para seu tratamento.

Alguns quadros são bem definidos, como a depressão, por exemplo. Mesmo assim, para se fechar um diagnóstico em saúde mental pode se levar um tempo, até para o médico psiquiatra. Há muitas variáveis em jogo. Às vezes, numa mesma pessoa, encontram-se vários transtornos envolvidos.

Na área da aprendizagem isso também ocorre. Um dos quadros mais polêmicos é o de dislexia, que é bastante questionado. Toda vez que se procura por esse transtorno na literatura, o que se encontra (havendo concordância) é que ele se refere a um distúrbio da linguagem, envolvendo principalmente a habilidade leitora. Mais especificamente na decodificação de palavras isoladas.

Tanto no DSM como no CID, em suas últimas edições, ele é apenas citado dentro do transtorno de leitura. Há muitos casos de dificuldade de leitura. Até um tempo atrás qualquer problema dessa natureza (ou mesmo de escrita – habilidades que estão sempre de mãos dadas) era diagnosticado como dislexia. Os pais de crianças com dificuldades escolares chegavam para os psicopedagogos com o diagnóstico pronto, muitas vezes dado pelas escolas e reforçado pelos profissionais. Se por um lado o estabelecimento de um quadro ajuda no tratamento, por outro pode cegar e apenas estigmatizar a pessoa em questão. Nem todo aquele que tem dificuldade na leitura e escrita é disléxico. Esse quadro é bem específico e de difícil diagnóstico.

Isso porque vários são os aspectos que influenciam os problemas de aprendizagem. Sejam eles de ordem física, social, pedagógica, emocional ou intelectual. Um quadro de dislexia, a princípio, descartaria qualquer outro problema que não a dificuldade de ler. Seria uma característica daquela pessoa, fazendo parte de sua constituição. Mesmo assim, alguém com dislexia, depois de anos de dificuldades, poderia vir a ter problemas emocionais, resultando em outras complicações na área pedagógica.

Por isso, dar um nome específico a um problema de lecto-escrita pode atrapalhar tanto o diagnóstico mais amplo, quando não podemos compreender a pessoa que ali se apresenta; quanto o tratamento, ao se enfocar aquilo que pode em verdade ser sintoma de alguma outra dificuldade da pessoa.

O mais adequado é um “diagnóstico” que privilegie fazer um entendimento do indivíduo em seus vários aspectos, considerando também seu ambiente social e escolar, que podem interferir em sua capacidade de aprender a linguagem escrita.

Às vezes, a conclusão que se chega nada mais é que uma inabilidade de lidar com grafofonemas, ou seja, estabelecer uma relação entre sons e letras, como um disléxico.

Em contrapartida, deve se tomar cuidado em não enxergar aquilo que está na frente dos olhos, como considerar uma dificuldade de ler como sintoma de algum conflito mal resolvido daquela pessoa na primeira infância. Ou seja, procurar algo que não existe.

Faz-se necessário ser muito criterioso para não cair nem no lugar comum, quando todo o problema de leitura é dislexia; e nem num enredo mirabolante, criando fantasmas.
Há poucas notícias sobre pessoas disléxicas. É muito provável que muitos casos que se encontram por aí receberam esse nome por terem dificuldades de leitura. Não dá para colocar tudo no mesmo pacote, como ocorre com o déficit de atenção e o transtorno de pânico (todo mundo conhece alguém que tem).

Os profissionais têm que deixar os modismos de lado e olhar para o ser humano real que se apresenta a eles. Daí, sim, eles poderão compreendê-los e ajudá-los de verdade.

(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)

G1

Apesar de polêmicas, Haddad deve ficar na Educação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, deve continuar à frente da pasta, apesar das polêmicas envolvendo o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ele foi criticado por causa do vazamento da prova, em 2009, e de falhas de impressão na prova deste ano.
A permanência de Haddad na Educação foi pedida de maneira explícita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro é filiado ao PT e assumiu a pasta em julho de 2005, no lugar de Tarso Genro. Para prestigiar Haddad, Lula programou para a próxima segunda-feira uma solenidade que vai apresentar um balanço da gestão da Educação nos últimos anos. O ministro aproveitará o momento para lançar o novo Plano Nacional de Educação.

Ontem, ao final de um dia de conversas e avaliações, a presidente eleita, Dilma Rousseff, também se fixou na decisão de procurar um “nome especial da sociedade” para o Ministério da Saúde, como o do médico Dráuzio Varella. Uma das alternativas, se isso não for possível, é entregar a Saúde a Paulo Bernardo.

No Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), Dilma está avaliando dois nomes para o lugar do chanceler Celso Amorim: os embaixadores Vera Lúcia Machado (subsecretária-geral de política do Itamaraty) e Antonio Patriota, atual secretário-geral do ministério. Apesar de Patriota estar muito bem cotado para o cargo, a presidente eleita continua atrás do nome de uma mulher para o Itamaraty. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Novo Plano Nacional de Educação será divulgado no dia 29

Saindo do forno, o novo Plano Nacional da Educação (PNE) desperta expectativas nos especialistas do setor. Com o lançamento marcado pelo Ministério da Educação (MEC) para a próxima segunda-feira (29), o PNE passará pela apreciação dos parlamentares no Congresso Nacional ainda neste ano, para, então, servir de diretriz para as políticas educacionais brasileiras – em todas as esferas de poder – de 2011 a 2020. Poucas informações a respeito da nova lei foram divulgadas pelo ministério. O que já se sabe é que o texto será composto por poucas metas – ponto em que o novo PNE difere bastante do plano vigente, este último composto por 295 objetivos.

"Será um conjunto de 20 metas que se desdobram em várias estratégias. O ministério buscou um modelo mais sintético em relação às metas, mas ainda não sabemos o conteúdo delas. O compromisso era que esse plano se alimentasse das resoluções da Conferência Nacional de Educação (Conae)", afirma Denise Carreira, coordenadora do programa Diversidade, Raça e Participação da Ação Educativa e relatora nacional de Educação.

A Conae aconteceu de 28 de março a 1º de abril deste ano e contou com a participação de mais de 3 mil representantes da sociedade, que discutiram os rumos da Educação Brasileira e elaboraram um documento final.

Segundo Denise, entre os pontos destacados durante a conferência, está a constituição do Sistema Nacional de Educação, que ela espera ver contemplada no novo PNE: "O sistema organizado é estruturante para a política de Educação. Ele nos dará mais condições de operar as metas", diz.

Atualmente, a participação das prefeituras, dos Estados e da União na Educação brasileira não está clara – o que dificulta a responsabilização dos gestores e a conquista de melhores resultados de aprendizagem.

Responsabilização de gestores
Para Cesar Callegari, membro do Conselho de Governança do Todos e integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), um aspecto que não pode faltar no novo plano são ferramentas para responsabilizar os gestores pela qualidade do ensino e pelo desenvolvimento das políticas públicas do setor.

"Tenho a expectativa de encontrar no texto dispositivos que obriguem as unidades da federação e os municípios a criarem ou adequarem seus planos de Educação. E isso com um prazo fixado", diz ele. Ainda hoje, após uma década da vigência do atual PNE, há muitos municípios que não elaboraram seus planos – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2009, 44% das cidades ficaram sem planejamento educacional.

Segundo Callegari, uma forma de punir estados e municípios que não adaptarem os planos seria interromper o repasse de transferências voluntárias da União. Denise ressalta, no entanto, que os mecanismos de responsabilização dos gestores devem ser precisos para não penalizarem a população.

"Os planos de Educação são muito importantes para o país, e a discussão sobre eles deve ganhar o espaço público", aponta a especialista. Ela afirma ainda que parte das cidades fizeram planos de Educação sem o debate com a sociedade. Isso resultou em um processo pouco participativo e sem envolvimento da comunidade local.

Diversidades e financiamentos
O novo PNE deverá fixar uma proporção do Produto Interno Bruto (PIB) a ser investida na Educação. No entanto, para Denise, a medida é insuficiente para garantir uma Educação de qualidade para todos. "É necessário avançarmos e estabelecermos o Custo Aluno Qualidade (CAQ)", afirma. O conceito do CAQ vem sendo debatido no País e estabelece um valor mínimo de investimento, sem o qual uma escola não teria condições adequadas de funcionar nem os alunos de aprender.

Na opinião de Denise, o novo PNE também deve contemplar metas que tratem do enfrentamento da diversidade na sala de aula , principalmente da questão racial. "Existe racismo nas escolas, que opera de forma explícita ou silenciosa, e ele precisa ser trabalhado, pois afeta a autoestima e a aprendizagem". Uma forma de tratar a questão, sugere, seria implementando, de fato, a lei que obriga o ensino da cultura e da história afrobrasileira.

UOL

Como as redes públicas podem utilizar o Ideb para melhorar a qualidade do ensino

As redes bem avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) mostram que não há segredo para o bom desempenho. Cajuru, no interior do Estado de São Paulo, conseguiu a maior nota do país no Ideb (8,6) com formação de professores, investimento em infraestrutura, envolvimento de todos, avaliação constante e acompanhamento do ensino, além de 30% da verba destinada à educação (e não só os 25% exigidos por lei). Já a média brasileira entre os alunos da 4ª série foi de 4,6 - aumento de 0,4 em relação a 2007. Não é por acaso que a segunda colocada no índice também reserva 30% do orçamento para a educação. Claraval (MG) dobrou sua nota no Ideb entre 2007 e 2009, passando de 4,3 para 8,2 com investimento nos professores, no atendimento aos alunos com dificuldades e avaliação dos resultados. "Em geral, as boas notas no Ideb estão relacionadas aos recursos e ao foco na aprendizagem", diz Ocimar Munhoz Alavarse, da Faculdade de Educação da USP. O professor participa de uma pesquisa que analisa os maiores Idebs e as maiores variações no Ideb de municípios com mais de mil alunos de três estados brasileiros para avaliar as ações que desenvolvem.

Ainda que os recursos do município dependam mais da sorte, a gestão dessas redes merece atenção. O acompanhamento, seja a partir das notas dos alunos pelas secretarias ou com avaliações da rede envolvendo as escolas e os professores, é um dos principais pontos. "Raramente há um registro individualizado dos alunos desde que entraram na rede, mas isso permitiria ver sua evolução", ressalta Alavarse.

Incentivar a continuidade dos profissionais é outra questão central. "Uma equipe estável consegue adaptar as propostas à sua realidade e pode fazer um planejamento em longo prazo", defende o professor. Para garantir a estabilidade, ele sugere mecanismos como um plano de carreira diferenciado para as escolas mais difíceis. Destaca, ainda, a importância de acompanhar os alunos com muitas faltas, oferecer reforço e apoio aos que precisam de atendimento especializado. É o que acontece em Cajuru, onde desde o ano passado funciona o Centro de Atendimento Educacional (CAE), que conta com psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos para os alunos que precisam desse tipo de acompanhamento.

Outro mecanismo da rede paulista é a Ouvidoria da Educação, que vai à casa do aluno caso ele tenha muitas faltas ou apresente algum problema e os pais não compareçam à escola. Quando necessário, o órgão encaminha os alunos ao CAE, ao atendimento de saúde, à promoção social ou ao Conselho Tutelar. Cajuru também avalia bimestralmente os alunos para permitir que os estudantes com mais dificuldades recebam o reforço necessário durante todo o ano letivo.

A secretária de Educação do município, Isabel Ruggeri Ré, destaca o envolvimento de pais e professores nas ações da rede como resultado das ações desenvolvidas em equipe. "Eles veem que há seriedade, não fazemos perseguição a funcionários de outros grupos políticos (o que costuma acontecer) e semanalmente realizamos uma qualificação com os professores por série. Também oferecemos cursos de pedagogia a distância, em parceria com um sistema de ensino, para quem não possui graduação", diz. Isabel ressalta também a infraestrutura das nove escolas municipais, todas reformadas e com salas de cinema que recebem pais e alunos para sessões de filmes.

Avaliação diagnóstica
"O Ideb pode ser um ponto de apoio para apontar deficiências e ajudar a rede a desenvolver sua proposta, ainda que o índice tenha limitações, como não apontar os resultados por aluno", diz Alavarse. Para Maria do Pilar Lacerda, secretária de Educação Básica do MEC, o primeiro passo das redes ao receber os dados do Ideb deve ser analisar qual o impacto do desempenho e o do fluxo (leia-se evasão e reprovação) naquela nota. "Um segundo ponto importante é ver se o desenvolvimento das escolas do município é semelhante, se há disparidades entre escolas que atendem o mesmo perfil de alunos", explica a secretária. Garantir que professores e diretores entendam a Prova Brasil e suas exigências também permite que eles avaliem com seus alunos os pontos fortes e o que precisa ser reforçado.

O envolvimento e a discussão com a comunidade sobre os resultados e desafios apontados pelo Ideb é outra questão fundamental. "Os pais precisam entender o índice, não como número frio, mas contextualizado sobre como a nota foi formada, se ela, apesar de baixa, por exemplo, representa um aumento considerável em relação aos anos anteriores", diz a secretária. Por isso, esses dados devem ser usados para provocar a reflexão e o planejamento das ações a partir de uma noção mais exata da situação da rede. "Os bons resultados aparecem quando os gestores entendem os resultados e desenvolvem projetos pedagógicos a partir disso."

Envolvimento
É por meio de dois fóruns anuais que Boa Vista do Tupim, na Bahia, discute ações e metas com a comunidade. Os objetivos para os quatro anos da administração são definidos a partir das questões enumeradas pela sociedade. Com 20 mil habitantes, o município da Chapada Diamantina, que sobrevive da agricultura de subsistência e de recursos governamentais, apresentou o maior Ideb do estado em 2007 e 2009, obtendo 4,8 e 5,8 respectivamente - apesar do baixo resultado de 2005: 2,2. Isso numa rede de mais de 5 mil alunos divididos em 45 escolas, 37 delas rurais.

O secretário de Educação, Vespasiano Pimentel de Sá, credita a boa avaliação às medidas de formação, reforço no contraturno e valorização dos profissionais. Semanalmente os professores passam por uma formação continuada com o coordenador, além de terem quatro horas remuneradas para o planejamento das aulas. A cada 15 dias o coordenador pedagógico acompanha o professor em sua aula, que muitas vezes é filmada, para o docente visualizar suas lacunas ou para que um bom modelo possa ser socializado com os demais. "Como o coordenador está sempre presente, o professor sente que seu erro é também de toda a equipe", defende Sá. Ainda são realizadas oficinas pedagógicas mensais de cada disciplina. Já diretores recebem preparo sobre questões administrativas e pedagógicas quinzenalmente enquanto os coordenadores têm formação semanal com o coordenador-geral, que é capacitado pelo Instituto Chapada de Educação e Pesquisa.

"Conscientizamos o professor de que a reprovação não é sinônimo de boa educação. Hoje aumentamos as aprovações, mas com qualidade", explica o secretário. Além do plano de carreira e do estatuto do servidor, o município estimula a graduação dos professores por meio de parcerias com universidades da região e da Plataforma Freire, do MEC. Quatro vezes por ano também é feito um levantamento dos alunos com deficiências de aprendizagem, que frequentam aulas de reforço no contraturno.

Educadores
Valorizar o educador é, aliás, uma das principais ações para melhorar a educação, acredita Estela Bergamin, gerente de Projetos Sociais do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). "É a valorização do professor, com melhores condições de trabalho, bons salários, plano de carreira e formação em serviço, que atrairá talentos para a área", diz. O gestor pode fazer a diferença ao garantir que os professores tenham tempo para se reunir com os pais, com seus pares e coordenadores. "Educadores experientes que orientem os novatos também são muito importantes, pois, muitas vezes, sua maior dificuldade está em lidar com os jovens."

"A escola não pode tudo, mas devemos nos perguntar se está fazendo tudo que pode", questiona Estela. Abrir as unidades para outras políticas sociais e realizar parcerias com as secretarias de saúde, esporte e cultura são formas importantes de atender os alunos vulneráveis que a escola recebe. Ela também recomenda que os alunos possam frequentar aulas de recuperação durante o ano, ainda que com outro nome, que não os estigmatize. Com esse propósito, em Claraval (MG) foi criado o plantão pedagógico - reforço durante o horário escolar, para poder atender os alunos da zona rural também, que funciona como aula particular para os estudantes com mais dificuldades.
O índice do Brasil
O Ideb brasileiro alcançou as metas para 2009, apesar do baixo crescimento do ensino médio. Nos primeiros anos do ensino fundamental a nota média, numa escala de 0 a 10, passou de 4,2 em 2007 para 4,6 (que era a meta de 2011). Nos anos finais do fundamental, a nota passou de 3,8 para 4, também superando a meta de 3,7. Já no ensino médio o crescimento foi menor: o Ideb passou de 3,5 para 3,6 em 2009, ainda que tenha atingido a meta de 3,5. Ao analisar as notas vemos que as diferenças regionais pesam. As maiores médias entre os alunos da 4ª série do fundamental ficaram com os municípios da região Sudeste, parte da Sul e do Distrito Federal. Por outro lado, são os estados do Norte e Nordeste do país que apresentaram as piores notas.

Para Maria do Pilar Lacerda, do MEC, o resultado mostra um aumento consistente dos índices educacionais, e o baixo crescimento do ensino médio é fruto do descaso com essa etapa até o início da década. "Não havia financiamento, transporte, merenda, material didático, programas que hoje foram estendidos para o médio. O novo Enem também estimula um currículo diferente, antes muito pautado pelos vestibulares. Essas medidas e a melhoria da base devem fazer a diferença nos próximos anos", acredita. O Ideb é calculado a partir da taxa de aprovação e do desempenho na Prova Brasil, para escolas e municípios, ou no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) no caso dos estados e nacional. Mas escolas rurais com menos de 20 alunos por turma não participam das avaliações.

O crescimento no Ideb se deu mais por uma melhora no rendimento que no fluxo. Na primeira fase do fundamental, por exemplo, o aumento das notas dos estudantes responde por 71,1% do acréscimo no Ideb enquanto a aprovação é responsável por 28,9%
da evolução.

UOL

Aluno atrasado na escola tem mais chance de evadir, diz pesquisa

Estudar com mais idade que a esperada para a série escolar, devido à repetência ou abandono, aumenta as chances do aluno de São Paulo não se matricular no ensino médio. O quadro é mais crítico para os estudantes com notas baixas em avaliações oficiais do ensino fundamental, aponta um estudo do Instituto Unibanco, apresentado nessa quinta-feira (25/11), na capital paulista. Estar um ano atrasado no ensino fundamental diminui em 20% a chance de se matricular no ensino médio para os alunos com baixo desempenho no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) - que avalia o rendimento dos alunos do ensino fundamental. Para os atrasados com notas altas a probabilidade diminui 7%, segundo a pesquisa.

Para os alunos com mais de um ano de atraso, independente das notas nas avaliações oficiais, a probabilidade de ingresso no ensino médio reduz de 20% a 35%, aponta o estudo, intitulado “Relação entre Abandono Escolar no Ensino Médio e Desempenho Escolar no Ensino Fundamental Brasileiro”. A lógica se mantém para a permanência no ensino médio, segunda a pesquisa.

“Esses alunos estão em uma fase da vida em que não há forte preocupação com o futuro, principalmente quando há problemas para serem solucionados no presente, como falta de renda”, observou o coordenador da pesquisa, Amaury Patrick Gremaud. “Ele não se enturma com os colegas por ser mais velho e é caracterizado por já ter tido dificuldades no ensino fundamental”.

O diagnóstico da pesquisa foi observado na prática pela estudante do 1º ano do ensino médio Katarina Fernanda, de 16 anos, que sempre viu alunos abandonarem os estudos no colégio público em que estuda, em São José dos Campos (SP). “Muitos colegas pararam, pelos mais variados motivos, mas principalmente por problemas pessoais. Alguns voltaram e depois saíram de novo”.

Ele destaca que a evasão reduziu depois que a escola iniciou um projeto social para combater o problema. “Eu mesma não via muito sentido e não entendia porque estudar aquelas coisas”. Apesar disso, ela destaca que quando se fala em aprender o conteúdo, a classe ainda fica bem dividida. “Muitos alunos têm dificuldade de aprender o que é ensinado”.

“Combater a repetência iniciando projetos para evitar que ela aconteça é muito importante, porém é necessário garantir que os alunos aprendam”, observou o coordenador da pesquisa, durante o lançamento.

Metodologia

A pesquisa analisou dados do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) de 2007 e a situação de matrículas em 2008 e 2009. A pesquisa fica restrita a São Paulo por ser o único estado em que as notas das avaliações oficiais são cruzadas com outros dados dos alunos individualmente.

Rendimento

Assim como a idade, o mau rendimento nas avaliações oficiais do ensino fundamental diminui as chances dos alunos se matricularem ou permanecerem no ensino médio. Os estudantes com as piores notas têm 70% de chance de se matricularem nessa etapa do ensino, enquanto entre os com as maiores notas a probabilidade é de 97%, destaca a pesquisa.

Negros

Os alunos negros são os que têm mais chance de concluir o ensino médio, segundo dados analisados pela pesquisa. A probabilidade chega a ser 1,5% maior que os brancos. “Isso contraria o consenso habitual. Avalio que seja devido a um estimulo pela necessidade. Muitos têm uma ideologia maior que de outros grupos sociais e querem fazer a diferença”, observou Gremaud.

Além dos negros, as meninas cuja mãe tem ensino superior e que possuem computador em casa têm mais chance de concluir o ensino médio. A diferença entre os sexos só é observada na permanência, não na matrícula. Os alunos da zona rural têm maiores chances de evadir.

UOL