quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Crianças não trocam livros impressos pelos digitais, mostra estudo

A maioria das crianças americanas não abriria mão dos livros tradicionais para ler seus conteúdos apenas em dispositivos digitais. É o que mostra um estudo da editora Scholastic, que publica os livros da série Harry Potter nos Estados Unidos.
O estudo mostra que muitas crianças querem, sim, ter acesso aos chamados e-books, mas, mesmo com o dispositivo, dois terços delas não pretendem abrir mão de seus livros tradicionais impressos. A pesquisa explorou as atitudes e comportamentos de pais e filhos sobre leitura não obrigatória na era digital. A Scholastic ouviu mais de 2.000 crianças entre 6 e 17 anos e seus pais. Pais e educadores têm muito medo que diversões digitais, como vídeos e telefones celulares, tirem o tempo que as crianças dedicam à leitura. No entanto, veem potencial para usar a tecnologia a seu favor, introduzindo livros para crianças por meio de e-books, computadores e dispositivos digitais.

Cerca de 25% das crianças pesquisadas disseram que já haviam lido um livro em um dispositivo digital, incluindo computadores e e-books. Outros 57%, com idades entre 9 e 17 anos, disseram que estavam interessados em fazer a mesma coisa.

Apenas 6% dos pais pesquisados têm um e-book, mas 16% disseram que planejam comprar um no próximo ano. Já 83% dos pais disseram que iriam permitir ou incentivar os filhos a usar o e-book. Francis Alexander, o diretor acadêmico da Scholastic, tratou o relatório como "um chamado à ação".

"Não tinha ideia da rapidez com que as crianças abraçaram essa tecnologia", disse Alexander, refererindo-se a computadores, e-books e outros dispositivos portáteis que servem para baixar livros. "É evidente que elas os veem como ferramentas para a leitura – não apenas para jogos e mensagens de texto."

Para Milton Chen, da Fundação Educacional George Lucas, o estudo mostrou que as crianças querem ler em novas plataformas digitais. "É o mesmo dispositivo usado para socialização e envio de mensagens e o contato com seus amigos pode ser usado para outras finalidades", disse Chen. "Essa é a esperança."

Mas muitos pais entrevistados também expressaram preocupação com as distrações com videogames, celulares e televisão na vida dos filhos. Eles também se perguntam se o moderno adolescente multi-tarefas tem paciência de ficar absorto em um longo romance.

"Minha filha não pode parar de trocar mensagens por tempo suficiente para se dedicar a um livro", disse a mãe de uma garota de 15 anos do Texas. O estudo não tentou medir se os dispositivos digitais realmente roubam tempo de leitura.

A pesquisa também analisou as ações de pais e professores sobre os hábitos de leitura das crianças. Crianças entre 9 e 11 anos são mais propensas a se tornarem leitores habituais se os pais oferecem livros interessantes em casa e definirem limites de tempo para a tecnologia, como videogames, disse o estudo.

A pesquisa também sugere que muitas crianças apresentaram um alarmante nível elevado de confiança em informações disponíveis na internet: 39% das crianças entre 9 e 17 anos disseram que as informações que encontram on-line "são sempre corretas".

Escolas da capital de SP terão desfibrilador

Parques municipais, velórios, cemitérios e escolas de grande circulação da capital serão obrigados a manter um desfibrilador externo automático para socorro imediato em casos de parada cardiorrespiratória. A lei, de autoria do vereador Toninho Paiva (PR), entrou em vigor ontem, quando foi publicada no "Diário Oficial" da cidade.

Aeroportos, shopping centers, centros empresariais, estádios de futebol e outros esportes, hotéis, hipermercados, entre outros, já eram obrigados por lei de janeiro de 2005 a contar com o equipamento.

O que é ensinado na educação infantil? Saiba mais

Vista muitas vezes como uma etapa menor do ensino, a educação infantil é definida como a "base" do estudante, dizem especialistas. "É o momento mais importante da educação, porque você trabalha a estruturação da criança. Se ela está bem estruturada, ela enfrenta a adversidade de uma forma muito melhor", defende Fátima Guerra, PhD em educação infantil e professora da UnB (Universidade de Brasília). E o que essa educação abrange? De maneira lúdica, crianças de 0 a 5 anos de idade aprendem a se situar no espaço da escola e da sala de aula e desenvolvem a coordenação motora, a linguagem e a sociabilidade, além de entrarem em contato com conceitos de leitura, escrita, ciências, matemática e artes, dentre outros conteúdos.

Esses conceitos, porém, são dados de maneira diversa da que é feita nos ensinos fundamental e médio, uma vez que os pequenos ainda estão aprendendo a lidar com conhecimentos abstratos. "Isso é desenvolvido por meio de atividades que propiciam a descoberta", explica a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Pesquisas do Brincar, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

"Havia um preconceito de que a pré-escola não era escola. No entanto, como os pais deixam a criança cada vez mais cedo [na escola], agora são ensinados vários conceitos para esses alunos", explica a pedagoga Maria Angela.

* Estudante deve ser "protagonista" na educação infantil, dizem especialistas

Coordenação motora

Durante a educação infantil, o aluno desenvolve as coordenações motoras grossa e fina. Com a primeira, é possível localizar as diferentes partes do corpo, bem como situá-lo no espaço. Com isso, a criança aprende a controlar, por exemplo, a velocidade do andar e conceitos como "em cima/embaixo", "esquerda/direita" e "frente/trás".

A coordenação fina é desenvolvida quando a criança começa a trabalhar com materiais pequenos, tais como massinha e giz grosso. O aluno faz o "movimento de pinça" com as mãos e, com isso, chega ao uso do lápis.

A organização do espaço e do tempo também contribuem para esse aprendizado do controle do corpo. Com uma rotina que se repita todo dia, a criança consegue antecipar as coisas que vão acontecer e ganha mais confiança, até mesmo para propor atividades novas.
Letramento

O estudante do ensino infantil aprende conceitos de letramento, ou seja: ele toma contato com o universo da escrita e aprende, por exemplo, como são as letras e que a leitura se dá da esquerda para a direita e de cima para baixo. Ele pode até sair desta etapa lendo e escrevendo, apesar disso, no entanto, ser objetivo da alfabetização, que ocorre nos primeiro e no segundo anos do fundamental.

Para conhecer o mundo das letras, a criança deve ouvir e contar histórias, ver dramatizações e tomar contato com livros infantis. Além disso, ressalta a pedagoga Maria Angela, é preciso que as crianças possam se expressar livremente: "Ela deve brincar muito, dançar muito e poder se expressar de formas diferentes", diz.
Conteúdos

Conteúdos de ciências, matemática e artes, dentre outros, podem ser trabalhados com crianças, desde que sejam adaptados para sua idade e sejam dados de forma lúdica. Segundo Fátima Guerra, a ludicidade não deve ser uma brincadeira dada após as atividades, como "prêmio", mas é uma forma de expressão da criança. "Pelas brincadeiras e diálogos você vê muito como a criança está percebendo o mundo e que adultos estão ao redor dela", diz a professora.

Maria Angela explica a importância da brincadeira não dirigida, em que a criança pode criar suas regras e fazer descobertas por sua conta: "[esse tipo de brincadeira] é importante aprender com o próprio erro, porque com esse erro ela não sofre castigo, já na vida real ela teria um castigo; assim, através dessa experiência ela pode aprender com o erro e ele não vira só uma coisa frustrante", diz.
Participação dos pais

Os pais devem estar cientes das atividades que o filho tem na escola, de acordo com as especialistas. Segundo a professora Fátima, uma vez que não há separação entre o aluno na escola e a criança em casa, pais e o estabelecimento de ensino devem ter um relacionamento complementar. Apesar de haver escolas que não permitem aos pais entrarem no ambiente escolar, a pedagoga diz que é positivo que os pais participem da vida escolar e, até mesmo, das decisões pedagógicas.

Estudante deve ser "protagonista" na educação infantil, defendem especialistas

Na educação infantil, a criança toma contato pela primeira vez com o ambiente escolar e aprende como deve se portar neste novo lugar. Isso não significa, porém, que não possa expressar suas opiniões e questionar esse espaço.
De acordo com a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Pesquisas do Brincar, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, deve haver um equilibrio entre a iniciativa do adulto e da criança na condução das atividades em sala de aula: "A criança deve ser a protagonista, não no sentido de fazer tudo o que quer, mas deve-se observar também quais são os interesses dela para que se possa atendê-los", diz. A pedagoga Fátima Guerra, da UnB (Universidade de Brasília) explica que a organização da rotina e dos espaços dentro da sala de aula ajuda a criança a se localizar no tempo e no espaço. Assim, elas aprendem a lidar com a noção de tempo e isso lhes dá segurança, pois elas podem antecipar o que está para acontecer.

No entanto, se as crianças não tiverem uma abertura para que possam propor o que lhes interessa, elas não se sentirão estimuladas a criar, a questionar, a mudar o que está estabelecido. "[A criança] precisa ser construtora do espaço em que ela vive, ela deve ser coautora de seu desenvolvimento e de sua aprendizagem. O professor deve ser um mediador e dar oportunidades de autonomia na decisão do planejamento da rotina e na organização dos espaços", diz.

Segundo Fátima, a possibilidade do aluno poder se expressar só traz benefícios, pois as crianças são "naturalmente negociadoras". "As pessoas não acreditam muito... A criança pode não ter grande consciência, mas tem grande percepção do que está ocorrendo a sua volta. Por isso, ela tem que desenvolver isso", diz. 

Secretaria de Educação confirma proposta de novos notebooks para educadores no RN

A subsecretária de Educação do Estado, Cátia Lopes, confirmou nessa quarta feira (29), durante o 15º Encontro do PROLER no RN, a possibilidade de entrega de mais notebooks, na segunda etapa do projeto Professor Conectado. Na primeira etapa, o Governo do Estado fez a entrega de notebooks apenas para os professores que estão em sala de aula. Na próxima etapa, o governo deve contemplar articuladores pedagógicos, professores-regentes de bibliotecas, mediadores de leitura, coordenadores, entre outros educadores da rede estadual. A Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (SEEC) lançou o Projeto Professor Conectado no último dia 17, nas 16 Diretorias Regionais de Educação do Estado, entregando 10.200 computadores aos docentes. A ação consiste em criar e socializar a utilização das novas tecnologias digitais nas escolas da rede estadual de educação com a disponibilização de softwares específicos ao trabalho pedagógico. O projeto também vai garantir o acesso a internet por meio de parceria com uma operadora de telefonia.

Sobre os softwares pedagógicos, eles já estão sendo utilizados pelos professores em salas de aula. De acordo com os professores, a informática está melhorando consideravelmente a metodologia de ensino. Valdinete Terezinha de Oliveira, professora do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), em Currais Novos, considera os programas de informática “extremamente pedagógicos” e que a estão “ajudando muito” no trabalho de pesquisa sobre a disciplina que leciona - biologia.

“O nosso desempenho melhora muito, porque preparar uma aula requer conhecimento e com essa ferramenta nós temos mais opções de estudo, pesquisa e até didaticamente para o aluno porque a aula fica mais prazerosa e eles prestam mais atenção”, afirmou Valdinete.

Edna Maria dos Santos Oliveira, professora de língua portuguesa, da Escola Estadual Sete de Novembro, no município de Alexandria, afirmou que o computador está sendo muito bom para professores de todas as áreas. “Por meio da internet temos a disponibilidade de textos literários. Antes, tínhamos que pegar livros emprestados de um colega e fazer cópia”, comentou.


O projeto Professor Conectado foi lançado pelo Governo do Estado como um reconhecimento ao trabalho de quem repassa conhecimento diariamente. A intenção do governo, é fazer com que os nossos educadores se utilizem de uma ferramenta tecnológica facilitadora, que neste caso, é a internet, para ampliar seus conhecimentos e melhorar a aprendizagem”, destacou a subsecretária de Educação, Cátia Lopes.

Em Mossoró, a professora Maria Lúcia de Carvalho, da Escola Estadual Santa Terezinha, do Bairro de Santo Antônio, revelou que já estava se preparando para comprar um computador, “para mim foi um grande presente”, confessou.

Criança morre após ser baleada dentro de escola em Embu das Artes (SP)

Uma criança de nove anos morreu na tarde desta quarta-feira (29) após ser atingida por uma bala na sala de aula do Colégio Adventista, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. A bala ficou alojada na região cervical. Segundo um funcionário do Distrito Policial Central de Embu das Artes, a Polícia Militar teria sido chamada por volta das 11h45 para atender a uma ocorrência de bomba na escola, mas chegando ao local não havia indício do acidente. Os agentes encontraram então o diretor da escola tentando reanimar a criança com massagem cardíaca.
Ela chegou a ser levada para o Hospital Family, em Taboão da Serra, onde os médicos iniciaram uma cirurgia emergencial, mas a criança sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu.

Segundo a PM, a arma ainda não foi encontrada e tampouco há notícias sobre quem teria levado a arma ao colégio e disparado contra a criança. A perícia está sendo feita no local. De acordo com o funcionário da delegacia, dias antes um colega teria ameaçado a criança de morte durante uma briga na escola.

A assessoria de imprensa do colégio confirmou apenas que houve um acidente com um de seus alunos e se comprometeu a divulgar uma nota oficial sobre o assunto ainda hoje. No começo da noite, a reportagem tentou contato com o colégio por telefone, mas ninguém atendeu os telefonemas.

Brasil conquista primeiro lugar na Olimpíada Ibero-Americana de Matemática

O Brasil conquistou o primeiro lugar na 25ª edição da Olimpíada Ibero-Americana de Matemática, em Assunção, Paraguai. Com duas medalhas de ouro e duas de prata, o país foi o maior destaque entre 21 participantes. O estudante Marcelo Tadeu de Sá Oliveira Sales, de Salvador, que atualmente mora e estuda em São Paulo, obteve o maior número de pontos na competição. A outra medalha de ouro ficou com Deborah Barbosa Alves, de São Paulo. O catarinense Gustavo Empinotti, que estuda em São Paulo, e Matheus Secco Torres da Silva, do Rio de Janeiro, conquistaram medalhas de prata.

A olimpíada é disputada desde 1985. Os objetivos principais da competição são fortalecer e estimular o estudo da matemática, contribuir para o desenvolvimento científico da comunidade ibero-americana, identificar jovens talentos e incentivar a troca de experiências entre os participantes.

Votar nulo funciona?

Em nosso regime democrático, vários partidos políticos exercem o direito de oferecer a seus candidatos a disputa eleitoral. Em contrapartida, cabe aos cidadãos avaliarem e escolherem quais seriam os candidatos mais adequados aos seus interesses e anseios. Mediante a ampla variedade de opções, chegamos à conclusão de que vivemos em um regime político dotado de amplas liberdades, onde o cidadão tem acesso a todo tipo de discurso e proposta.
Contudo, quando nos lembramos do quão grave é o problema da corrupção entre os nossos representantes, acabamos por enfrentar um dilema. Afinal, qual seria o sentido de ser perder tempo avaliando e escolhendo um candidato que, mais cedo ou mais tarde, seria denunciado (ou não!) pela participação em algum esquema de corrupção ou no desvio de verbas públicas? É mediante esse questionamento que vários eleitores acabam fazendo opção pelo voto nulo. Ultimamente, correram vários boatos de que o voto nulo seria capaz de invalidar todo um processo eleitoral. No caso, se mais da metade dos eleitores votassem nulo, deveria acontecer um novo processo eleitoral formado por outros candidatos. A premissa dessa hipótese se assenta no artigo 224 do Código Eleitoral, que diz que “se a nulidade atingir mais da metade dos votos do país nas eleições, (...) o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias".

Para muitos, esse artigo faz com que o voto nulo se transforme não só em uma arma de protesto, mas também em uma forma de se alterar a configuração do cenário eleitoral. Entretanto, de acordo com uma recente interpretação do TSE, essa nulidade só invalida as eleições quando os votos são anulados por causa de alguma fraude que determine sua desconsideração. Por tanto, se mais de cinquenta por cento dos votos dos cidadãos optam pelo voto nulo, prevalece a escolha daqueles que votaram em algum candidato.

Dessa forma, quando um cidadão vota nulo, ele acaba abrindo brecha para que um candidato ruim acabe vencendo a eleição com um número menor de votos necessários. Assim, acaba sendo preferível depositar suas esperanças em candidato ou legenda que sejam parcialmente satisfatórios do que facilitar a vida de um candidato com perfil questionável. No final das contas, a opção pelo voto nulo acaba se transformando em um ato de passividade mediante o cenário político vigente.

Ainda assim, existem aqueles que persistem em votar nulo por outras razões de ordem ideológica. Os anarquistas, por exemplo, optam pelo voto nulo por não reconhecerem a necessidade de autoridades e políticos capazes de interferirem na vida em sociedade. Dessa forma, expressam o seu repúdio ao Estado, às leis e governantes indicando que não se interessam naquilo que eles têm a oferecer. Certos ou errados, a atitude dos anarquistas também prova outra faceta de nossa democracia: a não escolha.

As pós-graduações brasileiras entre as melhores do mundo

Eles são minoria, mas existem. Entre os 2.718 programas de pós-graduação brasileiros, 4,1% receberam conceito máximo, 7, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e são considerados referência mundial em suas áreas. São seletos 112 grupos de 22 instituições (veja mapa abaixo) em que as pesquisas de mestrado e doutorado são aguardadas com expectativa pelos pares acadêmicos – e os estudantes, pelo mercado de trabalho. Apesar de pequeno, o grupo que forma a nata da pesquisa brasileira é maior do que o dos 75 programas que poderão ser fechados por não atingirem o mínimo necessário. A excelência identificada na última avaliação também cresceu em relação ao triênio anterior, em que apenas 3,6% dos programas receberam 7.

Setores que possuem grande demanda por novos produtos no País, como ciências agrárias e médicas, estão entre os que mais aparecem. “A ciência brasileira teve origem na área da saúde e da biologia, com a criação do Jardim Botânico no Rio, em 1808. Cerca de 50 anos depois foi criada a primeira escola de agronomia da América do Sul, no recôncavo baiano. Temos tradição nessas áreas”, destaca Helena Nader, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

“Não por coincidência são setores em que o Brasil é extremamente competitivo”, afirma o coordenador de Agrárias da Capes, Moacir Pasqual. “A base do conhecimento em qualquer setor é a pós-graduação, que fornece tanto professores quanto resulta em descobertas científicas”, explica.

Alguns dos programas pioneiros em suas áreas de atuação fazem parte da lista de melhores do País. É o caso do de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criado há 42 anos e que recebe a nota mais alta da Capes desde a primeira avaliação em 1976. Só no último triênio avaliado, o grupo publicou 375 artigos científicos e conseguiu 19 patentes.

Biodiversidade e problemas brasileiros baseiam teses

Muitos dos estudos se beneficiam da biodiversidade nacional, como por exemplo a toxina anti-hipertensiva que foi identificada no veneno do escorpião amarelo e reproduzida em laboratório pelos pesquisadores do programa. “O Brasil proíbe a patente de produtos naturais, mas uma vez sintetizada em laboratório, a molécula tem grande potencial”, afirma a coordenadora do programa Maria Elena de Lima Perez Garcia.

Outra área em que o Brasil tem excelência é a de pesquisas em doenças tropicais. Rafael Polidoro, de 25 anos, concluiu o mestrado em Bioquímica e Imunologia na UFMG neste ano com uma pesquisa sobre a criação de uma vacina contra a doença de Chagas usando o vírus Influenza e o Adenovírus. “A doença de Chagas não tem vacina e o tratamento é muito limitado, só funciona nas primeiras semanas. Pode ser um medicamento interessante para países em desenvolvimento e áreas rurais”, relata Polidoro, que agora cursa doutorado no mesmo programa e dá continuidade à pesquisa testando a vacina em camundongos. De acordo com o especialista, a doença tem alta incidência no Vale do Jequitinhonha, no sul da Bahia, e em países da América Latina, como o México.

Admitem-se doutores

A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), também obteve nota 7 em três programas, um deles Genética e Melhoramento de Plantas, existe desde 1964. Segundo o vice-coordenador, José Baldin Pinheiro, a fama internacional dos cursos de mestrado e doutorado dali corre o mundo e há demanda por profissionais que chegam de empresas de diferentes países. “É comum pedirem indicação de recém-formados”, conta.

Este ano, o programa chegou à 800ª tese. O estudo, sobre fatores de combinações de cana-de-açúcar realizado pela engenheira agrônoma Maria Marta Pastina, é o primeiro da unidade inteiramente publicado em inglês por conta da participação de instituições européias. “Isso facilita a pesquisa de outros acadêmicos que estão interessados nos resultados”, afirma a aluna.

Outros veteranos entre os melhores são os programas de Ciência de Alimentos e de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo. Para a coordenadora geral da pós-graduação da Faculdade de Engenharia de Alimentos, Helena Teixeira Godoy, o Brasil tem mais chances de ser referência nesta área do que em outras porque entrou na corrida menos atrasado. “Há cursos de humanas que tem 500 anos ou até mais nas principais instituições do mundo e, portanto, fica difícil termos o mesmo volume de pesquisas novas aqui. Mas a nossa área surgiu há cerca de 50 anos na Europa e já existe há mais de 30 na Unicamp”, analisa.

Teses que podem mudar o que consumimos

Um dos doutorados concluídos no triênio, para dar um exemplo, pode mudar o padrão do leite que chega aos supermercados. A maior parte do gado leiteiro recebe medicamentos preventivos ou mesmo para tratamento que acabam deixando resíduos no produto que chega aos consumidores. A longo prazo, isso pode gerar uma resistência a antibióticos nas pessoas e, quando elas precisarem de remédio, não obterão o resultado esperado. Por isso, a aluna Mariem Rodrigues criou um método de análise do leite, que pode ser usado para controlar a quantidade de resíduo dos produtos. “É algo que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está analisando para adotar”, comenta Godoy, que orientou a tese.

Segundo ela, outros trabalhos avaliam as propriedades de alimentos, muitos deles produtos específicos de certas regiões do País. “Nós temos o que a maioria não tem: matéria prima. Isso deveria facilitar muito nossos ensaios, embora a gente ainda encontre muitos produtos pesquisados lá fora”, afirma.

Avaliação incentiva pesquisa no País

A expansão da pós-graduação e a avaliação da Capes foram fundamentais para o salto de qualidade da pesquisa brasileira. Para a vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, as metas da Capes fizeram as universidades avançarem. “Aumentamos o número de trabalhos e melhoramos a qualidade e a quantidade de citações dos trabalhos brasileiros. Na década de 1970 publicávamos 100 artigos ao ano, hoje estamos com 37 mil”, enfatiza Helena. “O próximo salto é converter essa ciência de impacto, reconhecida internacionalmente, em inovação e tecnologia.”

Professor xinga alunos e quebra porta durante aula no litoral de SP

Um professor de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, foi afastado de suas funções após xingar os alunos e uma colega de trabalho e quebrar a porta de uma sala durante a aula.
A confusão foi na Escola Estadual Ismael Iglesias. Até quem passava do lado de fora escutou a gritaria. Com um gravador de voz de celular um dos alunos registrou a fúria do professor de geografia. “Eu estou de saco cheio da escola. Eu estou de saco cheio de vocês. Eu estou de saco cheio com a senhora, de tudo o que a senhora me aprontou. Eu estou doente! Cambada de... Sai, sai, sai da minha frente!”, disse o professor.

A estudante Mariana de Castro, de 14 anos, e sua mãe, a promotora de vendas Elisângela Castro, registraram um boletim de ocorrência, junto com a professora que teria sido jogada no chão. “Ele ameaçou todo mundo de morte. Falou que ia voltar e matar todo mundo”, disse a jovem.

Muitos pais já estavam preocupados com a conduta do professor. Essa foi a segunda queixa policial contra ele em menos de um ano. “Ele foi afastado uma vez, por seis meses, e agora ele voltou a dar aula e continuou com as mesmas agressões”, contou Elisângela.

A polícia vai continuar investigando o caso – vai ouvir mais testemunhas e saber a versão do professor sobre a confusão. Ele vai responder por danos ao patrimônio público.

Por medida de segurança, o policiamento na escola vai ser reforçado. A Secretaria Estadual de Educação informou que o professor já foi afastado e que uma comissão vai investigar o caso. Ele vai passar por uma avaliação psiquiátrica.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Programa mostra a estudantes como ficar longe das drogas

Drogas e juventude são assuntos discutidos por pais, filhos e educadores. Partindo dessa polêmica, foi criado em 1992, no Rio de Janeiro, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). O modelo, que teve origem nos Estados Unidos, em 1983, é desenvolvido em mais de 58 países. Estudantes do quinto ano do ensino fundamental das redes pública e particular são os alvos do programa, que tem como lema Manter Nossas Crianças Longe das Drogas. O Proerd promove curso de quatro meses, ministrado por policiais militares voluntários, capacitados pedagogicamente, em parceria com pais, professores, estudantes e comunidades. Com ênfase na prevenção ao uso de drogas, as aulas mostram ao estudante como se manter longe de más companhias, a evitar a violência, a resistir às pressões diretas ou indiretas e a sempre acionar os pais ou responsáveis quando necessário.

Na Escola-Classe 401 do Recanto das Emas, cidade-satélite do Distrito Federal, o Proerd é aplicado desde 2004. De acordo com a supervisora pedagógica Ana Caroline da Costa, os estudantes envolvem-se com o curso de tal maneira que mesmo após a conclusão mantêm atuação em sala de aula, em forma de trabalhos e produção de textos. “A escola é um agente transformador da sociedade”, constata Ana Caroline. “Colaborar para que as crianças tomem uma decisão consciente é fundamental.”

O coordenador do Proerd no Distrito Federal, Eduardo Matos de Souza, salienta que os ensinamentos transmitidos pelo programa permitem aos jovens tomar decisões inteligentes. “Contribuímos com a solução de um problema que está cada vez mais evidente na sociedade”, afirma.

As escolas interessadas em participar do Proerd devem entrar em contato com a Polícia Militar da cidade na qual se localizam.

Dificuldade em matemática pode ser sinal de discalculia

Imagine um jogo de futebol entre Corinthians e Guarani no Estádio Pacaembu, em São Paulo. Quem entra no estádio é capaz de perceber claramente que a torcida do Timão é maioria nas arquibancadas. Mas saber distinguir qual é a maior ou a menor parcela do público pode não ser tão simples para quem tem discalculia, uma disfunção neurológica caracterizada pela dificuldade de resolver cálculos matemáticos e pela falta de noção de quantidades. Na reta final do ano letivo, esse tipo de transtorno, de difícil diagnóstico, pode estar por trás do desempenho ruim do estudante na matemática – a má performance escolar, porém, pode ser influenciada por inúmeros fatores.

Para saber a dimensão atual da população brasileira atingida pela discalculia, o psicólogo Pedro Pinheiro Chagas, pesquisador do Laboratório de Neurologia do Desenvolvimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordena desde 2008 um estudo sobre a prevalência da disfunção no Brasil. "Ainda existem poucas pesquisas sobre o tema no País, ao contrário do que ocorre com a dislexia (distúrbio relacionado à linguagem), área do conhecimento que já evoluiu bastante", afirma.

Para o cientista político Alexandre Barros, de 68 anos, que descobriu ser discalcúlico aos 55, a dislexia é mais conhecida e tratada porque as pessoas vivem de palavras. "De certa maneira, é mais fácil esconder a dificuldade com números do que com a linguagem", diz.

Especialistas concordam que o diagnóstico do distúrbio é muito complexo e que depende da avaliação de uma equipe multidisciplinar. Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, explica que a discalculia é genética e acompanha o indivíduo durante toda a vida.

Segundo o neurologista Luiz Celso Pereira Vilanova, professor da Universidade Federal de São Paulo, é comum que a discalculia esteja associada a outros distúrbios, como a dislexia e o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). "É mais raro ter apenas a dificuldade com os cálculos matemáticos. Estudos apontam a incidência de uma em cada 40 mil pessoas", afirma.

Crianças com alergia a comida também sofrem bullying

Estudo de diversos institutos sobre alergia a alimentos aponta que um novo tipo de intimidação ocorre nas escolas: provocações contra crianças que possuem alergias a certas comidas. As informações são do site LiveScience. A pesquisa, que entrevistou crianças de escolas dos Estados Unidos, mostra que 30% dos estudantes sofre com bullying por causa de sua alergia a algum tipo de comida. O mais comum meio de provocação são os xingamentos. Mas 40% das crianças que possuem alergia e sofrem preconceito, além de ofendidas verbalmente, veem alimentos serem jogados em sua direção.

82% dos casos ocorrem na escola, com 80% destes envolvendo crianças da mesma classe. Os 20% restantes envolvem professores e funcionários da escola sendo os praticantes do bullying.

Primeiros 4 anos do fundamental ditam aproveitamento no superior

As quatro primeiras séries do ensino fundamental são as mais decisivas para que os estudantes do ensino superior de um Estado demonstrem melhor aproveitamento. Segundo pesquisa realizada pelo Insper (ex-Ibmec-SP), por apresentar maior potencial de melhorias, é o primeiro ciclo que deve merecer mais atenção por parte dos gestores ou do governo. A pesquisa tem o objetivo de mostrar em que níveis da educação básica nos quais mais esforços devem ser concentrados para que a eficiência das instituições de ensino seja melhorada. A ideia foi medir o impacto que o ensino básico tem no superior, por região do País.

A Região Sul foi a que obteve o melhor resultado - portanto, é a que apresenta as instituições de ensino mais eficientes na relação entre o desempenho do ensino básico e a qualidade do ensino superior: 97,2% de aproveitamento. A Região Nordeste é a pior, com 64,9%.

A Região Sudeste obteve 87,3%; a Centro-Oeste, 75,3%; e a Norte, 65,6%. A pesquisa considerou como premissa os alunos terem cursado o ensino básico e o superior no mesmo Estado.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram cálculos estatísticos com dados das 27 unidades federativas. Foram utilizados dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) - que mede o fluxo escolar e apresenta médias de desempenho dos anos iniciais e finais do ensino fundamental e do ensino médio - e um produto representado pela média do Índice-Geral de Cursos da Instituição (IGC), o indicador de qualidade das instituições de ensino superior do Ministério da Educação.

"São as turmas de 1.ª a 4.ª série que merecem mais atenção. Os investimentos no ensino superior têm sido maiores que no ensino básico" afirma Maria Cristina Gramani, uma das autoras do estudo. "Um fato relevante que mostra como o primeiro ciclo precisa de mais investimentos é o próprio salário dos professores, menor que o daqueles que dão aula para classes de 5.ª a 8.ª."

Para Maria Cristina, a Região Sul obteve a melhor posição porque seus Estados têm redes menores e apresentam políticas educacionais mais consistentes.

Perspectivas. Para o professor Romualdo Portela de Oliveira, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), os principais investimentos que devem ser feitos nos primeiros anos do ensino fundamental consistem em discutir o gasto mínimo por aluno e elevar os recursos em relação ao magistério. "Temos de aumentar a atratividade e melhorar a formação e as condições de trabalho dos professores para conseguirmos reter os melhores profissionais", explica Oliveira.

Segundo ele, as diferenças entre as regiões seriam atenuadas com mudanças no valor mínimo dos alunos. "O custo-aluno em São Paulo é o dobro do dos Estados mais pobres do Nordeste."

Claudia Petri, gerente de projetos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), lembra que, além da valorização dos professores, as políticas públicas devem focar, principalmente, uma discussão do currículo e da organização do tempo na escola. "Nosso currículo é extenso demais, o professor não dá conta. Além disso, precisamos rever a duração das aulas."

Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a pesquisa do Insper mostra que, em Estados onde há políticas próprias para o ensino médio, a influência desta fase na qualidade do ensino superior é maior. "Além disso, o estudo reafirma que, quanto antes a criança ingressar na escola, maior o impacto disso no ensino superior."

O coordenador para o setor de Educação da Unesco, Paolo Fontani, concorda e vai além: para ele, o Brasil deve investir nos primeiros anos da educação infantil. "É ali que se eliminam as diferenças socioculturais e econômicas. Quem faz uma boa educação infantil está pronto para aprender melhor", afirma. "A pré-escola top tem bons professores, formados em boas instituições. O ensino superior tem uma grande contribuição a dar à educação básica." / COLABOROU CLARISSA THOME

Atenção
DANIEL CARA
COORDENADOR-GERAL DA CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO
"Quanto mais rápido e de forma mais cuidadosa a criança começar a estudar, maiores as chances de sucesso escolar."

MARIA CRISTINA GRAMANI
AUTORA DA PESQUISA
"Os primeiros anos do fundamental, de 1ª a 4ª série, apresentam o maior potencial de desenvolvimento. São eles que devem melhorar para refletir no ensino superior."

Estudantes dizem como escolhem seus candidatos

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Escândalos e casos de corrupção no cenário político são alguns dos fatores que afastam os jovens das urnas. É o que dizem os alunos do terceiro ano do ensino médio dos colégios Pio XII e Sion, em São Paulo, ouvidos pelo G1. Eles afirmam que a maioria dos amigos, com idades entre 16 e 18 anos, não vai votar no dia 3 de outubro porque não acredita em mudanças. "Sinto um certo desencanto dos adolescentes pela política até em função do que veem dos casos de corrupção. Por isso as escolas devem desenvolver o processo de reflexão nos estudantes desde pequenos para fazê-los acreditar o quanto a participação é importante", afirma Fátima Lopes dos Santos Miranda, orientadora educacional do ensino médio do Colégio Pio XII.

Se por um lado há o descrédito nos políticos, por outro há a certeza de que áreas como a educação precisa melhorar. "A educação é fundamental para que as pessoas desenvolvam o pensamento crítico, se aproximem da política e comecem a cobrar seus direitos", diz Davi Finotti Ferreira, de 17 anos.





Professor do ensino infantil não é babá

Ao pé da letra, a sigla do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – significaria uma análise do desempenho dos estudantes nos três últimos anos da educação básica. Mas, para um bom resultado, são necessários muito mais do que três anos de preparação. Os conhecimentos adquiridos pelos alunos desde os primeiros anos em que frequentam a escola são requisitos primordiais para um bom desempenho nas séries seguintes e, consequentemente, na avaliação. Essas mudanças incentivam escolas, educadores, pais e sociedade em geral a darem a importância devida à educação infantil, que atende a crianças de 0 a 5 anos. Documento publicado pelo Conselho Nacional de Educação, em 2009, determina: “É dever do Estado garantir a oferta de educação infantil pública, gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção”. Instituições que atendem a esse público deixam, então, de serem observadas apenas como espaços onde as crianças iam brincar. Professoras não mais podem ser vistas apenas como “cuidadoras” dessas crianças, pois exercem a função de educar. É por esses motivos que pais e responsáveis por crianças que começarão a frequentar a escola em breve precisam estar atentos. Antes mesmo de observar o ambiente, deve-se prestar atenção a detalhes como a metodologia adotada e, principalmente, ao nível de preparo dos professores. Da mesma forma que existe uma grande quantidade de escolas que contratam pessoal despreparado, existem outras instituições conscientes do dever de educar e que, por isso, preocupam-se em contratar profissionais competentes e comprometidos.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), não é necessário ter formação superior para ser professor de educação infantil, mas a concorrência acirrada do mercado de trabalho dita que quanto melhor o currículo do professor, mais chances ele tem de entrar numa instituição de ensino de qualidade.

Diretora pedagógica de uma escola de educação infantil e ensino fundamental, Christiana Cruz afirma que todas as professoras da escola em que trabalha possuem, ao menos, graduação. “A maioria delas foi além. Muitas têm pós-graduação”, afirma. Nas escolas públicas municipais, o critério adotado para a contratação de professores é parecido. “Quando há concurso, não podemos exigir, no edital, que os candidatos tenham curso superior. Mas a concorrência é alta e acabam sendo aprovados aqueles candidatos com nível superior. Temos, ainda, a prova de títulos, que beneficia pessoas com currículo mais rico”, explica a técnico-pedagógica da Gerência de Educação Infantil Isleide Carvalho. “Promovemos com frequência cursos de formação para professores. Existe um centro específico para isso, inaugurado em 2009, onde constantemente são realizados os cursos”, garante a diretora-geral de ensino, Lenira Silveira, acrescentando que é constante a realização de parcerias com instituições especializadas em capacitar professores, como as universidades.

Na escola em que a educadora Maristela Muniz coordena a educação infantil, também é requisito básico ter concluído o curso de pedagogia para atuar na educação infantil. Mas ainda há outra exigência: as profissionais precisam ter o sábado livre, pois é um dia reservado para capacitações de professoras. “Em média três sábados por mês a gente recebe profissionais de fora que capacitam as professoras. E também promovemos encontros de capacitação entre os profissionais da escola”, salienta. Além disso, semanalmente a coordenadora se reúne, ao menos uma vez, com cada educadora. “É o momento que temos para avaliar como estão as atividades, o desenvolvimento do planejamento e também observar as necessidades e dificuldades de cada professora”, diz, salientando que professoras interessadas em enriquecer o currículo são incentivadas pela escola. “As que concluem pós-graduação recebem aumento no salário. E as que saem para capacitações, como congressos, têm o nosso apoio, desde que os cursos atendam às necessidades da realidade de cada uma delas”, explica.

Além de atuar como diretora pedagógica de uma escola, Vera Acioli coordena a educação infantil da mesma instituição. Para ela, exigências na qualidade da formação dos professores são necessárias, pois não é fácil realizar a transposição das teorias educacionais à prática na educação infantil. “É preciso ter muito estudo e boa formação. Sentimos essa dificuldade quando precisamos realizar seleção de professores. Por exemplo, aqui na escola trabalhamos com a teoria construtivista. Os professores precisam conhecer essa teoria”, afirma. “Percebemos que muitos professores chegam da universidade carentes de experiências. Aprendem no dia a dia. Uma carência grande que percebemos é em relação à formação cultural. Por isso promovemos passeios a museus, centros culturais, sítios históricos. Ainda assinamos revistas e jornais, não somente da área de educação, mas também de notícias gerais. Deixamos à disposição dos professores”, enumera.

Todas essas características foram observadas pela relações-públicas Renata Oliveira quando foi matricular o filho, Luiz Eduardo, hoje com cinco anos. “Existem várias escolas perto da minha casa, mas estava preocupada em escolher uma de qualidade. “Escolhi uma que tem alto índice de aprovação no vestibular, pois pretendo deixar Luiz Eduardo lá até o final do ensino médio. Observei detalhes como exigência de fardamento, alimentação servida e percebi que as professoras têm boa formação. Acompanhei aulas em vários colégios para observar as metodologias e, numa delas, presenciei a professora dizer: – Tá doido?, com um garoto que esbarrou nela, num momento em que brincava”, afirma. Hoje Renata se diz satisfeita com o desenvolvimento do garoto na instituição escolhida.

Escola americana com 4,1 mil alunos foi do fracasso ao sucesso

BROCKTON, Massachusetts – Uma década atrás, a Escola do Ensino Médio Brockton foi um estudo de caso de fracasso. Professores e administradores frequentemente mencionavam o lema não-oficial da escola em conversas pelos corredores: os estudantes têm direito a falhar, se quiserem. E muitos deles o fizeram – apenas um quarto dos alunos foram aprovados nos exames do Estado. Um em cada três desistiu.
Em seguida, a professora Susan Szachowicz e alguns colegas decidiram tomar uma atitude. Eles persuadiram os administradores a deixá-los organizar uma campanha por toda a escola que incorporou lições de leitura e escrita em todas as classes e em todas as disciplinas, incluindo educação física. Seus esforços foram recompensados rapidamente. Em 2001, mais alunos passaram nos exames do estado depois de ter falhado um ano antes do que em qualquer outra escola em Massachusetts. As melhoras continuaram. Este ano e no passado, Brockton superou 90% das escolas de ensino médio de Massachusetts. E a sua recuperação está recebendo nova atenção em um relatório, “How High Schools Become Exemplary” (Como Escolas do Ensino Médio se Tornam Exemplares, em tradução livre), publicado no mês passado pelo economista de Harvard, Ronald F. Ferguson, que estuda as diferenças de conquistas das minorias.

O que torna a história de Brockton surpreendente é que, com 4.100 alunos, a instituição é uma exceção ao que se tornou sabedoria comum em muitos círculos educacionais – que menor é quase sempre melhor. Brockton é a maior escola pública de Massachusetts e uma das maiores do país.

Szachowicz e outros professores tomaram medidas em parte porque uma catástrofe acadêmica parecia iminente. Massachusetts havia instituído um exame de aprovação para o ensino médio em 1993 e ele se tornaria uma exigência para a graduação uma década depois. A menos que a cultura da escola melhorasse, cerca de 750 alunos não conseguiriam obter seu diploma a cada ano, começando em 2003.

Szachowicz, que em 2004 se tornaria diretora da Brockton, e Paul Laurino, chefe do departamento de inglês na época – ele se aposentou alguns anos depois – começaram a se reunir aos sábados, com outros colegas para debater estratégias para melhorar a escola.

O grupo se tornou conhecido como a comissão de reestruturação da escola e a diretoria não ficou no seu caminho. A diretora "apenas deixou isso acontecer", diz o relatório Harvard.

O primeiro passo da comissão foi implementar um retorno ao básico e considerar que a leitura, fala, escrita e raciocínio são as habilidades mais importantes a se ensinar. Eles partiram para recrutar cada educador da instituição – e não apenas os de inglês, mas matemática, ciências e até mesmo conselheiros de orientação profissional – para ensinar essas habilidades aos estudantes.

Sindicatos de professores têm resistido a esforços similares em muitas escolas. Mas em Brockton, o sindicato nunca se tornou um adversário sério, em parte porque a maioria dos membros do comitê eram professores sindicalizados e a comissão escrupulosamente honrou o contrato do sindicato.

Ao longo dos anos, Brockton aperfeiçoou seu currículo de alfabetização. O desempenho da escola não é tão estelar em matemática como em inglês, e a comissão contratou uma consultoria externa para ajudar a desenvolver estratégias para melhorar o ensino de matemática.

Ferguson disse que a Escola do Ensino Médio Brockton primeiro "chamou atenção por seus dados" no início do ano passado. Ele estava examinando a pontuação de escolas de Massachusetts em 2008 nos exames estaduais em seu escritório em Cambridge quando percebeu que Brockton tinha resultados melhores do que 90% das outras 350 instituições do Estado em ajudar seus alunos a melhorar a sua pontuação na língua inglesa.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Escola de informática é inaugurada na Cidade de Deus

Hoje em dia a informática é, sem dúvida, um instrumento fundamental para a construção e o exercício da cidadania. Preocupados com a inclusão digital das comunidades, a Light e o Comitê para Democratização da Informática (CDI - RJ) inauguram nesta terça-feira, às 14hs, mais um CDI Comunidade ¿ Escola de Informática e Cidadania na Cidade de Deus, em parceria com a Associação de Moradores União Comunitária Cidade de Deus (Amunicom). No mesmo dia, a Light realizará oficinas de eficiência energética, ensinando a população sobre o uso racional da energia elétrica O CDI Comunidade Amunicom é uma das 75 escolas do Programa de Eficiência Energética da Light, denominado Comunidade Eficiente. As escolas utilizam a informática como ferramenta preponderante para a inserção no mercado de trabalho e no desenvolvimento profissional das pessoas. A metodologia de ensino é específica em eficiência energética, por meio de palestras, jogos educativos e simuladores de consumo. Além disso, orienta empreendedores para legalização de microempresas e encaminha pessoas ao mercado de trabalho, dentro do Projeto Conexão.

Formatura
Desde setembro de 2006, mais de 10 mil alunos já passaram pelas salas de aula dos CDIs Comunidades, formados e aptos para realização de tarefas que exigem aplicação de programas como Windows, Word, Power Point, Excel, Internet Explorer e softwares de edição de áudio, vídeo, imagens e computação gráfica. As primeiras aulas em Cidade de Deus começam no dia 4 de Outubro.

"Estes cursos fazem parte do Programa Comunidade Eficiente, onde a educação é um dos principais nstrumentos na conscientização do uso racional de energia elétrica", afirma Fernanda Mayrink, Gerente de Relacionamento com as Comunidades da Light.

Biblioteca Britânica coloca manuscritos gregos na internet

A Biblioteca Britânica, em Londres, colocou na internet mais de um quarto dos seus manuscritos gregos, totalizando 280 volumes, em mais um passo rumo à digitalização completa desses importantes documentos antigos. Os manuscritos, disponibilizados gratuitamente no site www.bl.uk/manuscripts, são parte de uma das mais importantes coleções localizadas fora da Grécia para o estudo de mais de 2.000 anos de cultura helênica. A biblioteca detém um total de mais de mil manuscritos gregos, mais de 3 mil papiros e uma abrangente coleção de impressos arcaicos gregos.

As informações ali presentes interessam a acadêmicos que trabalham com literatura, história, ciência, religião, filosofia e arte do Mediterrâneo oriental durante os períodos clássico e bizantino.

"Isso é exatamente o que todos esperávamos da nova tecnologia, mas raramente tínhamos", disse Mary Beard, professora de cultura clássica da Universidade de Cambridge.

"Isso abre um recurso precioso para qualquer um --do especialista ao curioso-- em qualquer lugar do mundo, gratuitamente."

Entre os destaques do acervo digitalizado estão os Salmos de Theodore, altamente ilustrados, produzidos em Constantinopla em 1066, e as fábulas de Babrius, descobertas em 1842 no monte Atos, que contêm 123 fábulas de Esopo corrigidas pelo grande acadêmico bizantino Demetrius Triclinius.

A iniciativa, financiada pela Fundação Stavros Niarchos, se soma a outros projetos da biblioteca para ampliar a divulgação de documentos antigos, frágeis e raros.

Outros projetos digitais incluem um caderno de Leonardo da Vinci, do século 16, e o Codex Sinaiticus, do século 4, contendo a mais antiga cópia completa do Novo Testamento.

O desafio da inclusão escolar, por Içami Tiba

A inclusão escolar é uma recomendação baseada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96.
Fica a pergunta: Qual a população que já está excluída da escola e que necessita desta recomendação?
É a população formada por pessoas que não conseguiram ser matriculadas por apresentarem diferentes deficiências (visuais, auditivas, da fala, mentais etc) que dificultassem o aprendizado regular. São as pessoas deficientes visuais, auditivas, mentais etc., que necessitam de recursos especiais para o aprendizado natural, apresentado pela maioria da população. É a população formada por pessoas que não conseguiram ser matriculadas por apresentarem diferentes deficiências (visuais, auditivas, da fala, mentais etc) que dificultassem o aprendizado regular. São as pessoas deficientes visuais, auditivas, mentais etc., que necessitam de recursos especiais para o aprendizado natural, apresentado pela maioria da população.


A lei acima tem boa intenção, pois muitos cadeirantes estão excluídos não pela dificuldade de aprendizado, mas de locomoção. Assim como a sociedade ainda é deficiente para atender as demandas dos cadeirantes, a escola também é, pois não apresenta condições físicas satisfatórias, tais como banheiros e refeitórios adaptados ou rampas e facilitações de acesso que possibilitem o seu direito de ir e vir sem depender de terceiros. O descaso de cidadãos sem ética nem civilidade que não respeitam nem as demarcadas vagas de carros a cadeirantes também ocorre na escola. Ou não seria o caso desta exclusão já existir na escola? Há deficiências físicas, como a de voz, a visual e a auditiva, em que as pessoas que as têm apresentam inteligência compatível com o aprendizado escolar, mas necessitam de ajuda de terceiros ou de recursos especiais para o seu aprendizado. Muitas escolas teriam que se adaptar para receber os cadeirantes para não exigir demais a ajuda de terceiros. Acredito no desenvolvimento da cidadania e civilidade de todos os envolvidos na inserção do cadeirante.


Uma sociedade deveria ter a possibilidade de atender a todos os tipos de deficiências. Isso poderia ser feito também na escola, para benefício inclusivo em salas de aula, desde que também houvesse pessoas e/ou recursos auxiliares extras, como a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para surdo-mudos, leitura Braille para cegos etc. Uma pessoa com deficiência deveria freqüentar uma escola regular, desde que contasse também com professores especialmente capacitados.


Para que a citada recomendação fosse à prática diária dos professores em sala de aula seriam necessárias no mínimo duas medidas iniciais:



1. Acabar com a cultura da expulsão do aluno da escola e da sala de aula. As autoridades pedagógicas que usam deste expediente estão praticando a cultura da exclusão. Esta exclusão escolar alimenta a exclusão social, sejam lá quais forem os motivos nas quais se fundamentem os pedagogos. Antigamente, os leprosos eram excluídos da sociedade por não conhecerem na época os tratamentos que hoje são praticados.

2. Desenvolver e promover a cultura da inclusão de alunos regularmente matriculados através de medidas de adoção daquele aluno que seria expulso (por não fazer a lição, não estar de uniforme, perturbar o bom andamento da aula, confrontar autoridade pessoal dos pedagogos, etc.). O líder pedagógico e professores em geral poderiam estimular os alunos a adotarem alunos perturbadores. Poderiam acolher colegas voluntários que pudessem funcionar como tutores pessoais dos alunos em defasagem para ajudá-los a serem incluídos.

Não será por uma recomendação legal que os alunos que apresentam algumas deficiências serão incluídos em salas de aulas regulares, pois estes alunos sentir-se-ão mais excluídos se não receberem os cuidados de que realmente precisam. A inclusão será natural quando os professores forem capacitados para trabalharem também com as diferenças pedagógicas já no seu currículo de formação acadêmica ou como atualização obrigatória dos professores já formados.

Estudo nem sempre garante futuro melhor

Estudo realizado pela Orga­nização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado no início de setembro, mostra que a taxa de desemprego de brasileiros economicamente ativos (25 a 64 anos) foi maior entre os que têm ensino médio completo, em 2008. O índice foi de 6,1% contra o porcentual de desocupados de 4,7% entre os que não concluíram essa etapa da escolarização. Entre os países que não são membros da organização, mas são parceiros (além do Brasil, Eslovênia, Estônia e Israel), a existência de maior número de desempregados com mais qualificação só foi observada no Brasil. Estudo realizado pela Orga­nização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), publicado no início de setembro, mostra que a taxa de desemprego de brasileiros economicamente ativos (25 a 64 anos) foi maior entre os que têm ensino médio completo, em 2008. O índice foi de 6,1% contra o porcentual de desocupados de 4,7% entre os que não concluíram essa etapa da escolarização. Entre os países que não são membros da organização, mas são parceiros (além do Brasil, Eslovênia, Estônia e Israel), a existência de maior número de desempregados com mais qualificação só foi observada no Brasil.

A explicação para o índice de desemprego mais elevado entre pessoas com ensino médio completo não é conclusiva, mas há algumas hipóteses, como a qualificação por meio do trabalho, e não pelo estudo, e a mu­­dança do perfil exigido. Para o professor de Economia da Uni­versidade Federal Fluminense (UFF), Cláudio Considera, um dos reflexos neste índice pode ser o fato de setores precisarem de mão de obra especializada em uma determinada área, o que não implica em escolaridade formal.

Um destes segmentos é o de serviços. Em 2008, por exemplo, a área liderou a geração de empregos, com 648 mil postos, seguida por construção civil e indústria da transformação, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No primeiro semestre deste ano o setor de serviços continuou a ser o líder em geração de vagas, com 480 mil em­­pregos. “Para estes setores, o que vale é o treinamento que o trabalhador já teve em experiências anteriores no mercado. O nível de escolaridade acaba importando pouco”, explica Considera. O economista do Depar­ta­mento Intersindical de Esta­tística e Estudos Socioeco­nômicos (Dieese), Cid Cordeiro, lembra que o perfil do mercado de trabalho nesta década também se modificou . “Nos anos 90, como o desemprego era alto, as empresas estabeleciam critérios que a função não exigia. Hoje, com mais postos, as exigências caíram e se contrata trabalhador com ensino médio apenas para cargo que realmente precise.” Para ele, esta nova organização ajuda a diminuir a insatisfação no trabalho. “Pessoas que executam uma função simples com salário baixo, mas que tem mais escolaridade, costumam se cansar rapidamente daquele trabalho, o que prejudica tanto ele quanto a empresa. Mas o fato é que o emprego hoje no país está alto para pessoas com formação em todos os níveis de ensino.”

Já o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Corbucci, acredita que o ensino médio se perde no meio do caminho da dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. Segundo ele, existem três situações: a de pessoas com ensino superior completo, que têm a possibilidade de conseguir trabalho em profissões regulamentadas; grande demanda para ocupações onde não são necessários muitos anos de estudo, e sim formação específica ou técnica (como construção civil, trabalhadores domésticos e serviços); e a proporção de pessoas com ensino médio completo. Estas últimas ficam no meio do “caminho”, portanto, com maior dificuldade para se inserir no mercado. “Essas pessoas ou ficam desempregadas por opção, em busca de algo melhor, ou não se incluem em vagas mais segmentadas por falta de formação técnica ou experiência”, explica Corbucci.

Outra possibilidade seria a de o jovem estar mais focado em entrar no ensino superior do que em trabalhar. Ainda segundo dados do estudo da OCDE, a taxa de homens jovens, com idade entre 15 e 19 anos, que não estão na força de trabalho é de 37,3%, índice que diminui à medida que a idade avança. “O jovem que está procurando qualificação geralmente não busca trabalho”, acredita o professor da UFF. Para o pesquisador do Ipea, os índices de desocupação nesta faixa etária deveriam ser cada vez maiores. “O ideal é que ele estude, não trabalhe. E, geralmente, esse jovem é obrigado a trabalhar, ou para poder custear a sua entrada no ensino superior, ou para ajudar em casa. O que ocorre, na última situação, é que são famílias geralmente mais pobres. O jovem acaba abandonando a escola. O correto é que a taxa de empregabilidade para essa faixa etária fosse muito baixa.”

Renda

Na contramão do emprego mais fácil para quem tem menos qualificação, o aumento da renda é diretamente proporcional aos anos de estudo. Dados do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), baseados em números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), indicam a progressão salarial com os anos de estudo. A renda média mensal de quem tinha de oito a 11 anos de escolaridade em 2009 foi de R$ 684,41. Com 12 anos ou mais, o valor salta para R$ 2.168. “A ideia de que estudar faz bem para o bolso é verdadeira. A pessoa que faz os três anos de ensino médio sai de uma renda de R$ 700 para uma média R$ 1.600”, diz o economista-chefe do CPS/FGV, Marcelo Côrtes Neri. A questão crucial a ser resolvida, segundo ele, é o pouco tempo de estudo no país, o que acentua a desigualdade social (a Pnad mostra que um em cada cinco brasileiros com 15 anos ou mais tem menos de quatro anos de estudo). “A escolaridade explica a desigualdade de renda mais do que qualquer outro fator. Tem de se investir na qualidade do ensino e ampliar a oferta de educação.”

Cid Cordeiro salienta que um nível de escolaridade baixo no país prejudica o desenvolvimento. “A mão de obra pouco qualificada pode criar um gargalo no mercado. É importante que o governo combata o trabalho infantil e que os benefícios sociais que garantem a permanência da criança na escola sejam mantidos. Tudo isso contribui para a redução da desigualdade social.”

Alunos bolivianos pagam para não apanhar em escola estadual de SP

Alunos imigrantes da escola estadual Padre Anchieta, no Brás (região central de São Paulo), pagam "pedágio" aos brasileiros para não apanhar fora da unidade. A informação é da reportagem de Raphael Marchiori publicada na edição desta terça-feira da Folha Para se sentirem seguros, os estrangeiros, principalmente bolivianos, pagam lanches na cantina ou dão aos brasileiros o que têm nos bolsos, mesmo que seja R$ 1. "Caso contrário, apanham do lado de fora da escola", diz Mário Roberto Queiroz, 49, professor de história e mediador --função criada pela Secretaria da Educação para trabalhar junto à comunidade escolar questões como atos de vandalismo, discriminação e violência.

A compra da "segurança" foi revelada à Folha por alunos e docentes. A própria direção da unidade confirma. Um aluno e um ex-aluno da escola, ambos de 16 anos, afirmam que os casos ocorrem pelo menos desde 2008. "Eles pedem R$ 1 ou R$ 2. Entreguei três vezes. Na quarta, apanhei", conta um deles, que está há 14 anos no Brasil.

Confirmado o pagamento de atrasados dos Educadores do Estado do RN

Em visita à Secretaria Estadual de Educação nesta terça-feira (28), a direção do SINTE-RN obteve confirmação do pagamento de alguns subsídios atrasados para os educadores. A previsão é que no dia 30 deste mês seja publicada uma folha suplementar com os pagamentos. Em visita à Secretaria Estadual de Educação nesta terça-feira (28), a direção do SINTE-RN obteve confirmação do pagamento de alguns subsídios atrasados para os educadores. A previsão é que no dia 30 deste mês seja publicada uma folha suplementar com os pagamentos.

Nesse primeiro momento, estarão inclusos o Abono de Permanência, as Horas Extras, as gratificações de cargos comissionados e o pagamento por substituição. Há previsão, ainda, para a publicação de outra folha no dia 10 de outubro para pagamento de outros benefícios atrasados ainda não definidos.

Para ser um bom educador é preciso muito mais que conhecimento

Quando comecei a lecionar, logo percebi que para ser um bom educador era preciso muito mais que conhecimento. Era preciso ser humano e jamais supervalorizar o intelecto e a razão em detrimento do amor e da emoção. Me apaixonei pela educação, porque via a possibilidade de ajudar pessoas a terem mais oportunidades no futuro. Afinal de contas, muitos estudantes talvez tivessem apenas a escola para dar esse suporte. Quando comecei a lecionar, logo percebi que para ser um bom educador era preciso muito mais que conhecimento. Era preciso ser humano e jamais supervalorizar o intelecto e a razão em detrimento do amor e da emoção. Me apaixonei pela educação, porque via a possibilidade de ajudar pessoas a terem mais oportunidades no futuro. Afinal de contas, muitos estudantes talvez tivessem apenas a escola para dar esse suporte.

Dessa forma, comecei a observá-los com mais atenção, a escutar suas histórias de vida e a perceber também que a escola não era um mundo isolado. Os estudantes traziam consigo um mundo paralelo que envolviam a família, a rua e o bairro que estavam inseridos e que recebiam influencia direta. Ao concluir licenciatura em Geografia, sai com uma grande certeza, talvez a única certeza: que o conhecimento que eu havia adquirido era uma gota e que minha ignorância era um oceano. Sei que não é possível dominar todo o conhecimento e, por isso, me contento em estar sempre aprendendo.

Lecionando Geografia, sempre conversei muito com os estudantes. Entendo que mais importante que depositar conhecimento, é preciso despertar a curiosidade, para que eles possam buscar informações, construir suas próprias idéias, dialogar e encontrar alternativas que melhore seu cotidiano e a vida da comunidade que fazem parte. Na minha prática docente tento despertar o senso crítico, desenvolver a auto-estima e a autoconfiança nos educandos e isso tem contribuído para uma tomada de consciência coletiva. Consciência é algo endógeno, que nasce de dentro e se materializa na reformulação de nossa escala de valores e mudança de postura diante da realidade.

Confesso que nunca me senti preso às grades curriculares impostas pelo sistema educacional porque sempre priorizei conteúdos e discussões que tivesse sentido para os educados, conteúdos que os fizessem indignar-se com as injustiças e levantar a cabeça diante da opressão. Jamais quis formar marionetes para serem manipuladas pelo mercado neoliberal e todos aqueles que se beneficiam desse sistema, mas sim contribuir na formação de cidadão, comprometido com as consequência de suas ações.

Minha metodologia são fundamentadas nas ideias de Paulo Freire em que se aprende dialogando, re etindo criticamente a realidade, construindo o conhecimento e criando uma atmosfera favorável para o desenvolvimento de potencialidades. Admiro colegas que tem compromisso com o que faz e que estão dando sua parcela de contribuição, ainda que no anonimato, para uma mudança social. Admiro aqueles que têm fé e acreditam ser possível viver em um mundo melhor para todos.

Para concluir, gostaria de registrar que quanto mais aprendo mais me torno humilde, porque compreendo que preciso aprender sempre mais. Aprender mais para servir melhor.

Pretendo, no futuro, olhar para trás e ter a sensação de missão cumprida, que os estudantes que passaram por mim vão dar continuidade a esse projeto de sociedade que sonhávamos juntos nas aulas de Geografia e acreditávamos ser possível construir.

Educação é a melhor maneira de combater a pobreza, diz Unesco

A diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Irina Bokova, afirmou que a educação é a melhor maneira de combater a pobreza. O assunto é tema da Conferência Mundial sobre Cuidados e Educação Infantil, em Moscou, na Rússia, onde estão reunidos representantes de 65 países. A ideia é fazer um balanço das ações em curso e definir o que deve ser feito para avançar até 2015.

A diretora-geral da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), Irina Bokova, afirmou que a educação é a melhor maneira de combater a pobreza. O assunto é tema da Conferência Mundial sobre Cuidados e Educação Infantil, em Moscou, na Rússia, onde estão reunidos representantes de 65 países. A ideia é fazer um balanço das ações em curso e definir o que deve ser feito para avançar até 2015.

Irina afirmou que a meta é fixar a atenção nos cuidados na primeira infância, principalmente para as crianças mais pobres. De acordo com a Unesco, a primeira infância vai do nascimento até os 8 anos de idade. É nessa fase da vida em que há o desenvolvimento do cérebro, segundo especialistas.

Até quinta-feira (29), os representantes dos 65 países participam de uma série de discussões sobre políticas de desenvolvimento, custos e financiamento, legislação, experiências regionais, qualidade e capacidade de resposta, exclusão e marginalização, além de monitoramento e avaliação.

“A educação é a melhor garantia para combater a pobreza. Não há espaço melhor para definir o desenvolvimento de uma pessoa do que os primeiros anos de vida de uma criança”, afirmou a diretora-geral da Unesco. “Esse é provavelmente um dos fatos menos divulgados na arena de decisão política e desenvolvimento.”

As informações são da Unesco. Irina alertou que os programas de educação destinados às crianças até 8 anos poderiam reduzir vários problemas futuros. Segundo ela, uma das principais preocupações é com as crianças ciganas, pois mais da metade delas está fora das escolas.

A diretora-geral disse que também há baixos percentuais de crianças matriculadas em várias regiões do mundo. Como exemplo, ela citou que, na África, apenas 15% das crianças estão na primeira etapa do ensino. Nos países árabes, o percentual sobe para 19%. Na Ásia Central, há 28% de crianças com menos de 8 anos em salas de aula e na Ásia o percentual é de 36%.

Escolas em extremos opostos apontam desafios da educação no Brasil

Sonho do estudante paulista Eric é se tornar um engenheiro

O Colégio Estadual Madre Paulina, no Itaim Paulista, no extremo leste de São Paulo, fica a cerca de 40 quilômetros do Colégio Vértice, no bairro de classe média do Campo Belo. Mas, em termos de qualidade da educação que os alunos recebem, estas duas escolas estão em dois planetas diferentes. Sonho do estudante paulista Eric é se tornar um engenheiro

O Colégio Estadual Madre Paulina, no Itaim Paulista, no extremo leste de São Paulo, fica a cerca de 40 quilômetros do Colégio Vértice, no bairro de classe média do Campo Belo. Mas, em termos de qualidade da educação que os alunos recebem, estas duas escolas estão em dois planetas diferentes.

Raquel, 16 anos de idade, cursa o último ano do ensino médio no Colégio Vértice, o primeiro colocado nacional no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) com uma pontuação média de 749,7. Famílias de classe média, como a de Raquel, precisam fazer um esforço para pagar as mensalidades de R$ 2,7 mil.

Apesar do valor alto, mais de cinco vezes o do salário mínimo, há uma longa lista de espera de pais dispostos a pagar pela melhor educação possível para os filhos.

"Os alunos aqui querem mesmo aprender. Temos o objetivo de entrar nas melhores universidades e isso nos motiva a estudar", diz Raquel. "Eu sei muito bem das oportunidades que tenho e que grande parte da população do Brasil e do mundo não tem."

'Ambiente agradável'

O conjunto de sobrados que forma a escola não tem luxos, mas é um ambiente agradável e com ar de casa do interior, cheio de flores coloridas e pequenas árvores.

Colégio Vértice tem média de um professor para cada dez alunos

"Todas as salas de aula levam a pequenos jardins. Faz diferença estudar num ambiente agradável", diz Walkiria Ribeiro, que fundou a escola em 1976 e hoje é sua diretora geral.

"Acho que o que fizemos de mais importante aqui foi pensar num método de ensino que funcionasse bem no Brasil e para nossos alunos, em vez de ficar adotando fórmulas e modelos prontos que existem por aí", diz a educadora.

Na Escola Estadual Madre Paulina, Eric - também 16 anos de idade e no último ano do ensino médio - vive numa realidade bem diferente.

Antes de sair pra escola, ele toma café da manhã sozinho, porque a mãe tem que sair às 5h de casa para chegar a tempo na fábrica em que trabalha.

Eric vive num conjunto habitacional ao lado de uma favela e, nos dez minutos de caminhada pelas ruas do bairro até a escola, vê com frequência traficantes em plena atividade, tendo como clientes seus colegas de colégio.

"Às vezes, vejo no caminho amigos que não querem vir para a aula, e eu tento convencê-los a vir comigo pra escola. Mas tem muitos que dizem que não adianta porque nós não aprendemos nada ", conta Eric.

'Destruição'

A escola Madre Paulina fica num prédio grande e um tanto quanto sombrio, coberto de pichações e com lixo espalhado pela grama. Dentro, há mais pichações e muitas portas, janelas e móveis quebrados.

Eric admite que os alunos têm a sua parcela de culpa na destruição, mas vê motivos para esse comportamento. "Muitos fazem isso porque não estão motivados, então eles vêm para a escola e fazem pichação e quebram tudo. É até uma maneira de eles se expressarem," diz o estudante.

Os alunos do Colégio Madre Paulina tiveram nota média de 465,75 no Enem, o que colocou a escola entre as 20 piores de São Paulo. Os alunos com notas mais baixas no Brasil (249,25) foram os da Escola Indígena Dom Pedro 1º, na pequena cidade de Santo Antonio do Iça, no Amazonas.

"Ninguém aqui está motivado, nem mesmo os professores. Como é que pode isso? Esses professores são as pessoas que têm de preparar os médicos e engenheiros do futuro", diz Eric.

Durante os governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil conseguiu colocar virtualmente todos os seus jovens na educação básica, mas melhorar a qualidade do ensino será o grande desafio para o próximo governo ou, mais provavelmente, para os próximos governos.

"Melhorar a educação é maior desafio que temos para continuar crescendo. Educação demanda tempo, competência e muito cuidado e atenção às crianças e adolescentes, e o sistema educacional no Brasil é carente de todas essas virtudes", diz o professor de relações industriais da Universidade de São Paulo, José Pastore.

"A evolução ao longo dos últimos anos é real e rápida, mas as conquistas ainda são muita pequenas. Apenas cerca de um terço da população no Brasil tem o ensino secundário, enquanto, nos países ricos, este valor atinge 75% a 80%. "

Pastore observa que os trabalhadores brasileiros têm uma média de 7 anos de estudo contra 11 anos na África do Sul, 12 anos nos Estados Unidos e até 13 anos em partes da Europa. "E eles vão para as boas escolas, enquanto os brasileiros vão a escolas ruins."

Corrida desigual

Tanto Raquel como Eric são estudantes esforçados, com boas notas e grandes planos para seus futuros e o do país, mas eles sabem que estão entrando na corrida em condições bastante diferentes.

No Colégio Vértice, há um professor para cada dez alunos e 30% dos educadores têm mestrado. Os salários são em torno de R$ 7 mil por mês.

Raquel passa a maior parte do dia na escola com aulas regulares até a hora do almoço e aulas de reforço a tarde. "Eu costumava fazer muito esporte, como aulas de natação e judô, mas agora a vida é só estudar para me preparar para o vestibular."

Raquel ainda não decidiu se quer estudar Biologia ou Relações Internacionais. "O que é importante para mim é encontrar alguma coisa na minha profissão que me permita ajudar outras pessoas", diz ela.

Eric não tem dúvidas sobre o que ele quer fazer do seu futuro: "Quero ser engenheiro para explorar a imensa riqueza do pré-sal."

Escola Madre Paulina teve o pior desempenho em avaliação do MEC

Mas isso não é tarefa fácil para os alunos de uma escola como a Madre Paulina, onde os professores têm uma média de 50 alunos e um salário de R$ 900. "Como posso me tornar um engenheiro com o tipo de educação que recebo?"

Mas Eric não desiste. Ao contrário: ele entrou na União Municipal de Estudantes Secundaristas (Umes) e se tornou vice-presidente para Zona Leste de São Paulo na entidade estudantil. "Meu sonho é que outros também possam realizar seus sonhos", diz ele.

Mudanças

O Ministério da Educação admite que o país ainda está muito longe de onde deveria estar, mas diz que mudanças importantes aconteceram durante o período Lula.

"O ensino público tem avançado muito no governo Lula, porque passamos a investir, adotamos uma abordagem sistêmica da educação primária até a universidade e começamos a preparar melhor nossos professores", diz a secretária de Educação do MEC, Márcia Pilar.

Pilar explica que, em 2005, um estudo feito pelo Ministério da Educação avaliou escolas públicas brasileiras com uma nota média de 3,8, numa escala de zero a dez.

"Nosso plano é chegar a 2022, o bicentenário da independência do Brasil, com nota 6, o que seria já perto da qualidade de alguns países da OCDE", diz Pilar.

"Nenhum país jamais conseguiu reformar o seu sistema de ensino em menos de uma geração, mas temos tomado medidas que já têm um impacto importante, como o aumento do número de estudantes nas universidades."

Mas as empresas brasileiras - com a oportunidade de crescimento que o Brasil tem agora - podem não conseguir esperar por uma geração. Para atender às necessidades urgentes da indústria, governo e setor privado têm investido fortemente nas escolas técnicas.

Torneiro mecânico

Nas escolas do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), quase 90% dos jovens se formam com empregos já garantidos. É ótimo para eles, mas mostra a carência do Brasil de trabalhadores qualificados.

"Há uma grande demanda por trabalhadores qualificados, sobretudo em mais áreas de alta tecnologia, como informática e mecatrônica", diz o diretor do sistema Senai no Estado de São Paulo, Walter Vincioni.

"Mas um problema sério é que as tecnologias com que trabalhamos são muito sofisticadas e aprender a usá-las requer uma boa formação básica que muitos dos alunos que recebemos aqui não têm, infelizmente. "

No primeiro andar do Senai Roberto Simonsen, no bairro Paulistano do Brás, está um antigo torno cuidadosamente restaurado, que o adolescente Luiz Inácio da Silva usou no início das anos 60 para aprender o ofício de torneiro mecânico.

Embora tenha apenas completado a educação fundamental no ensino regular, o curso profissionalizante lhe abriu caminho para se tornar uma metalúrgico, um líder estudantil e, finalmente, o presidente Lula. Entretanto, a história é a exceção que confirma a regra: não é fácil de quebrar as barreiras das diferenças sociais sem acesso à educação.

"Está provado que, no Brasil, a educação é o caminho mais rápido para a mobilidade social. Temos tal força de trabalho pouco qualificada que qualquer conhecimento adicional, mesmo que pequeno, é suficiente para melhorar bastante de vida", diz o professor Pastore.

Propostas

O professor disse que não ouviu, dos candidatos à Presidência, "nada realmente interessante ou concreto sobre a educação."

Em sua opinião, a própria sociedade também precisa ser mais ativa.

"O grande problema é que, em um país onde a educação nunca foi prioridade, muitos pais estão felizes simplesmente porque agora seus filhos vão à escola e, portanto, não exigem mais", diz ele.

"Precisamos encontrar maneiras de unir a sociedade para lutar por mais qualidade na educação. As pessoas no Brasil têm de perceber como isso é importante."

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Já utilizada em algumas escolas, a disciplina de música ajuda na inclusão social

No segundo semestre de 2011, entra em vigor uma lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas públicas e particulares do país. O objetivo da determinação, no entanto, não é formar músicos, mas sim que os alunos adquiram o conhecimento da linguagem musical e ampliem sua formação artística, diz Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação. No segundo semestre de 2011, entra em vigor uma lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas públicas e particulares do país. O objetivo da determinação, no entanto, não é formar músicos, mas sim que os alunos adquiram o conhecimento da linguagem musical e ampliem sua formação artística, diz Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

Na escola estadual Romeu de Moraes (zona oeste de São Paulo), o ensino de música já é usado como instrumento de inclusão social. As aulas incluem fanfarra, teatro, dança e até um coral de libras --em que os alunos "encenam" a música com as mãos. Único deficiente auditivo da turma, Marcelo José da Silva Macedo, 14, conta que fez amigos no coral e que hoje se sente mais integrado.

"O colégio viu na música um bom elemento para unir os estudantes e despertar neles a vontade de permanecer no ambiente escolar, além de desenvolver talentos e liderança", afirma a diretora da escola, Rosângela Valim.

Outro aluno que sentiu a diferença que a música fez na sua vida escolar foi Antonio Manta Neto, 13, que toca bateria na escola de samba Águia de Ouro. Antes visto como um aluno de temperamento difícil, seu comportamento mudou quando ele levou a música para a escola, em junho deste ano. "A diretora percebeu que eu gostava de tocar e me convidou para coordenar a banda da escola."

Todas as atividades são desenvolvidas com o apoio dos Parceiros da Educação, associação sem fins lucrativos que promove parcerias entre empresas e escolas da rede pública de São Paulo.

FINS SOCIAIS

Na rede privada, grande parte das escolas também usa a música com fins pedagógicos e sociais. "Trabalhar a música com diversas disciplinas e eixos temáticos explora as capacidades cognitivas dos estudantes. É um elemento a mais para desenvolver o indivíduo e sua relação com o outro", diz Gisele Milani, professora da Viva (zona oeste).

Nas aulas de ciências do 3º ano do fundamental, quando os rios são estudados, os alunos tocam instrumentos que reproduzem o som da água. Melhoria da concentração e respeito em relação aos colegas são outros bons resultados originados pela musicalização nas escolas.

A professora Suely Lerner diz que, no colégio Dante Alighieri (zona oeste), a música é vista como uma linguagem para desenvolver a socialização, a memória, o raciocínio e a improvisação.

Essa última habilidade é colocada em prática, por exemplo, em um exercício em que um aluno começa a tocar um instrumento e os outros o seguem, um por vez, mantendo o ritmo da melodia que o primeiro iniciou.

DM9 levará universitário para conhecer o mundo e contar em blog o que viu

A DM9DDB vai escolher um universitário de 21 anos, de qualquer área, para viajar por 9 grandes cidades do mundo em 99 dias e manter um blog com relatos de sua experiência.

Chamado de 99 Novas e lançado nesta segunda-feira, em São Paulo, o projeto faz parte das comemorações pelo aniversário de 21 anos da agência. A DM9DDB vai escolher um universitário de 21 anos, de qualquer área, para viajar por 9 grandes cidades do mundo em 99 dias e manter um blog com relatos de sua experiência.

Chamado de 99 Novas e lançado nesta segunda-feira, em São Paulo, o projeto faz parte das comemorações pelo aniversário de 21 anos da agência. As inscrições para o projeto já podem ser feitas por meio do site da iniciativa.

Os pré-requisitos são ter ou completar 21 anos até o dia do embarque (9 de janeiro de 2011), estar cursando alguma instituição de ensino superior, desde que reconhecido pelo Ministério da Educação (recém-formados também são aceitos), ser fluente em inglês, ser brasileiro e morar no País.

No roteiro da viagem constam Nova York, Paris, Barcelona, Bangcoc, Xangai, Tóquio, Londres, Milão e Mumbai.

Como é o processo seletivo
O processo de seleção é dividido em três fases. Na primeira, os participantes terão de responder a um teste online com 99 perguntas
sobre conhecimentos gerais. Os 99 candidatos que acertarem mais questões no menor prazo passarão para a segunda etapa.

Na fase seguinte, será necessário gravar um vídeo de 90 segundos em inglês sobre um tema que será anunciado posteriormente, além de uma entrevista online também na língua inglesa. Apenas nove postulantes serão selecionados.

Na etapa final, esses nove passarão por uma prova mais específica: terão de montar um blog – o objetivo é ver como a pessoa se sai com a ferramenta em si, se domina minimamente e tecnologia para saber se virar quando estiver na viagem. Também haverá uma entrevista presencial, que selará a sorte do felizardo.

Tendências mundo afora
O objetivo da agência é que o estudante escolhido descubra tendências, mostre comportamentos e histórias de culturas diferentes.

“Quero que o blog seja um lugar para indicar tendências. Não é um projeto de emprego, mas de conhecimento”, diz Sérgio Valente, presidente da DM9DDB.

E não pense você que o objetivo é endeusar o último hype.

“Nossa intenção não é que o escolhido indique a moda mais recente. É para a massa também. Quero saber quem é o Luan Santana de Nova York, Xangai”, afirma Valente. Ele se refere ao novo ídolo do chamado “sertanejo universitário”.

A proposta não é dar emprego, mas a agência não descarta a possibilidade de convidar o universitário a trabalhar na DM9DDB ao retornar da viagem.

Superdotados: uma minoria invisível

“Ninguém no mundo me entende”. A afirmação de Elivelton Pêgo de Macêdo, de 14 anos, poderia ser facilmente interpretada como uma crise normal da idade. Mas o estudante da 8ª série do ensino fundamental não é um adolescente qualquer. As palavras de Elivelton refletem a realidade de quem faz parte de uma minoria ainda estereotipada ou até invisível para os brasileiros. Elivelton é um dos 5.600 estudantes do País identificados como superdotados. Está longe de qualquer estereótipo de gênio: não usa óculos, não estuda o tempo todo, não pensa em ser cientista e muito menos vive isolado. Elivelton é falante, adora escrever, desenhar, atuar. Mas fazer parte de uma parcela tão pequena da população significa, muitas vezes, sentir-se só mesmo com muita gente ao redor.

A habilidade de raciocínio e a capacidade de aprendizagem acima da média se tornaram fontes de incompreensão. Elivelton era confundido com uma pessoa desinteressada. Como gosta de coisas distintas e aprende rápido, logo se entedia. Problema para professores e para a família, já que ele precisa de desafios constantes para se manter focado. Há dois anos, porém, ele garante que a vida melhorou.

Elivelton mora no Varjão, comunidade de baixa renda do Distrito Federal. No início de 2008, uma professora de português percebeu que o menino quieto possuía uma criatividade fora do comum. Encaminhou o adolescente ao serviço que atende crianças com altas habilidades no Distrito Federal, que existe há 34 anos. Livre para estudar o que o interessa e animado com a convivência com jovens como ele, se sente mais feliz.

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* Como identificar uma criança superdotada

Nas salas de recursos do Distrito Federal (como são chamados os ambientes que atendem os superdotados), os estudantes se encontram com professores treinados em identificar os talentos, as habilidades e as necessidades de cada um. Quem é encaminhado para uma das salas passa por avaliação. Eles ficam em observação na sala durante alguns dias e também são analisados por psicólogos, a fim de diagnosticar a superdotação.

“Logo em um dos primeiros encontros, entreguei um desafio de matemática para o Elivelton que professores da área levaram uma hora e meia para resolver. Enquanto voltava à mesa para pegar um papel na gaveta, ele disse que havia terminado. Não acreditei. Foram segundos. E estava certo”, conta Leila Branco, professora responsável pela sala de recursos que ele frequenta.

Os encontros com os jovens que são identificados com altas habilidades – que podem tanto ser intelectuais quanto artísticas, por exemplo – acontecem uma ou mais vezes por semana, sempre no horário contrário ao das aulas regulares. Os professores se tornam tutores dos estudantes, os auxiliam a desenvolver projetos e estudar o que mais gostam.

Talentos perdidos

Os superdotados representam apenas 0,01% de todos os alunos matriculados na educação básica, segundo o Censo Escolar 2009. O número, dizem os especialistas, é subestimado. A falta de informação e sensibilidade para identificar as habilidades demonstradas pelas crianças e adolescentes faz com que muitos talentos continuem escondidos por aí. Pior, podem ser prejudicados pela falta de atendimento adequado.

Andrea Azevedo, psicóloga do Atendimento Educacional Especializado, afirma que o diagnóstico não é complicado. Mas é preciso ter sensibilidade para identificá-los corretamente. “Três características precisam andar juntas para que alguém seja identificado como superdotado: habilidade acima da média, alta criatividade e grande envolvimento com as tarefas”, diz. Em geral, as crianças com altas habilidades são precoces. Andam cedo, aprendem a ler espontaneamente, têm boa memória, são líderes e criativas. Mas também podem fugir desse padrão. É comum, segundo especialistas, que alunos mais agitados e menos concentrados nas aulas convencionais sejam diagnosticados de forma errônea. Muitos são tratados como hiperativos, quando, na verdade, não são.

Dângelo Saraiva de Souza, 15 anos, não dava sossego para os pais ou professores. No programa desde abril de 2008, o estudante chegou a ser reprovado na 3ª série do ensino fundamental. “Eu usava minha inteligência para tocar o terror”, brinca o jovem. Depois do convite para participar dos projetos na sala de recursos, tudo mudou.

“Achava tudo chato. Hoje, amo ler e escrever. Faço um jornalzinho na minha escola, vou além dos conhecimentos que recebo em sala de aula”, afirma Dângelo. A liberdade para estudar o que dá vontade é muito valorizada pelos estudantes. “É muito legal poder escolher o que queremos estudar”, garante Maiara Xavier, 13 anos.

Dificuldades práticas

Leila Branco, responsável pela sala de recursos do Centro de Ensino Fundamental 1 do Lago Norte, lamenta as dificuldades que enfrentam para realizar o trabalho com os alunos. Além do espaço físico insuficiente, faltam materiais (como computadores e internet) e transporte. “Não tenho condições de levar esses meninos para museus, laboratórios nas universidades ou exposições, por exemplo”, diz.

A professora acredita que o ideal seria ter uma sala de recursos em cada colégio. Hoje, há 47 salas em todo o DF e 1.207 estudantes participam do programa. “Despertaria a curiosidade de outras crianças. Acreditamos que a quantidade de alunos que poderiam ser atendidos é muito maior do que a que atendemos hoje”, defende Leila.

Délcio Batalha, gerente de Educação Especial da Secretaria de Educação do DF, acredita que o número poderia ser multiplicado por dez. “É preciso quebrar estereótipos ainda. Um superdotado não é um gênio. Isso facilitaria a identificação também”, defende.

CARACTERÍSTICAS DE UM SUPERDOTADO:
- Habilidade acima da média
- Alta criatividade
- Grande envolvimento com as tarefas
- São persistentes e perfeccionistas;
- Não gostam de rotina;
- Investem tempo e atenção no que gostam;
- Demonstram liderança e iniciativa;
- Detém habilidade excepcional para talentos específicos como esportes, música, artes, dança ou informática.