sexta-feira, 28 de maio de 2010

Baixa qualidade do ensino de matemática está na formação do professor, diz especialista


Muitos docentes se formam em cursos de pedagogia que não oferecem conteúdos da área

Getty ImagesFoto por Getty Images
Faltam professores com formação específica
O problema da baixa qualidade do ensino da matemática nas escolas públicas está centralizado na formação incipiente dos professores para o ensino da disciplina. O diagnóstico é da professora da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisadora do Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplica) Suely Druck. O ensino da matemática e de ciências na educação básica foi debatido nesta quinta-feira (27) durante a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na avaliação de Suely, que é também coordenadora da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas), vários fatores contribuem para a deficiência do ensino da disciplina, desde o financiamento à descentralização da organização do ensino.

- Mas a formação do professor é o cerne do problema e é o mais difícil de ser enfrentado. Hoje temos uma quantidade muito grande de professores em sala de aula que não estão preparados para isso. Para a especialista, o primeiro passo é “estancar” a má-formação em cursos de baixa qualidade. Ela destaca que os estudantes de cursos de pedagogia, que irão lecionar para os alunos do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, recebem um conhecimento muito incipiente de matemática durante sua formação.
- É praticamente nada [o que eles aprendem]. A maioria vai dar aula de matemática e a última vez que eles viram o conteúdo foi quando eram alunos do ensino médio.
O professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Eduardo Mortmer ressaltou ainda que dentro das graduações de matemática, química e física, há pouco interesse por parte dos estudantes em trabalhar como professor de educação básica.

- O sistema de ensino não consegue segurar o professor que se qualifica. Os mestres e doutores formados nessas áreas hoje vão lecionar no ensino superior.


Atualmente, há carência de professores de áreas como química e física para atuar na sala de aula. Muitas vezes a função é exercida por profissionais formados em outros cursos. Mortner apontou que nos últimos 20 anos, 30 mil se graduaram em química. Mas só 8.000 das 24 mil vagas para professor dessa disciplina são ocupadas por licenciados na área.

Mortmer aponta os baixos salários oferecidos pela rede pública como principal motivo para afastar esses profissionais da carreira do magistério. - O governo hoje está gastando muito dinheiro para formar professores, mas isso não tem retorno esperado porque eles não ficam no sistema.

Fonte:
R7

sábado, 22 de maio de 2010

MEC vai abrir concurso para professores em 2011



Devido à demanda das redes públicas de ensino, o MEC (Ministério da Educação) vai abrir concurso nacional para selecionar profissionais da área que desejam atuar com alunos dos primeiros anos do ensino fundamental e da educação infantil.

O processo de seleção será feito similar ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o professor realiza a prova e depois poderá utilizá-la nas diferentes redes que fazem parte do processo seletivo.

Este novo formato foi inspirado de países com bons indicadores educacionais. A ideia é saber quais são os padrões do que seria um bom professor e qual o nível de conhecimento ele deve ter para suprir as necessidades educacionais do país.

Segundo a pedagoga e tutora do Portal Educação, Emileide da Costa, a ação é mais um planejamento do Ministério da Educação visando à melhoria do sistema de ensino. “Este tipo de avaliação pode auxiliar o profissional da educação que está fora da sala de aula por não conseguir os contratos temporários”, explica a tutora.


Fonte:
Portal Educação